Mercado hoje: dólar forte testa a B3; petróleo abaixo de US$ 100 alivia bolsas

DXY em máxima de dois meses e Treasuries perto de 5% desafiam ativos brasileiros, enquanto petróleo abaixo de US$ 100, PMIs fortes na zona do euro e minério em leve alta definem a abertura.

Atualizado às 7h15 (horário de Brasília). O mercado desta quarta-feira, 23 de setembro de 2026, começa com forças opostas. O dólar alcança a máxima em dois meses e o juro do Treasury de dez anos segue encostado em 5%, combinação que costuma reduzir o apetite por ativos emergentes. Ao mesmo tempo, o petróleo opera abaixo de US$ 100 por barril, os PMIs da zona do euro surpreenderam positivamente e o minério de ferro encerrou a sessão chinesa com leve alta.

Para a B3, o desenho é misto: o recuo do WTI alivia a preocupação inflacionária global, mas também retira parte do suporte das ações de petróleo; o minério ajuda a Vale apenas de forma moderada; e o dólar forte mantém o câmbio e a curva de juros no centro das atenções. No Brasil, o fluxo cambial e uma nova pesquisa AtlasIntel esperada para hoje podem mexer com os preços ao longo do pregão.

Mercados globais às 7h15

AtivoReferênciaVariaçãoStatus
Futuro do S&P 500 (dez/26)7.834,75 pontos+0,04%Dado atrasado, 7h00
Futuro do Nasdaq 100 (dez/26)31.010,25 pontos-0,06%Dado atrasado, 7h00
Futuro do Dow Jones (dez/26)52.275 pontos-0,01%Dado atrasado, 7h00
Stoxx 600641,64 pontos-0,18%Tempo real, 7h10
Treasury de 10 anos4,956%+0,8 ponto-baseTempo real, 7h10
Treasury de 2 anos4,771%-0,6 ponto-baseTempo real, 7h10
DXY100,85 pontos+0,31%Tempo real, 7h10
USD/BRL indicativo no exteriorR$ 5,104cerca de +0,1%Antes da abertura local

Os futuros de Nova York oscilavam perto da estabilidade depois de o Nasdaq renovar recordes na véspera. O principal obstáculo continua no mercado de juros: o rendimento de dez anos permanece muito próximo de 5%, enquanto o DXY avança para a região de 100,85 pontos. A combinação reflete a expectativa de que o Federal Reserve possa manter a política monetária apertada por mais tempo. O mercado futuro atribuía probabilidade relevante a uma nova alta de juros ainda em outubro.

Na Europa, o Stoxx 600 devolveu a alta da abertura e passou a cair levemente, apesar dos PMIs melhores que o esperado. O PMI composto da zona do euro subiu para 53,1 em setembro, ante previsão de 51,7 e leitura anterior de 52,0. O índice de serviços marcou 53,0, acima da projeção de 51,4, e o industrial ficou em 52,7, praticamente em linha com o consenso. Na Alemanha, o PMI composto avançou a 53,8, bem acima dos 51,8 esperados. O Reino Unido destoou: seu PMI composto recuou a 51,7, abaixo da estimativa de 52,0.

Na Ásia, o índice MSCI da região fora do Japão avançava 0,7%, na sexta sessão consecutiva de alta. A Coreia do Sul subiu cerca de 1,2% e Taiwan ganhou 0,9%, apoiadas pelo setor de tecnologia. As blue chips chinesas ficaram perto da estabilidade. O mercado japonês permaneceu fechado por feriado, embora os futuros do Nikkei tenham indicado uma reabertura positiva.

Petróleo abaixo de US$ 100 e metais recuam

CommodityCotaçãoVariaçãoContrato e horário
BrentUS$ 99,38 por barril+0,13%Novembro/2026, 7h05
WTIUS$ 89,73 por barril-0,87%Referência contínua, 7h12
OuroUS$ 4.352,42 por onça-0,55%Dezembro/2026, 6h33
CobreUS$ 6,8223 por libra-0,20%Dezembro/2026, 7h12

O petróleo segue bem abaixo das máximas recentes. A Arábia Saudita retomou operações no oleoduto Leste-Oeste e pode voltar a exportar pelo porto de Yanbu, no Mar Vermelho, reduzindo parte do risco de oferta. Também houve sinais de avanço nas conversas entre Estados Unidos e Irã em Nova York, embora o conflito e as ameaças entre os dois países mantenham elevada a volatilidade.

O presidente chinês, Xi Jinping, viaja aos Estados Unidos, com o mercado atento à possibilidade de extensão da trégua comercial e de cooperação em inteligência artificial. Já o ouro e o cobre recuam diante do dólar mais forte e dos juros americanos elevados. O ouro permanece acima de US$ 4.300 por onça, mas perde força como proteção no curto prazo quando os rendimentos dos títulos sobem.

