Mercado hoje: Treasuries pressionam bolsas; petróleo recua antes de sanções ao Irã

Treasuries longos permanecem elevados, bolsas asiáticas fecham em queda e petróleo recua antes de novas medidas dos EUA contra o Irã. Minério sobe na Ásia, enquanto EWZ e ADRs brasileiras mostram sinais mistos no pré-mercado.

Atualizado às 7h20 (horário de Brasília). Os mercados iniciam esta segunda-feira, 24 de agosto de 2026, sob pressão dos juros longos dos Estados Unidos e com cautela antes do anúncio de medidas mais duras de Washington contra o Irã. O petróleo recua, mas continua sujeito a uma reversão rápida, enquanto as bolsas asiáticas fecharam em queda e os futuros de Nova York operam no vermelho.

Para o Brasil, o quadro externo mistura dois vetores: Treasuries elevados e fraqueza das bolsas globais limitam o apetite por risco, mas a alta do minério de ferro oferece algum apoio aos papéis ligados a commodities. O Boletim Focus, a balança comercial parcial e as falas do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, completam o radar doméstico.

Mercado hoje: o que importa antes da abertura

  • O Treasury de 10 anos operava perto de 4,71%, após 4,73% na sexta-feira, enquanto o juro de 30 anos seguia na região de 5,25%.
  • Os futuros dos EUA recuavam, com o Nasdaq 100 sob pressão maior do que S&P 500 e Dow Jones.
  • O petróleo caía mais de 1%, antes da apresentação de novas medidas dos EUA contra o Irã, prevista para as 15h de Brasília.
  • O minério de ferro subiu tanto em Singapura quanto em Dalian; no mercado chinês, o contrato mais negociado avançou 1,27%.
  • O EWZ estava praticamente estável no pré-mercado, com volume ainda reduzido; as ADRs brasileiras exibiam sinais mistos.

Ásia fecha em baixa; Europa e futuros dos EUA ficam perto da estabilidade

As bolsas asiáticas encerraram a sessão no vermelho. O Kospi liderou as perdas, com queda de 3,12%, seguido pelo Hang Seng, que recuou 1,89%. No Japão, o Nikkei caiu 0,74%, e o índice de Xangai perdeu 0,59%. A combinação de juros longos elevados nos EUA, petróleo ainda caro e realização de lucros pesou sobre o sentimento.

MercadoNívelVariação
Nikkei 22565.528,09-0,74%
Kospi6.696,96-3,12%
Hang Seng25.517,33-1,89%
Xangai Composto3.882,01-0,59%
DAX26.153,31+0,06%
FTSE 10010.835,21+0,17%
CAC 408.483,20-0,01%
Futuro do S&P 5007.680,25-0,14%
Futuro do Nasdaq 10029.235,50-0,52%
Futuro do Dow Jones53.333-0,04%

Cotações intradiárias capturadas entre 7h10 e 7h20 de Brasília; os níveis podem mudar até a abertura da B3.

Treasuries voltam ao centro do risco

O rendimento do Treasury de 10 anos rondava 4,71% no começo da manhã, segundo a Associated Press. O título de 30 anos permanecia perto de 5,25%, região que mantém apertadas as condições financeiras e aumenta a taxa de desconto aplicada às ações de crescimento.

A agenda de emissões também merece atenção. O Tesouro dos EUA anunciou leilões de US$ 92 bilhões em letras de 13 semanas e de US$ 79 bilhões em letras de 26 semanas nesta segunda. As notas de dois, cinco e sete anos serão ofertadas entre terça e quinta-feira. Na sexta, os Treasuries já eram o principal freio ao apetite por risco, como mostrou o resumo anterior do Nerd da Bolsa.

O Financial Juice destaca, para a semana, a interação entre petróleo, títulos públicos, o índice PCE, o balanço da Nvidia e o discurso do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh. O PCE e o resultado da Nvidia saem na quarta-feira; Warsh fala em Jackson Hole na sexta.

Dólar, Bitcoin e Ethereum

O índice DXY avançava 0,18%, aos 98,98 pontos. No mercado eletrônico, antes da abertura oficial do câmbio brasileiro, o USD/BRL era indicado a R$ 5,1366, entre mínima de R$ 5,1220 e máxima de R$ 5,1435. A referência é indicativa e não substitui a cotação do dólar à vista negociado no Brasil.

Entre os criptoativos, o Bitcoin era cotado a aproximadamente US$ 77.913, alta de 0,24%, enquanto o Ethereum operava perto de US$ 2.479, avanço de 0,63%. Os movimentos eram moderados e não anulavam o tom defensivo visto nas bolsas.

