Mercado hoje: bolsas sobem após Fed e Copom; Atlas entra no radar

Bolsas e futuros avançam com petróleo em queda após Fed elevar os juros e Copom cortar a Selic; Atlas mostra empate entre Flávio e Lula.

Atualizado às 08h35 (horário de Brasília). O mercado desta quinta-feira, 17 de setembro de 2026, começa em recuperação no exterior depois de decisões de juros em direções opostas nos Estados Unidos e no Brasil. Os futuros de Nova York avançam, os Treasuries ganham e o petróleo devolve parte do prêmio de risco acumulado nas últimas semanas. No cenário doméstico, a reação ao corte da Selic e uma nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg colocam juros e eleições no centro do radar da B3.

O Federal Reserve elevou a taxa americana em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4,00%, e sinalizou que o aperto pode continuar. O Copom, por sua vez, reduziu a Selic em 0,25 ponto, para 13,75% ao ano, em decisão unânime, mas deixou os próximos passos em aberto. Nesta manhã, a queda do petróleo ajuda a aliviar a pressão inflacionária global e sustenta a alta das bolsas, enquanto a pesquisa Atlas mostra Flávio Bolsonaro e Lula tecnicamente empatados em um eventual segundo turno.

O que move o mercado hoje

  • Bolsas: futuros do S&P 500 subiam 0,83%, do Nasdaq 100 avançavam 1,08% e do Dow Jones ganhavam 0,80% perto das 08h23.
  • Juros: o Treasury de 10 anos recuava 5 pontos-base, para 4,97%, depois de o Fed elevar a taxa e indicar mais aperto à frente.
  • Petróleo: o Brent caía mais de 2% em direção a US$ 103 por barril às 08h22, segundo o Financial Juice.
  • Brasil: o Copom cortou a Selic para 13,75%, mas preservou uma comunicação cautelosa sobre as próximas reuniões.
  • Eleições: AtlasIntel/Bloomberg mostrou Flávio Bolsonaro com 47,2% e Lula com 46,8% no segundo turno, empate técnico pela margem de erro de 1 ponto percentual.

Bolsas reagem após Fed; Copom reduz a Selic

A alta de 0,25 ponto do Federal Reserve foi a primeira desde 2023 e levou a taxa básica americana para 3,75% a 4,00%. O gráfico de projeções do banco central aponta mais uma elevação neste ano e três aumentos ao longo dos próximos 12 meses. A mensagem é restritiva, mas a queda do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries abriu espaço para uma recuperação dos ativos de risco nesta manhã.

O rendimento do título americano de 10 anos recuava 5 pontos-base, para 4,97%, na atualização do Financial Juice das 08h22. O DXY operava praticamente estável a 100,24 pontos, queda de 0,01%, às 08h23. O comportamento combinado mostra que o mercado ainda digere a perspectiva de juros mais altos, mas reduz parte da proteção comprada durante a escalada recente do petróleo.

No Brasil, o Copom cortou a Selic em 0,25 ponto, para 13,75% ao ano, em decisão unânime. O comunicado não prometeu um novo corte e reforçou a necessidade de serenidade e cautela. Como o Fed subiu juros ao mesmo tempo em que o Banco Central brasileiro os reduziu, o diferencial entre os dois países ficou menor. Essa mudança pode limitar a queda do dólar e torna a curva de juros brasileira mais sensível à inflação, ao cenário fiscal e ao noticiário eleitoral.

O Banco da Inglaterra manteve a taxa em 3,75%, com seis votos pela manutenção e três por uma alta para 4,00%. A autoridade elevou a avaliação dos riscos inflacionários associados à energia e avisou que poderá apertar a política se o conflito no Oriente Médio produzir efeitos mais persistentes sobre preços e salários.

Dólar, real e criptomoedas

O dólar internacional contra o real rondava R$ 5,1568 às 08h25, alta indicativa de 0,14% em relação à referência anterior. A cotação ainda deve ser tratada com cautela antes de o mercado doméstico ganhar liquidez. De um lado, o diferencial de juros menor favorece a moeda americana; de outro, a queda do petróleo e a alta das bolsas globais melhoram o ambiente para ativos emergentes.

O Bitcoin era negociado a US$ 76.242,43, alta de 0,13%, e o Ethereum a US$ 2.430,77, avanço de 0,61%, às 08h33. As criptomoedas acompanham o alívio nos rendimentos longos, mas continuam expostas à sinalização mais dura do Fed para os próximos meses.

Petróleo recua e minério de ferro avança

O Brent caía mais de 2% em direção a US$ 103 por barril às 08h22. Em uma referência anterior da Reuters, às 07h00, o contrato era negociado a US$ 104,33, baixa de 1,42%, enquanto o WTI recuava 1,06%, para US$ 101,34. O movimento foi associado a sinais de que o risco imediato de interrupção da oferta no Oriente Médio perdeu força e a carregamentos adicionais da Arábia Saudita por rotas alternativas. O petróleo, porém, permanece acima de US$ 100, mantendo inflação e companhias do setor no centro das atenções.

Em Dalian, o contrato janeiro de 2027 do minério de ferro encerrou a sessão diurna a 710,5 yuans por tonelada, alta de 0,28% sobre o ajuste anterior de 708,5 yuans. Durante a sessão, a Reuters registrou 711 yuans e avanço de 0,35%. Em Singapura, o contrato de outubro subia 0,26%, a US$ 96,05 por tonelada, na referência das 22h37 de quarta-feira em Brasília. A recomposição de estoques chineses antes do feriado de 1º a 7 de outubro ofereceu suporte, enquanto margens fracas das siderúrgicas limitaram o movimento.

