Mercado hoje: Datafolha e Treasuries acima de 5% testam a B3

Nova pesquisa Datafolha, Treasuries acima de 5% e IPCA-15 pautam a abertura da B3. Confira petróleo, minério, dólar, EWZ e ADRs com horários e fontes.

Atualizado às 07h10 (horário de Brasília), em 25 de setembro de 2026. A B3 chega à sexta-feira com três vetores em disputa: uma nova pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial, os juros longos dos Estados Unidos acima de 5% e a divulgação do IPCA-15. O petróleo ainda supera US$ 100 por barril, embora recue nesta manhã. O quadro sugere cautela na abertura, sem antecipar a direção efetiva do Ibovespa, do câmbio ou dos juros.

Datafolha entra na formação de preços

Levantamento divulgado na noite de quinta-feira (24) aponta Lula (PT) com 40% e Flávio Bolsonaro (PL) com 36% das intenções de voto no primeiro turno. Em uma simulação de segundo turno, os números são 47% a 45%, empate dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. A pesquisa ouviu 2.002 eleitores em 125 municípios nos dias 22 e 23 de setembro e foi registrada na Justiça Eleitoral como BR-00304/2026. Na rodada anterior, os dois marcavam 39% e 36% no primeiro turno. As oscilações não demonstram, por si só, mudança estatisticamente significativa.

Para o mercado, o ponto é acompanhar como expectativas eleitorais se traduzem em cenários fiscais, câmbio e curva de juros. Não há base para atribuir antecipadamente qualquer movimento da B3 a uma pesquisa isolada. A leitura se soma à edição de ontem, que discutiu a AtlasIntel e os juros americanos.

Juros dos EUA e petróleo: o pano de fundo externo

Em fotografia da manhã publicada pela Reuters, o Treasury de dez anos rendia perto de 5,19%, o de dois anos cerca de 4,90% e o de 30 anos, 5,48%. O índice DXY rondava 101,25 pontos. A alta das taxas americanas encarece o financiamento global e aumenta a competição pelos fluxos destinados a mercados emergentes. Comentários do presidente do Fed de Nova York, John Williams, acompanhados no Financial Juice nesta manhã, mantiveram a inflação e a transmissão de choques de oferta no centro da discussão.

Às 05h21 de Brasília, a Reuters apontava o Brent a US$ 106,20 por barril, recuo de 0,4%, e o WTI a US$ 93,59, queda de 1,1%. O mercado pondera relatos de negociações entre Estados Unidos e Irã sobre uma saída gradual para o conflito e o risco de interrupções de oferta após ataques na Arábia Saudita. Mesmo em baixa na sessão, o Brent permanece elevado o bastante para sustentar atenção à inflação.

Ásia, Europa, metais e criptoativos

No giro asiático observado pela Reuters, o Nikkei avançava cerca de 1%, enquanto Hong Kong recuava perto de 1% e a Austrália perdia aproximadamente 0,6%. Bolsas da China continental, de Taiwan e da Coreia do Sul não abriram por feriado. Na Europa, o Stoxx 600 e o DAX ensaiavam alta com o alívio intradiário do petróleo; os futuros de S&P 500 e Nasdaq apontavam ganhos modestos antes da abertura americana. São fotografias de horários distintos e podem mudar ao longo da manhã.

O minério exige cuidado especial hoje: Dalian não negocia nesta sexta-feira por causa do Festival do Meio do Outono. No último fechamento disponível, em 24 de setembro, a Shanghai Metals Market registrou o contrato mais negociado de minério de ferro em Dalian, com vencimento em janeiro de 2027, a 713,5 yuans por tonelada; em Singapura, o contrato mais ativo de minério 62% Fe ficou em US$ 95,75 por tonelada. Esses valores são referências de ontem, não cotações de hoje. Na LME, o cobre de três meses havia recuado a US$ 14.639,50/t na sessão de quinta-feira. O ouro à vista estava em torno de US$ 4.274,90/onça às 03h32 de Brasília, segundo a Reuters.

Em consulta indicativa por volta das 07h10, Bitcoin e Ethereum giravam perto de US$ 84,4 mil e US$ 2,69 mil, respectivamente. Criptoativos operam continuamente; os preços não são fechamento de bolsa e podem mudar rapidamente.

O que ficou em Nova York e na B3

Na sessão regular de quinta-feira (24), o ETF de Brasil EWZ encerrou perto de US$ 36,91, baixa de aproximadamente 1,2%. Os recibos de ações brasileiras também cederam: Vale (VALE) fechou a US$ 13,56, queda de 1,9%, e Petrobras (PBR) a US$ 20,84, baixa de 1,4%. São fechamentos de ontem em Nova York, não preços de pré-mercado desta sexta. Na B3, o Ibovespa terminou a quinta-feira em 183.965,91 pontos (-0,99%), e o dólar comercial fechou perto de R$ 5,19 (+0,48%).

Agenda e leitura para a abertura

  • 09h00 — Brasil: IPCA-15 de setembro, divulgado pelo IBGE. A composição entre alimentos, serviços e preços administrados pode alterar as expectativas para a Selic e os contratos de DI.
  • 09h30 — Estados Unidos: encomendas de bens duráveis de agosto.
  • 11h00 — Estados Unidos: leitura final da confiança do consumidor da Universidade de Michigan, inclusive expectativas de inflação.

O cenário condicional para a B3 combina risco global de juros e energia com notícia política doméstica. Juros longos americanos e dólar fortes tendem a pressionar ativos sensíveis ao custo de capital; petróleo mais alto pode beneficiar receitas de exportadoras, mas também elevar o risco inflacionário. Vale depende da referência do minério, cujo sinal doméstico ficará sem Dalian hoje. IPCA-15 abaixo ou acima do esperado poderá reordenar a curva de juros e afetar Ibovespa e USD/BRL após a divulgação. Este texto é informativo e não constitui recomendação de investimento.

Fontes

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