Nubank dispara 9% após lucro recorde; petróleo sobe

Nubank dispara no pré-mercado após lucro recorde, enquanto petróleo sobe e o Brasil abre processo de reciprocidade contra tarifas dos EUA. Futuros de Nova York ficam mistos e o dólar oscila perto de R$ 5,19.

Cartão bancário digital violeta em composição minimalista, representando o avanço do Nubank após lucro recorde

O mercado hoje começa com sinal moderadamente positivo para a B3, mas com riscos políticos e externos relevantes. As ações do Nubank saltam cerca de 9% no pré-mercado de Nova York após lucro recorde, o petróleo volta a subir e o EWZ avança. Ao mesmo tempo, o mercado monitora a abertura do processo brasileiro de reciprocidade contra tarifas dos Estados Unidos e a tensão no Estreito de Ormuz.

Resumo da manhã

  • Nubank: a ação NU sobe aproximadamente 9% no pré-mercado após a companhia registrar lucro líquido trimestral de US$ 1,1 bilhão e ROE de 33%.
  • Brasil e EUA: o governo brasileiro abriu o processo para avaliar contramedidas com base na Lei da Reciprocidade Econômica. Ainda não há tarifa de resposta definida nem aplicação imediata.
  • Petróleo: Brent a US$ 87,32 (+0,29%) e WTI a US$ 81,87 (+0,76%), com o risco de segurança no Estreito de Ormuz novamente no radar.
  • Nova York: futuros do S&P 500 +0,06%, Nasdaq 100 +0,14% e Dow Jones -0,12%.
  • Câmbio: DXY recua 0,24%, enquanto o dólar comercial indicativo oscila perto de R$ 5,19.
  • Agenda: não há indicador de primeira linha no Brasil ou nos Estados Unidos nesta sexta-feira; o foco doméstico seguinte é o IBC-Br de junho, na segunda-feira.
  • Viés de abertura: positivo, puxado por bancos digitais, petróleo e exterior mais leve, mas sujeito a volatilidade por causa da disputa comercial e do Oriente Médio.

Nubank dispara após lucro recorde

O principal destaque brasileiro antes da abertura é o Nubank. A Nu Holdings reportou lucro líquido de US$ 1,1 bilhão no segundo trimestre, primeira vez que o resultado supera a marca de US$ 1 bilhão. O avanço foi de 49% em relação ao mesmo período do ano anterior, com retorno sobre o patrimônio líquido de 33%.

A receita total em IFRS alcançou US$ 5,51 bilhões, ante US$ 3,67 bilhões um ano antes. A base cresceu em cerca de 4 milhões de clientes no trimestre, para 139 milhões, dos quais quase 118 milhões estão no Brasil. A carteira de crédito avançou 37% em 12 meses, para US$ 39,4 bilhões. O ponto de atenção foi a inadimplência acima de 90 dias, que subiu para 6,9%, embora a administração atribua parte do movimento à sazonalidade.

Por volta de 7h40, a ação NU avançava 8,97%, a US$ 15,18, no pré-mercado. O movimento tende a favorecer o segmento financeiro e ajuda a explicar a alta de 1,42% do EWZ, ETF que replica ações brasileiras em Nova York.

Brasil abre processo de reciprocidade contra os EUA

Outro tema que entra diretamente no preço dos ativos brasileiros é a relação comercial com os Estados Unidos. Segundo a Reuters, o governo abriu na quinta-feira o processo de reciprocidade contra as tarifas americanas. A iniciativa usa o marco da Lei nº 15.122, a Lei da Reciprocidade Econômica, que permite ao Brasil avaliar a suspensão de concessões comerciais, de investimentos e de obrigações ligadas à propriedade intelectual diante de medidas unilaterais que prejudiquem a competitividade do país.

É importante separar processo de decisão: não existe, por enquanto, uma tarifa brasileira nova já aplicada aos produtos dos EUA. A abertura formal cria espaço para análise técnica e negociação diplomática antes da escolha de eventuais contramedidas. Para o mercado, o risco está na possibilidade de uma escalada elevar custos de insumos importados, pressionar a inflação e afetar empresas expostas ao comércio bilateral.

