Mercado hoje: tecnologia cai, petróleo sobe e Fed domina a semana

Tecnologia cai, petróleo volta a subir e Fed e Copom decidem juros nesta semana. Datafolha, minério e ADRs completam o radar da B3.

Circuito de inteligência artificial em um chip de vidro sob uma atmosfera de cautela nos mercados globais.

Atualização às 07h25 de Brasília: a semana começa com um choque duplo para os mercados. O petróleo voltou a subir mais de 2% depois da interrupção de um importante oleoduto saudita, enquanto ações de tecnologia caíram na Ásia e os futuros do Nasdaq recuavam perto de 1,8% diante do debate sobre uma desaceleração no desenvolvimento de inteligência artificial. No Brasil, o Datafolha divulgado depois do fechamento de sexta-feira mostrou nova alta de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e empate técnico com Lula no segundo. Com Fed e Copom decidindo juros na quarta-feira, o ambiente favorece volatilidade em ações, dólar e curva de juros.

Resumo do mercado

  • Os futuros do Nasdaq 100 caíam 1,80%, os do S&P 500 recuavam 0,81% e os do Dow Jones perdiam 0,25% às 07h14.
  • O Brent subia 2,72%, a US$ 107,46 por barril, e o WTI avançava 2,64%, a US$ 102,69, perto das 06h50.
  • O Treasury de dois anos rendia 4,639% e o de dez anos, 4,968%. O DXY avançava 0,43%, a 99,55 pontos.
  • O minério de ferro fechou a 708,5 yuans por tonelada em Dalian, queda de 1,60%, e operava a US$ 95,73 em Singapura, baixa aproximada de 0,8%.
  • O EWZ caía 0,92% no pré-market. Petrobras avançava perto de 1%, mas Itaú e Nubank recuavam; vários ADRs ainda não tinham negócios nesta manhã.
  • O Datafolha mostrou Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 35% no primeiro turno; no segundo, 46% a 44%, empate técnico dentro da margem de erro.
  • No Brasil, o Focus sai às 08h25 e o IBC-Br de julho, às 09h. À noite, a China divulga produção industrial e vendas no varejo.

Tecnologia abre a semana sob pressão

A aversão ao risco se concentrou no setor de tecnologia. Na Coreia do Sul, o Kospi caiu 3,3%, com SK Hynix em baixa de 6,4% e Samsung recuando 4,1%. No Japão, o SoftBank perdeu 10,7% e o Nikkei 225 fechou em queda de 0,8%. O movimento veio após novas manifestações pela desaceleração do desenvolvimento de sistemas avançados de inteligência artificial por razões de segurança, segundo a Associated Press.

O reflexo aparecia antes da abertura de Nova York. Às 07h14, os futuros do Nasdaq 100 caíam 1,80%, os do S&P 500 recuavam 0,81% e os do Dow Jones cediam 0,25%. O sinal contrasta com a sexta-feira, quando o S&P 500 subiu 0,86%, o Nasdaq avançou 0,96% e o Dow ganhou 0,98%.

Para a B3, a queda da tecnologia global pesa sobre o apetite por risco, embora o índice brasileiro tenha uma composição menos exposta a empresas de crescimento. O canal mais importante passa pelos juros americanos: empresas de duration mais longa sofrem quando o mercado exige taxas maiores para financiar lucros futuros.

Petróleo volta a superar US$ 100

O petróleo retomou a alta após a Arábia Saudita interromper o oleoduto Leste-Oeste, rota usada para contornar o Estreito de Ormuz, depois de um ataque. O Brent para novembro subia 2,72%, a US$ 107,46 por barril, às 06h56, enquanto o WTI para outubro avançava 2,64%, a US$ 102,69, às 06h50. Ambos os preços eram intradiários e poderiam mudar antes da abertura da B3.

O feed atrasado do Financial Juice acrescentou sinais de tensão: às 06h10, a autoridade iraniana do Estreito de Ormuz publicou uma lista atualizada de 77 embarcações consideradas em desacordo com seus protocolos; às 06h22, registrou conversa entre o príncipe herdeiro saudita e o chefe do Comando Central dos Estados Unidos. Às 06h48, Isabel Schnabel, do Banco Central Europeu, classificou os movimentos recentes da energia como preocupantes.

AtivoPreçoVariaçãoReferência de Brasília
Brent, novembro/2026US$ 107,46/barril+2,72%06h56, intradiário
WTI, outubro/2026US$ 102,69/barril+2,64%06h50, intradiário
Ouro, dezembro/2026US$ 4.327,20/onça-1,85%06h30, intradiário
Cobre, dezembro/2026US$ 6,444/libra-1,59%06h18, intradiário

O petróleo acima de US$ 100 favorece a geração de caixa da Petrobras, mas amplia a preocupação com combustíveis, inflação e juros. Ouro e cobre caíam ao mesmo tempo, sinal de que o movimento não era uma alta generalizada de commodities: o choque estava concentrado em energia, enquanto metais reagiam ao dólar forte, aos juros e à cautela com a atividade.

