
Atualização às 07h15 de Brasília: o pacote do governo federal para gasolina, etanol e diesel divide a atenção do mercado com o petróleo acima de US$ 101, os juros americanos em máxima desde 2023 e a agenda carregada de inflação e atividade. O minério de ferro caiu em Dalian e Singapura, enquanto o pré-mercado dos ativos brasileiros em Nova York mostrava um sinal misto.
Resumo do mercado
- O governo reduziu em R$ 0,63 por litro os tributos federais sobre a gasolina, zerou R$ 0,19 por litro sobre o etanol hidratado e autorizou novos subsídios ao diesel.
- O Brent subia 0,3%, a US$ 101,52, e o WTI avançava 0,4%, a US$ 96,42, após nova escalada na guerra entre Estados Unidos e Irã afetar o fluxo pelo Estreito de Ormuz.
- O Treasury de dez anos rondava 4,84%, perto do maior rendimento desde 2023, e o DXY cedia para 98,73 pontos.
- O minério fechou a 730,5 yuans por tonelada em Dalian, queda de 0,95%, e recuava 0,31% em Singapura, a US$ 99,15.
- O ouro subia 0,3%, para US$ 4.412,84 por onça, e o cobre havia terminado o overnight a US$ 14.812 por tonelada, alta de 0,57%.
- Na agenda, o mercado espera dados de serviços e indústria regional no Brasil, decisão do Banco Central Europeu e PPI nos Estados Unidos.
- O EWZ, Vale, Itaú e Nubank recuavam no pré-mercado, enquanto as ADRs da Petrobras subiam com o petróleo.
Pacote de combustíveis entra no centro do pregão
O principal fato doméstico desta quinta-feira é o novo pacote federal de alívio para combustíveis, anunciado na noite de quarta-feira e com efeitos a partir de hoje. O governo reduziu em R$ 0,63 por litro a cobrança de PIS/Pasep e Cofins sobre a gasolina e zerou a parcela federal de R$ 0,19 por litro incidente sobre o etanol hidratado. As medidas tributárias têm vigência temporária, enquanto uma medida provisória autoriza a União a subsidiar produtores e importadores de diesel rodoviário durante a instabilidade de oferta provocada pelo choque geopolítico.
Segundo a Reuters, a nova rodada inclui R$ 6,6 bilhões em subsídios, dos quais R$ 5,6 bilhões são destinados ao diesel. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, estimou em cerca de R$ 40 bilhões o custo das medidas de alívio adotadas desde março até o fim de setembro. Esse desenho produz duas leituras simultâneas para os preços de mercado.
No curto prazo, a redução dos tributos pode amortecer o repasse da alta internacional do petróleo ao IPCA, preservar renda das famílias e aliviar custos de transporte e logística. Em sentido contrário, o custo fiscal e a ampliação da intervenção no mecanismo de formação de preços podem elevar o prêmio exigido nos juros longos e manter o câmbio sensível. Para a Petrobras, distribuidoras e empresas de etanol, a reação dependerá dos detalhes da execução e de como o mercado avaliará a diferença entre preço internacional, preço doméstico e compensação pública.
A proximidade da eleição presidencial aumenta a atenção sobre medidas com impacto direto no orçamento das famílias. Nesta edição, porém, não há nova pesquisa eleitoral incorporada: o dado político confirmado e capaz de mexer com os preços é o pacote de combustíveis. O mercado deverá testar se o alívio inflacionário de curto prazo pesa mais do que o custo fiscal e o risco de interferência.
Petróleo acima de US$ 101 mantém alerta de inflação
O Brent avançava 0,3%, a US$ 101,52 por barril, e o WTI ganhava 0,4%, a US$ 96,42, no início da manhã. O Brent já havia saltado 3,4% na quarta-feira e fechado a US$ 101,21. A nova onda de ataques entre Estados Unidos e Irã atingiu embarcações e voltou a restringir o tráfego pelo Estreito de Ormuz, rota decisiva para a oferta mundial de energia.