Petróleo recua antes de anúncio dos EUA sobre o Irã

O Brent de primeiro vencimento caía 1,75%, a US$ 92,74 por barril, e o WTI para outubro recuava 2,34%, a US$ 85,02. A realização ocorre antes de uma entrevista coletiva do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, prevista para as 14h de Nova York — 15h em Brasília — sobre medidas econômicas mais duras contra o Irã.

O recuo reduz a pressão imediata sobre inflação e juros, mas o risco permanece assimétrico: restrições envolvendo compradores como China e Índia ou uma resposta iraniana podem reacender rapidamente o prêmio de risco. Esse é o principal evento geopolítico do dia, conforme o Morning Bid da Reuters.

Minério de ferro sobe em Singapura e Dalian

Em Singapura, o contrato de minério de ferro TSI para agosto era indicado a US$ 95,90 por tonelada, alta de 0,60%, com cerca de 2,4 mil contratos negociados. A cotação, consultada às 7h20, tinha atualização de referência às 3h50 de Brasília.

Na Bolsa de Commodities de Dalian, o contrato mais negociado, janeiro de 2027, encerrou a sessão diurna a 716 yuans por tonelada, avanço de 1,27% sobre o ajuste anterior de 707 yuans. O giro foi de 547.453 contratos. O movimento positivo também apareceu no complexo siderúrgico chinês, segundo a Shanghai Metals Market.

O ouro para dezembro subia 0,50%, a US$ 4.704,20 por onça-troy, e o cobre para setembro avançava 0,35%, a US$ 6,6100 por libra-peso. O ouro reflete a busca por proteção, enquanto o cobre acompanha a melhora pontual dos metais na China.

EWZ e ADRs brasileiras no pré-mercado

Às 7h18 de Brasília, o pré-mercado em Nova York ainda tinha pouca liquidez. O EWZ indicava abertura praticamente estável. Vale e Nubank avançavam levemente, Itaú recuava e Petrobras permanecia sem variação. Os dados abaixo devem ser lidos com cautela por causa dos volumes reduzidos.

AtivoFechamentoPré-mercadoVariaçãoVolume
EWZUS$ 35,06US$ 35,04-0,06%5.677
Vale (VALE)US$ 14,59US$ 14,61+0,14%5.615
Petrobras (PBR)US$ 19,15US$ 19,150,00%14.924
Petrobras PN (PBR.A)US$ 17,22——sem cotação consolidada
Itaú (ITUB)US$ 7,48US$ 7,45-0,40%5.083
Bradesco (BBD)US$ 3,11——104 negócios esparsos
Ambev (ABEV)US$ 2,88US$ 2,880,00%121
Gerdau (GGB)US$ 4,33US$ 4,35+0,46%527
CSN (SID)US$ 0,9772US$ 0,99+1,31%1.183
Nubank (NU)US$ 14,58US$ 14,6487+0,47%29.781

Fonte: páginas de pré-mercado da Nasdaq. Valores capturados entre 7h18 e 7h19 de Brasília; traços indicam ausência de cotação consolidada, não estabilidade.

Agenda econômica desta segunda-feira

Horário de BrasíliaEventoPaís
8h25Boletim FocusBrasil
9h30Índice de Atividade Nacional do Fed de Chicago — julhoEUA
11h00Pesquisa de Atividade Econômica do Fed de Chicago — agostoEUA
Durante o diaLeilões de letras do Tesouro de 13 e 26 semanasEUA
15h00–15h30Balança comercial semanalBrasil
15h00Anúncio do Tesouro dos EUA sobre medidas contra o IrãEUA

No Brasil, declarações de Gabriel Galípolo e o noticiário eleitoral também podem mexer com a curva de juros. Na frente comercial, o governo abriu o processo da Lei da Reciprocidade contra tarifas dos EUA. A abertura não representa retaliação imediata, mas mantém a incerteza para setores expostos ao comércio bilateral, conforme a Agência Brasil.

O que o cenário indica para Ibovespa, dólar e juros

Ibovespa: a abertura tende a encontrar resistência no exterior negativo e nos juros americanos elevados. A alta do minério pode oferecer sustentação às mineradoras, enquanto a queda do petróleo limita a contribuição de Petrobras. O fechamento de sexta-feira, aos 171.031 pontos, funciona como a referência imediata.

Dólar: o avanço do DXY e a cautela global criam viés de pressão sobre o real, embora a queda do petróleo e a valorização do minério tornem o sinal menos linear. O câmbio terminou a sexta-feira próximo de R$ 5,14, segundo a Agência Brasil.

Juros: Treasuries longos perto das máximas recentes podem pressionar os vencimentos longos da curva brasileira. Na parte curta, o mercado acompanha o Focus e as falas do Banco Central. Qualquer surpresa em inflação, fiscal ou comércio exterior pode ampliar os movimentos.

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Cotações intradiárias podem mudar rapidamente.

Fontes