Fed e Copom fazem uma superquarta decisiva

O rendimento do Treasury de dois anos estava em 4,639% às 07h05, alta de 1,1 ponto-base frente ao fechamento anterior. O papel de dez anos rendia 4,968% às 06h20, próximo das máximas recentes. O DXY subia 0,43%, a 99,55 pontos, às 06h10.

O Financial Juice registrou às 06h48 uma pesquisa com economistas segundo a qual 86 de 101 participantes esperam que o Federal Reserve eleve na quarta-feira a faixa dos Fed Funds para 3,75% a 4,00%. A decisão será divulgada às 15h de Brasília, acompanhada pelas projeções econômicas; a entrevista coletiva está marcada para 15h30.

No Brasil, o calendário do Banco Central confirma a reunião do Copom na terça e na quarta-feira. A comunicação sai na quarta, a partir de 18h30. A combinação de petróleo alto, juros americanos em elevação e inflação doméstica recente mais benigna deixa a curva de DI exposta a forças opostas.

Minério fecha em baixa em Dalian e recua em Singapura

O minério de ferro voltou a mostrar sinal negativo nas duas principais referências internacionais. Em Dalian, o contrato janeiro de 2027 (I2701) fechou a 708,5 yuans por tonelada, queda de 11,5 yuans, ou 1,60%, frente ao ajuste anterior de 720 yuans. O fechamento ocorreu às 04h05 de Brasília e foi conferido no feed da Sina Futures e na tabela da SteelHome.

Em Singapura, o contrato outubro de 2026 (FEF2610) era negociado a US$ 95,73 por tonelada às 07h24, recuo aproximado de 0,8% frente à referência anterior de US$ 96,52. A leitura foi confirmada no feed internacional da Sina. Os contratos e os horários são diferentes, por isso as variações não devem ser comparadas como se fossem o mesmo fechamento.

ContratoPreçoVariaçãoStatus
Dalian I2701, janeiro/2027708,5 yuans/t-1,60%fechado às 04h05
Singapura FEF2610, outubro/2026US$ 95,73/tcerca de -0,8%intradiário às 07h24

A queda do minério limita o impulso para Vale e siderúrgicas. O dado ganha importância porque as referências de atividade da China — produção industrial, vendas no varejo, investimento urbano e desemprego — serão divulgadas às 23h desta segunda-feira, no horário de Brasília, conforme o calendário do Financial Juice.

Ásia e Europa mostram um mercado dividido

Na Ásia, o Kospi caiu 3,3%, a 6.684,37 pontos, e o Nikkei 225 recuou 0,8%, a 63.492,99. O Hang Seng avançou 0,4%, a 24.904,46, enquanto Xangai ficou praticamente estável, com baixa inferior a 0,1%. O ASX 200 australiano ganhou 0,1%.

Na Europa, o quadro era misto no início da manhã: o FTSE 100 subia cerca de 0,5%, enquanto DAX e CAC 40 recuavam perto de 0,3% e 0,4%, respectivamente. O Stoxx 600 oscilava próximo da estabilidade. Energia sustentava parte do mercado, mas tecnologia, juros e a preocupação com o custo do petróleo limitavam o avanço.

Dólar, Bitcoin e Ether

O USD/BRL eletrônico estava em R$ 5,1217 às 07h14, praticamente estável frente à referência anterior de R$ 5,1215, depois de oscilar entre R$ 5,1053 e R$ 5,1299. O DXY em alta e os Treasuries elevados dificultavam uma valorização mais forte do real antes da abertura doméstica.

O Bitcoin era negociado a US$ 78.017 às 07h19, alta de 1,65% na janela diária do provedor. O Ether estava em US$ 2.518,82, avanço de 1,53%. A reação positiva das criptomoedas contrastava com a queda dos futuros de tecnologia, mas a decisão do Fed continua sendo o principal risco comum: juros maiores elevam o custo de oportunidade de ativos que não pagam fluxo de caixa.

Datafolha aperta a disputa eleitoral

A informação política com maior potencial de preço nesta segunda-feira é o Datafolha divulgado na noite de sexta-feira, depois da edição anterior do Nerd da Bolsa. No primeiro turno, Lula marcou 39%, ante 38% na rodada anterior, e Flávio Bolsonaro subiu de 33% para 35%. A diferença ficou em quatro pontos, no limite da margem de erro de dois pontos para mais ou para menos.

No segundo turno, o placar permaneceu em 46% para Lula e 44% para Flávio Bolsonaro, empate técnico. A pesquisa ouviu 2.002 eleitores entre 8 e 10 de setembro, em 125 municípios, e está registrada no TSE sob o código BR-01833/2026. O agregador do UOL informou no sábado que a diferença agregada caiu de seis para cinco pontos.