Minério de ferro: leve alta em Dalian e baixa em Singapura

PraçaContratoCotaçãoVariaçãoReferência
DalianContrato principal712,00 yuans por tonelada+0,07%Fechamento, 18h12 na China / 7h12 em Brasília
SingapuraTSI 62% setembro/2026 (FEF2609)US$ 96,85 por tonelada-0,21%Feed acessível com volume de cerca de 1 mil contratos

Em Dalian, o contrato principal terminou praticamente estável, a 712 yuans por tonelada, depois de oscilar entre 709 e 718,50 yuans. A comparação de +0,07% usa o fechamento anterior de 711,50 yuans informado pelo mesmo feed. Em Singapura, o contrato setembro do TSI 62%, que vence em 30 de setembro, recuava para US$ 96,85 por tonelada. As duas referências apontam um mercado sem direção única: compras de reposição antes do feriado chinês dão suporte, mas margens apertadas das siderúrgicas limitam a demanda.

Bitcoin e Ethereum recuam

O Bitcoin era negociado a US$ 85.845, queda de 0,07%, às 7h10. O Ethereum recuava 0,35%, a US$ 2.733,45. O movimento acompanha a cautela vista no dólar e nos juros americanos, apesar de o apetite por tecnologia continuar sustentando parte das bolsas globais.

EWZ e ADRs brasileiras no pré-mercado

AtivoPreçoVariação no pré-mercadoHorário em Brasília
EWZUS$ 38,17-0,24%7h03
Vale (VALE)US$ 14,12-0,49%6h43
Petrobras (PBR)US$ 20,78+0,10%6h52
Itaú Unibanco (ITUB)US$ 8,455+0,30%6h35
Bradesco (BBD)US$ 3,58+0,28%6h35

As variações foram comparadas exclusivamente com o fechamento regular de 22 de setembro. Como o pré-mercado ainda tinha liquidez reduzida, os números são indicativos e podem mudar rapidamente. O EWZ mostrava uma abertura mais fraca para o Brasil, em linha com o dólar forte. A Vale acompanhava a cautela com o minério, enquanto a Petrobras ficava perto da estabilidade mesmo com o WTI em baixa.

Brasil: fluxo cambial, Copom e pesquisa AtlasIntel

O Ibovespa encerrou a terça-feira em alta de 0,44%, aos 187.422,92 pontos. O dólar à vista fechou em R$ 5,103, queda de 0,11%. A ata do Copom manteve o tom cauteloso após o corte de 0,25 ponto percentual, que levou a Selic a 13,75% ao ano. A Secretaria de Política Econômica também reduziu a projeção de crescimento do PIB de 2026, de 2,3% para 2,0%, citando o efeito dos juros restritivos.

Na política, uma nova pesquisa nacional AtlasIntel é esperada para esta quarta-feira e pode produzir volatilidade em ações domésticas, dólar e juros. Até as 7h15, os resultados dessa nova rodada ainda não haviam sido publicados. Portanto, não há números inéditos a incorporar nesta edição. A última pesquisa nacional disponível, divulgada em 17 de setembro e registrada no TSE sob o protocolo BR-06221/2026, mostrava empate técnico no segundo turno: Flávio Bolsonaro tinha 47,2% e Lula, 46,8%, dentro da margem de erro.

A leitura eleitoral deve ser feita junto com o cenário fiscal e monetário, sem atribuir automaticamente cada oscilação da B3 a uma única pesquisa. Na edição de ontem, o mercado já havia reagido à ata do Copom e à pesquisa Quaest; hoje, o foco se desloca para o novo levantamento AtlasIntel e para o fluxo cambial.

Agenda econômica desta quarta-feira

  • 8h00 — Brasil: IPC-S da FGV.
  • 9h00 — Brasil: PNAD Contínua, com características adicionais do mercado de trabalho.
  • 9h30 — Brasil: participação de Nilton David, do Banco Central, em evento.
  • 10h45 — Estados Unidos: PMIs preliminares de indústria, serviços e composto. O consenso indica alguma desaceleração em relação a agosto.
  • 11h05 — Estados Unidos: discurso de Michael Barr, do Federal Reserve.
  • 11h30 — Estados Unidos: estoques semanais de petróleo da EIA. A expectativa é de queda de 690 mil barris no petróleo bruto.
  • 14h00 — Estados Unidos: leilão de Treasuries de cinco anos.
  • 14h30 — Brasil: fluxo cambial semanal do Banco Central, até 18 de setembro.

O que isso significa para Ibovespa, dólar e juros

Ibovespa: o sinal externo é misto. Petróleo abaixo de US$ 100 reduz o choque inflacionário global, mas limita o impulso para Petrobras. O minério praticamente estável em Dalian evita um sinal mais negativo para Vale. Em sentido contrário, o DXY forte, o juro americano próximo de 5% e a queda do EWZ no pré-mercado sugerem abertura seletiva e sensível a pesquisas eleitorais.

Dólar: a força global da moeda americana tende a dificultar uma nova valorização do real. O fluxo cambial das 14h30 será importante para mostrar se a entrada de recursos externos consegue compensar o ambiente internacional. A referência offshore perto de R$ 5,10 não substitui a cotação do mercado à vista, que abre mais tarde.

Juros: a ata cautelosa do Copom e o Treasury de dez anos em 4,956% mantêm pressão principalmente nos vencimentos longos. Uma pesquisa eleitoral com mudança relevante, um PMI americano acima do esperado ou uma surpresa nos estoques de petróleo podem alterar rapidamente a inclinação da curva.

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento.

Fontes

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