
O mercado hoje começa com sinal misto para a B3. O petróleo sobe com a incerteza sobre a reabertura plena do Estreito de Ormuz e pode sustentar Petrobras, mas dados de atividade abaixo do esperado na China pesam sobre a leitura para minério de ferro e siderurgia. No Brasil, investidores aguardam o Boletim Focus e o IBC-Br de junho, enquanto acompanham o processo de reciprocidade comercial contra os Estados Unidos.
Resumo da manhã
- Petróleo: Brent a US$ 89,60 (+1,22%) e WTI a US$ 83,10 (+0,85%), às 7h05, com negociações sobre Ormuz ainda sem solução definitiva.
- China: produção industrial, vendas no varejo e investimento urbano vieram abaixo das projeções, apesar da alta das bolsas chinesas.
- Brasil: Focus previsto para 8h25 e IBC-Br de junho às 12h. A reação comercial aos EUA permanece no radar após a abertura do processo de reciprocidade.
- Nova York: futuro do S&P 500 +0,13%, Nasdaq 100 +0,49% e Dow Jones -0,16%.
- Câmbio: DXY recua 0,23%; o USD/BRL indicativo estava em R$ 5,2265.
- Termômetro do Brasil: EWZ indicava alta de 0,93%, mas sem volume registrado pelo provedor; o sinal deve ser tratado com cautela.
- Viés para o Ibovespa: misto, com apoio de petróleo e futuros de tecnologia, contraposto por China fraca, minério sem força e risco comercial.
Petróleo sobe com Ormuz ainda no centro do risco
O petróleo é o principal vetor da manhã. O Brent avançava 1,22%, a US$ 89,60 por barril, e o WTI ganhava 0,85%, a US$ 83,10, por volta de 7h05. O movimento reflete o prêmio geopolítico associado ao Estreito de Ormuz, rota essencial para o comércio global de energia.
O Irã informou que trabalha com Omã para finalizar uma declaração conjunta sobre o trânsito de navios pelo estreito. A sinalização abre espaço para uma solução logística, mas ainda não equivale à reabertura plena nem a um acordo de paz com os Estados Unidos. O Financial Juice também destacou que o fluxo de embarcações desacelerou no fim de semana após ataques a navios e falta de avanço nas negociações.
Para a B3, o canal mais direto é Petrobras: petróleo mais caro tende a apoiar as receitas da companhia. O efeito não é inteiramente positivo, porém. Se a alta se prolongar, combustíveis e fretes podem voltar a pressionar expectativas de inflação, o dólar e os juros futuros. O cenário-base para PETR3 e PETR4 é favorável na abertura, mas sujeito a notícias diplomáticas ao longo do dia.
China desacelera e limita a leitura para minério
Os dados chineses de julho vieram mais fracos do que o esperado. A produção industrial cresceu 4,5% em 12 meses, abaixo do consenso de 5,0% e dos 5,3% anteriores. As vendas no varejo avançaram apenas 0,6%, ante projeção de 1,5% e resultado anterior de 1,0%. O investimento urbano acumulado caiu 6,7%, pior do que a estimativa de queda de 6,2%, enquanto a taxa de desemprego subiu de 5,0% para 5,2%.
Apesar da perda de ritmo, Xangai e Hong Kong fecharam em alta, movimento compatível com a expectativa de novos estímulos. Para os ativos brasileiros, a leitura é menos confortável: demanda industrial mais fraca tende a limitar minério e aço, afetando a percepção sobre Vale, CSN e Gerdau.
O minério de ferro de setembro em Singapura operava a US$ 95,95 por tonelada, praticamente estável (-0,01%). Em Dalian, o contrato I2609 marcava 721,50 yuans por tonelada, cerca de 0,48% abaixo da referência anterior de 725 yuans. As cotações foram consultadas entre 7h05 e 7h15 e podem mudar durante a sessão.