CenárioLulaFlávio BolsonaroLeitura correta
1º turno39%35%diferença de 4 p.p.; empate técnico no limite da margem
2º turno46%44%empate técnico; placar estável

Levantamentos estaduais do Veritá divulgados no sábado também mostraram Flávio numericamente à frente em São Paulo e Rondônia, mas esses resultados não representam o eleitorado nacional. Para o mercado, o dado relevante é o aumento da competitividade da disputa e a consequente revisão das expectativas sobre política fiscal, estatais, regulação e governabilidade. Não existe relação mecânica entre a alta de um candidato e a direção do Ibovespa: petróleo, minério, juros globais e fluxo estrangeiro continuam sendo determinantes simultâneos.

EWZ e ativos brasileiros em Nova York

O ETF EWZ era negociado a US$ 37,84 às 06h27, queda de 0,92% no pré-market, mas com apenas 768 cotas negociadas. O volume muito baixo torna o sinal preliminar. As ADRs também mostravam um quadro misto: Petrobras avançava com o petróleo, enquanto bancos e Nubank recuavam.

AtivoCódigoPreçoVariação no pré-marketVolumeHorário de Brasília
ETF BrasilEWZUS$ 37,84-0,92%76806h27
PetrobrasPBRUS$ 21,41+1,00%10,34 mil06h48
Petrobras APBR.AUS$ 19,30+0,99%31,09 mil06h11
ItaúITUBUS$ 8,23-1,26%1,18 mil06h38
NubankNUUS$ 14,48-0,96%16,39 mil06h38
CSNSIDUS$ 1,270,00%12406h14
ValeVALEUS$ 15,23sem negócio no pré-market—fechamento de sexta
BradescoBBDUS$ 3,60sem negócio no pré-market—fechamento de sexta
AmbevABEVUS$ 3,02sem negócio no pré-market—fechamento de sexta
GerdauGGBUS$ 5,15sem negócio no pré-market—fechamento de sexta

As variações de EWZ, PBR, PBR.A, ITUB, NU e SID foram comparadas com o fechamento regular de sexta-feira. Para Vale, Bradesco, Ambev e Gerdau, a tabela mostra apenas o último fechamento, porque não havia negócio confirmado no pré-market desta segunda. Negócios de sexta-feira no after-hours não foram tratados como preços de hoje.

Fechamento da B3 e agenda desta segunda-feira

O Ibovespa fechou a sexta-feira em queda de 0,56%, aos 187.206,89 pontos, mas acumulou alta de 1,11% na semana. O dólar comercial terminou em torno de R$ 5,125, com avanço aproximado de 0,4%. O petróleo caiu no pregão anterior, enquanto a inflação brasileira veio negativa e o CPI americano reforçou apostas de alta de juros.

HorárioPaísEventoImpacto esperado
08h25BrasilRelatório Focusexpectativas de inflação, Selic, câmbio e PIB
09h00BrasilIBC-Br de julhoatividade e curva de juros
09h30CanadáCPI de agostomoedas e juros globais
10h00Zona do eurodiscurso de Piero Cipollone, do BCEeuro e juros europeus
12h15Zona do eurodiscurso de Christine Lagardeeuro, energia e juros
12h30Estados Unidosleilões de Treasuries de 3 e 6 mesesdemanda por títulos
22h30Chinapreços de imóveis residenciaisminério e incorporadoras
23h00Chinaprodução industrial, varejo, investimento e desempregominério, cobre e exportadoras

Na terça-feira, os Estados Unidos divulgam o índice Empire State e dados semanais de emprego da ADP. Na quarta, vendas no varejo às 09h30 antecedem a decisão do Fed às 15h e a coletiva às 15h30. O Copom comunica sua decisão a partir de 18h30.

Leitura para Ibovespa, dólar e juros

Ibovespa: o viés inicial é misto a negativo. EWZ e futuros americanos apontam cautela, minério pesa sobre Vale e siderúrgicas, enquanto o petróleo favorece Petrobras. Bancos e empresas domésticas podem reagir ao IBC-Br, à pesquisa eleitoral e às expectativas para o Copom.

Dólar: DXY em alta, Treasuries elevados e futuros de ações em baixa favorecem a moeda americana. O petróleo acima de US$ 100 melhora a receita de uma grande exportadora brasileira, mas também aumenta o risco inflacionário. O Focus, o IBC-Br e a pesquisa política podem alterar o prêmio doméstico ao longo da sessão.

Juros: a curva começa a semana entre a deflação do IPCA de agosto e o choque de energia. Um IBC-Br fraco e expectativas de inflação mais baixas no Focus favorecem queda de taxas locais; petróleo, dólar e Treasuries atuam no sentido contrário. A parte longa também permanece sensível ao fiscal e à percepção de competitividade eleitoral.

Para comparar o ponto de partida doméstico e a reação aos dados de inflação divulgados na sexta-feira, veja o resumo do mercado de 11 de setembro.

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Cotações intradiárias podem mudar rapidamente e devem ser confirmadas antes de qualquer decisão financeira.

Fontes

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