O ouro à vista avançava 1,05%, a US$ 4.316,58 por onça-troy, às 07h45, e caminhava para a primeira alta da semana. O cobre era negociado perto da estabilidade, a US$ 6,4315 por libra-peso, na referência das 07h00.

Ásia fecha mista; Europa e futuros dos EUA sobem

MercadoNívelVariação
Nikkei 22564.136,25+0,3%
Kospi6.715,41-0,1%
Hang Seng24.604,29-0,4%
Xangai Composto3.875,60-0,4%
Euro Stoxx 506.309,41+0,68%
DAX25.703,22+1,18%
CAC 408.172,11+1,01%
FTSE 10010.756,26+0,92%

Os índices asiáticos terminaram sem uma direção única, com o Japão no campo positivo e perdas moderadas em Hong Kong e na China continental. Na Europa, o petróleo mais baixo e a manutenção dos juros pelo Banco da Inglaterra favoreceram o avanço das bolsas, apesar da cautela com a inflação de energia.

Futuro dos EUANívelVariaçãoHorário de Brasília
S&P 5007.686,50+0,83%08h23
Nasdaq 10029.572,00+1,08%08h23
Dow Jones52.331+0,80%08h23

Os futuros recuperam parte da queda de quarta-feira, quando o S&P 500 recuou 1,4% após a decisão do Fed. A melhora desta manhã depende da continuidade do recuo do petróleo e dos dados americanos previstos para as 09h30.

EWZ e ativos brasileiros no pré-mercado

O EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado em Nova York, indicava alta de 0,48%, a US$ 37,6582, às 08h16. Vale avançava 1,84%, acompanhando o minério, enquanto as ações da Petrobras recuavam com o petróleo. As cotações abaixo são indicativas de pré-mercado e podem mudar rapidamente; o feed consultado não informou volume válido para essa referência.

AtivoPreçoVariação sobre o fechamentoHorário de Brasília
EWZUS$ 37,6582+0,48%08h16
Vale (VALE)US$ 14,39+1,84%08h27
Petrobras ON (PBR)US$ 20,80-0,53%08h17
Petrobras PN (PBR.A)US$ 18,82-0,37%08h10
Itaú (ITUB)US$ 8,290,00%08h14
Bradesco (BBD)US$ 3,51+0,29%08h19
Ambev (ABEV)US$ 2,984-0,20%08h10
Gerdau (GGB)US$ 5,03+0,80%08h04
CSN (SID)US$ 1,22+0,83%08h12
Nubank (NU)US$ 13,989+1,30%08h33

Atlas mostra Flávio e Lula em empate técnico

A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quinta-feira mostrou Flávio Bolsonaro com 47,2% e Lula com 46,8% em uma eventual disputa de segundo turno. A diferença de 0,4 ponto percentual está dentro da margem de erro de 1 ponto e, portanto, configura empate técnico. Na rodada de 10 de setembro, Flávio tinha 46,4% e Lula, 46,2%.

No primeiro turno, Lula aparece com 44,1%, Flávio Bolsonaro com 41,7% e Renan Santos com 5,1%. O levantamento ouviu 5.018 pessoas entre 11 e 16 de setembro pelo método de recrutamento digital aleatório, tem nível de confiança de 95% e registro BR-06221/2026 no Tribunal Superior Eleitoral.

O recuo de indecisos, brancos e nulos de 7,4% para 6,0% amplia a importância do dado para os preços, mas a oscilação entre as duas rodadas, isoladamente, não comprova uma mudança estatística. Para a B3, o efeito tende a aparecer por meio das expectativas sobre política fiscal, dívida pública, estatais e composição de governo. Ainda assim, juros globais, petróleo e o comunicado do Copom continuam sendo os vetores mais imediatos desta abertura.

Na edição de quarta-feira do Mercado Hoje, o foco estava nas decisões de Fed e Copom e na pesquisa CNT/MDA. A nova Atlas atualiza o quadro eleitoral observado pelo mercado nesta quinta-feira.

Agenda econômica desta quinta-feira

Horário de BrasíliaEventoLeitura para o mercado
08h00Banco da Inglaterrataxa mantida em 3,75%; votação 6 a 3
08h00IPC-S Capitais, 2ª quadrissemanaFGV IBRE
09h30Pedidos semanais de seguro-desemprego dos EUAtermômetro do mercado de trabalho após o Fed
09h30Fed da Filadélfiaatividade industrial de setembro
09h30Construção de casas e licenças nos EUAdados de agosto
14h00Leilão de TIPS de 10 anosdemanda por proteção contra inflação

No Brasil, o dia é dominado pela repercussão do corte da Selic, pelo comunicado do Copom e pela pesquisa Atlas. A ata da reunião do Banco Central será divulgada na terça-feira, 22 de setembro.

Leitura para Ibovespa, dólar e juros

Ibovespa: a alta das bolsas externas, o avanço do minério e o pré-mercado positivo de Vale oferecem suporte à abertura. A queda do petróleo, porém, pesa sobre Petrobras. O dado eleitoral pode elevar a volatilidade em estatais, bancos e ativos sensíveis ao risco fiscal.

Dólar: a redução do diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos favorece a moeda americana, enquanto o ambiente externo de maior apetite por risco atua na direção oposta. Dados dos EUA às 09h30 podem alterar rapidamente essa balança.

Juros: os vencimentos curtos reagem ao corte para 13,75% e à falta de compromisso com um novo movimento. A parte longa continua ligada ao Treasury de 10 anos perto de 5%, ao petróleo acima de US$ 100, ao fiscal e às pesquisas eleitorais.

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento.

Fontes

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