Bolsas internacionais: Ásia sobe e Europa abre mista
Na Ásia, o Nikkei 225 avançou 0,66%, Hong Kong ganhou 1,34% e Xangai subiu 1,43%. O Japão informou crescimento de 0,3% do PIB no segundo trimestre ante os três meses anteriores, com consumo privado estagnado, o que mantém o debate sobre a força da recuperação.
Na Europa, o início do pregão era misto: FTSE 100 +0,03%, DAX -0,06% e CAC 40 -0,16%. Em Nova York, a tecnologia apresentava o melhor sinal, enquanto o Dow Jones recuava. O rendimento do Treasury de dez anos fechou a sexta-feira em 4,696%, patamar que continua alto e mantém pressão sobre ações de duração longa e mercados emergentes.
| Mercado | Nível | Variação | Status |
|---|---|---|---|
| Nikkei 225 | 69.169,66 | +0,66% | Fechado |
| Hang Seng | 25.453,23 | +1,34% | Fechado |
| Xangai | 3.983,29 | +1,43% | Fechado |
| FTSE 100 | 10.753,52 | +0,03% | Aberto |
| DAX | 26.423,32 | -0,06% | Aberto |
| CAC 40 | 8.623,35 | -0,16% | Aberto |
| Futuro S&P 500 | 7.815,25 | +0,13% | Em negociação |
| Futuro Nasdaq 100 | 30.290,75 | +0,49% | Em negociação |
| Futuro Dow Jones | 53.721 | -0,16% | Em negociação |
Dólar, ouro, cobre e criptomoedas
O DXY recuava 0,23%, a 99,436 pontos. A referência eletrônica do USD/BRL estava em R$ 5,2265 às 6h58, sem variação na comparação do provedor com o fechamento anterior. O dólar global mais fraco favorece o real, mas o risco geopolítico e a disputa comercial Brasil-EUA podem impedir uma apreciação mais firme.
O ouro subia 0,31%, a US$ 4.451,00 por onça-troy, enquanto o cobre avançava 1,14%, a US$ 6,6885 por libra. No mercado de criptoativos, o Bitcoin ganhava 0,68%, a US$ 63.259,98, e o Ethereum avançava 0,94%, a US$ 1.891,75. Os criptoativos acompanham o dólar mais fraco, embora juros americanos elevados continuem limitando o apetite por risco.
| Ativo | Cotação | Variação |
|---|---|---|
| Brent | US$ 89,60/barril | +1,22% |
| WTI | US$ 83,10/barril | +0,85% |
| Minério SGX set/26 | US$ 95,95/t | -0,01% |
| Minério Dalian set/26 | 721,50 yuans/t | -0,48%* |
| Ouro | US$ 4.451,00/onça | +0,31% |
| Cobre | US$ 6,6885/lb | +1,14% |
| Bitcoin | US$ 63.259,98 | +0,68% |
| Ethereum | US$ 1.891,75 | +0,94% |
EWZ e ativos brasileiros no pré-mercado
O EWZ indicava alta de 0,93%, mas o provedor não registrava volume. O mesmo ocorreu em vários ativos brasileiros, o que reduz a confiabilidade das variações antes da abertura. Por essa razão, os preços abaixo são apenas referências indicativas; “sem negociação” significa que não houve volume confirmado na consulta.
| Ativo | Preço indicativo | Variação | Volume | Leitura |
|---|---|---|---|---|
| EWZ | US$ 34,08 | +0,93% | Sem negociação | Positiva, baixa convicção |
| Vale (VALE) | US$ 13,75 | -0,36% | Sem negociação | Negativa |
| Petrobras PN (PBR) | US$ 17,88 | -0,06% | Sem negociação | Neutra |
| Petrobras ON (PBR.A) | US$ 16,20 | +0,43% | Sem negociação | Positiva |
| Itaú (ITUB) | US$ 7,47 | +1,77% | Sem negociação | Positiva |
| Bradesco (BBD) | US$ 3,17 | +0,62% | Sem negociação | Positiva |
| Ambev (ABEV) | US$ 2,90 | +2,13% | Sem negociação | Positiva |
| Gerdau (GGB) | US$ 4,71 | -1,87% | Sem negociação | Negativa |
| CSN (SID) | US$ 0,88 | -2,32% | Sem negociação | Negativa |
| Nu Holdings (NU) | US$ 15,29 | +9,76% | Sem negociação | Positiva, não confirmada |
Brasil: Focus, IBC-Br e reciprocidade com os EUA
O Boletim Focus está previsto para 8h25, depois da publicação desta matéria. O documento atualiza as medianas do mercado para inflação, PIB, câmbio e Selic. Às 12h, o Banco Central divulga o IBC-Br de junho, indicador que ajuda a medir o ritmo da atividade econômica no segundo trimestre. Resultados mais fracos podem reforçar apostas de cortes adicionais da Selic; surpresas fortes tendem a pressionar a curva de juros.