O efeito mais importante para os mercados é a combinação entre petróleo caro e juros longos em alta. Energia acima de US$ 100 pressiona custos, desafia a desaceleração da inflação e reduz o espaço dos bancos centrais para baixar juros. O rendimento do Treasury de dez anos estava em 4,8406%, depois de alcançar o maior nível desde 2023. O índice DXY, por sua vez, recuava para 98,73 pontos, mostrando que a alta dos rendimentos ainda não se transformou em fortalecimento uniforme do dólar.
| Ativo | Preço | Variação | Referência |
|---|---|---|---|
| Brent | US$ 101,52/barril | +0,3% | início da manhã |
| WTI | US$ 96,42/barril | +0,4% | início da manhã |
| Ouro à vista | US$ 4.412,84/onça | +0,3% | 23h34 de quarta |
| Cobre LME, 3 meses | US$ 14.812/t | +0,57% | overnight |
O ouro recebeu apoio do dólar mais fraco, embora os juros elevados limitem parte da procura defensiva. Já o cobre permaneceu perto de recordes: a oferta apertada fora dos Estados Unidos e a expectativa em torno de possíveis tarifas americanas continuam dominando o metal, apesar do risco de desaceleração associado ao petróleo caro.
Minério recua em Dalian e Singapura
O minério de ferro terminou a sessão chinesa em queda e também operava no vermelho em Singapura. A confirmação da direção nos dois mercados é relevante porque evita comparar um fechamento asiático com uma cotação antiga ou de outro vencimento.
| Contrato | Preço | Variação | Horário de Brasília |
|---|---|---|---|
| Dalian I2701, janeiro de 2027 | 730,5 yuans/t | -0,95% | 04h05, fechamento |
| Singapura FEF2610, outubro de 2026 | US$ 99,15/t | -0,31% | intradiário, corte da manhã |
Em Dalian, o contrato abriu a 731,5 yuans, tocou máxima de 735 e mínima de 727, ante ajuste anterior de 737,5 yuans. Em Singapura, o contrato de outubro recuava a US$ 99,15, contra ajuste anterior de US$ 99,46. A queda reduz o suporte externo para Vale e siderúrgicas, justamente quando os juros globais altos já diminuem o apetite por risco.
Ásia cai e Europa opera sem direção única
As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em baixa. O Nikkei 225 avançou 0,2%, mas o Kospi caiu 0,3%, o Hang Seng perdeu 1,3%, Xangai recuou 0,4%, o ASX 200 cedeu 1,2% e Taiwan caiu 0,5%. O petróleo, os juros longos e a cautela antes dos dados americanos pesaram mais do que focos isolados de alta.
Na Europa, o DAX caía 0,2%, o FTSE 100 perdia 0,2% e o CAC 40 subia 0,2% no início da sessão. O mercado aguarda a decisão do Banco Central Europeu às 09h15 de Brasília e a entrevista de Christine Lagarde às 09h45. A expectativa coletada pelo Financial Juice aponta aumento das taxas, com a taxa de depósito em 2,50% e a principal de refinanciamento em 2,65%.
Nos Estados Unidos, os futuros do S&P 500 subiam 0,2% e os do Dow Jones avançavam 0,4%. Na quarta-feira, o S&P 500 caiu 0,48%, o Dow recuou 0,8% e o Nasdaq perdeu 0,6%, em uma sessão na qual a alta do petróleo e dos Treasuries pressionou as avaliações das ações.
Dólar, juros e fechamento da B3
O Ibovespa fechou a quarta-feira em queda de 0,93%, aos 185.629,04 pontos, com volume financeiro de R$ 26,7 bilhões. Bancos e empresas ligadas à economia doméstica ficaram entre as pressões, enquanto a Petrobras recebeu suporte do petróleo. O dólar à vista subiu 0,44%, a R$ 5,1114; antes da abertura da B3 nesta manhã, uma referência eletrônica indicava R$ 5,104, praticamente estável.
Os juros futuros brasileiros avançaram na véspera, especialmente nos vencimentos mais longos, acompanhando Treasuries e petróleo. Hoje, a curva recebe vetores opostos: o corte de tributos reduz a inflação corrente, mas o custo fiscal do pacote pode adicionar prêmio. O PPI americano às 09h30 e o leilão do Treasury de 30 anos às 14h serão referências externas importantes.