A política comercial também exige atenção. O governo brasileiro abriu o processo formal para avaliar medidas de reciprocidade contra tarifas impostas pelos Estados Unidos. A abertura do procedimento não significa aplicação imediata de novas tarifas: haverá análise técnica e espaço para negociação. Ainda assim, o tema pode aumentar o prêmio de risco do real e afetar empresas expostas a importações de insumos, tecnologia, serviços ou ao comércio bilateral.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, as medidas americanas de 25% e 12,5% alcançam, isolada ou cumulativamente, 23,1% das exportações brasileiras aos EUA; 52,7% seguem sem tarifas adicionais setoriais ou específicas contra o Brasil. O mercado deve diferenciar a ameaça de retaliação de uma medida efetivamente aprovada, evitando precificar como fato aquilo que ainda está em avaliação.
Calendário econômico desta segunda-feira
| Horário | País | Evento | Período | Consenso | Anterior | Impacto |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 8h25 | Brasil | Boletim Focus | Semanal | — | — | Médio |
| 9h30 | EUA | Empire State Manufacturing | Agosto | n/d | 15,6 | Alto |
| 11h | EUA | Índice de confiança NAHB | Agosto | n/d | 34 | Médio |
| 12h | Brasil | IBC-Br | Junho | n/d | +0,1% em maio | Alto |
| 17h | EUA | Fluxos de capital TIC | Junho | n/d | US$ 132,2 bi | Baixo |
Radar do próximo pregão: na terça-feira, os EUA divulgam preços de importação às 9h30, produção industrial às 10h15 e vendas pendentes de imóveis às 11h. Esses dados podem alterar a leitura sobre atividade, inflação e juros americanos.
Leitura para o Ibovespa, dólar e juros
O Ibovespa fechou a sexta-feira aos 166.934,20 pontos, queda de 0,10%. Para hoje, o cenário-base é de abertura mista, com suporte de Petrobras e pressão potencial sobre mineração e siderurgia. Bancos podem acompanhar o EWZ e as indicações positivas em Nova York, mas o volume inexistente no pré-mercado reduz a convicção.
O dólar tende a oscilar entre o DXY mais fraco e os riscos locais de atividade e comércio. Nos juros futuros, o IBC-Br e as novas projeções do Focus serão os principais gatilhos domésticos. O fator positivo é o apoio do petróleo às ações de maior peso; o principal risco é uma combinação de energia cara, inflação resistente e escalada comercial entre Brasil e Estados Unidos.
Leia também: Nubank dispara após lucro recorde e petróleo sobe.
Fontes
- Associated Press — bolsas globais em 17 de agosto
- Associated Press — negociações sobre o Estreito de Ormuz
- Financial Juice — notícias, China e geopolítica em tempo real
- Banco Central — Boletim Focus
- Federal Reserve de Nova York — Empire State Manufacturing
- MDIC — alcance das tarifas americanas
- CNN Brasil — processo de reciprocidade contra os EUA
- Tiger Brokers/SGX — minério de ferro set/26
- Yahoo Finance — futuros, câmbio, commodities e ativos brasileiros
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. Cotações de pré-mercado são indicativas, podem estar atrasadas e mudar rapidamente.