Bitcoin cai, com saída nos ETFs; Ether tem captação
O Bitcoin era negociado a US$ 77.979, queda de 1,30%, e o Ether estava em US$ 2.469,41, baixa de 0,83%, às 07h18 de Brasília. Os fluxos dos ETFs spot americanos divergiram na quarta-feira: os produtos de Bitcoin registraram saída líquida de US$ 120,2 milhões, enquanto os fundos de Ether receberam US$ 34,7 milhões, segundo a Farside Investors.
A combinação de juros longos elevados e aversão a risco costuma reduzir a demanda por ativos de maior volatilidade. O fluxo mostra, entretanto, que a pressão não foi uniforme: houve resgate em Bitcoin e captação em Ether.
EWZ e ativos brasileiros em Nova York
O pré-mercado mostrava uma cesta brasileira dividida. Petrobras subia com o petróleo, enquanto EWZ, Vale, Itaú e Nubank recuavam. Os preços abaixo são indicações contra o fechamento anterior, com os horários convertidos para Brasília. A fonte não informou volumes e vários papéis ainda não tinham negociação; portanto, não se trata de confirmação da abertura da B3.
| Ativo | Preço | Variação | Último negócio |
|---|---|---|---|
| EWZ | US$ 38,07 | -1,37% | 05h44 |
| Vale | US$ 15,44 | -0,77% | 06h06 |
| Petrobras | US$ 20,93 | +0,50% | 06h41 |
| Petrobras A | US$ 18,99 | +0,64% | 06h54 |
| Itaú | US$ 8,08 | -2,77% | 05h00 |
| Nubank | US$ 15,00 | -2,22% | 06h53 |
| Bradesco | Sem negócio no pré-mercado | até 07h15 | |
| Ambev | Sem negócio no pré-mercado | até 07h15 | |
| Gerdau | Sem negócio no pré-mercado | até 07h15 | |
| CSN | Sem negócio no pré-mercado | até 07h15 | |
A leitura externa para a abertura é, portanto, mista com viés defensivo. O ganho da Petrobras pode oferecer sustentação ao índice, mas não compensa automaticamente a queda do minério, dos bancos e do EWZ.
Agenda econômica desta quinta-feira
| Horário de Brasília | Evento | Região |
|---|---|---|
| 09h00 | PIM Regional e Pesquisa Mensal de Serviços, ambas de julho | Brasil |
| 09h00 | Relatório mensal da Opep | Global |
| 09h15 | Decisão de juros do Banco Central Europeu | Zona do euro |
| 09h30 | PPI e pedidos de auxílio-desemprego | Estados Unidos |
| 09h45 | Entrevista de Christine Lagarde | Zona do euro |
| 11h00 | Vendas de imóveis usados e estoques no atacado | Estados Unidos |
| 13h00 | Estoques semanais de petróleo da EIA | Estados Unidos |
| 14h00 | Leilão do Treasury de 30 anos | Estados Unidos |
O consenso exibido pelo Financial Juice projeta alta de 5,3% no PPI americano em 12 meses, contra 4,7% anteriormente, e avanço mensal de 0,4%. Para o núcleo, a expectativa é de 4,6% em 12 meses. Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego são esperados em 205 mil. Às 13h, o relatório da EIA tem previsão de queda de 1,35 milhão de barris nos estoques de petróleo.
Leitura para Ibovespa, dólar e juros
Ibovespa: Petrobras e o possível alívio inflacionário do pacote de combustíveis oferecem suporte, mas minério em queda, EWZ negativo e juros americanos perto das máximas desde 2023 limitam o apetite. Serviços e indústria regional podem alterar a leitura sobre a atividade doméstica logo na abertura.
Dólar: o DXY mais fraco ajuda o real, enquanto petróleo caro, risco geopolítico e fluxo cambial negativo aumentam a procura por proteção. A avaliação fiscal do pacote e o PPI dos Estados Unidos devem definir o equilíbrio após a abertura.
Juros: o corte de tributos reduz a inflação observada no curto prazo, mas o custo de R$ 6,6 bilhões da nova rodada de subsídios e o petróleo acima de US$ 101 podem manter a parte longa pressionada. Uma surpresa de alta no PPI reforçaria esse risco; um dado abaixo do esperado abriria espaço para alívio.
Para acompanhar como o choque de energia já afetava os ativos na véspera, veja também o resumo do mercado de 9 de setembro.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Cotações podem mudar rapidamente e devem ser confirmadas antes de qualquer decisão financeira.