O Ministério do Desenvolvimento estima que as medidas americanas de 25% e 12,5% alcançam, isolada ou cumulativamente, 23,1% das exportações brasileiras aos EUA. Máquinas e equipamentos, madeira, móveis, calçados, açúcar, óleos e alguns minérios estão entre os grupos atingidos. A maior parte das exportações, incluindo café, carnes, aeronaves e grande parte da celulose, permanece fora dessas sobretaxas específicas. Na B3, o tema recomenda atenção a exportadoras industriais, siderúrgicas, fabricantes de equipamentos e empresas dependentes de tecnologia, serviços ou propriedade intelectual americana.

Inflação dos EUA alivia juros, mas bolsas ficam mistas

O PPI americano de julho, divulgado na quinta-feira, desacelerou para 4,7% em 12 meses, abaixo dos 5,5% de junho e ligeiramente menor do que o consenso. A leitura reduziu o receio de uma nova alta de juros pelo Federal Reserve em setembro: a probabilidade implícita caiu para perto de 35%, segundo a Associated Press. O rendimento do Treasury de dez anos recuou para 4,65%.

Com esse alívio, o S&P 500 fechou a quinta-feira em recorde, aos 7.798,99 pontos, alta de 0,7%. O Nasdaq ganhou 0,8% e o Dow Jones subiu 0,1%. Na manhã desta sexta, porém, os futuros mostram pouca direção: tecnologia avança levemente, enquanto o Dow recua.

MercadoNívelVariação
Nikkei 22568.713,80+0,60%
Kospi6.977,94+2,42%
Hang Seng25.116,85-1,27%
Xangai3.927,18-0,49%
DAX26.478,11+0,68%
CAC 408.656,59+0,07%
FTSE 10010.764,12-0,08%
Futuro S&P 5007.827,00+0,06%
Futuro Nasdaq 10030.230,00+0,14%
Futuro Dow Jones53.872-0,12%
Cotações por volta de 7h30 (horário de Brasília). Mercados asiáticos encerrados; Europa e futuros americanos em negociação.

Petróleo volta a subir com Ormuz no radar

O petróleo recupera parte da queda de mais de 2% registrada na véspera. O Brent opera a US$ 87,32 e o WTI a US$ 81,87. A Financial Juice informou que um navio-tanque foi atingido por drone durante a saída pelo Estreito de Ormuz. A notícia recoloca o risco de interrupção logística no centro das negociações e tende a apoiar Petrobras, mas também pode reacender pressões inflacionárias se houver escalada.

No minério de ferro, o contrato de setembro negociado em Singapura sobe 0,47%, a US$ 95,95 por tonelada. Em Dalian, o vencimento de setembro encerrou perto de 724,50 yuans, avanço aproximado de 0,21% ante o ajuste anterior. O quadro é discretamente positivo para Vale, cuja ADR estava praticamente estável no pré-mercado.

AtivoCotaçãoVariação
BrentUS$ 87,32+0,29%
WTIUS$ 81,87+0,76%
Minério SGX set/26US$ 95,95/t+0,47%
Minério Dalian set/26724,50 yuans/t+0,21%*
OuroUS$ 4.406,40-0,32%
CobreUS$ 6,59/lb-0,33%
BitcoinUS$ 62.811,28-0,96%
EthereumUS$ 1.874,35-0,53%
*Variação aproximada ante o ajuste anterior. Dados indicativos coletados entre 7h30 e 7h41.

ADRs brasileiras no pré-mercado

A leitura dos ativos brasileiros em Nova York é positiva, com concentração em Nubank, Petrobras e EWZ. Os volumes informados pelo provedor ainda não são confiáveis neste horário; por isso, as variações devem ser tratadas como indicativas.

AtivoPreçoVariaçãoHorário (BRT)
EWZUS$ 34,25+1,42%6h56
Vale (VALE)US$ 13,81+0,07%7h11
Petrobras PN (PBR)US$ 18,21+1,78%7h10
Petrobras ON (PBR.A)US$ 16,19+0,37%6h56
Itaú (ITUB)US$ 7,37+0,41%6h59
Bradesco (BBD)US$ 3,17+0,63%7h24
Ambev (ABEV)US$ 2,840,00%6h45
Gerdau (GGB)US$ 4,79-0,21%5h24
CSN (SID)US$ 0,92+2,11%6h44
Nu Holdings (NU)US$ 15,18+8,97%7h41
Fonte de preços: Yahoo Finance. Variações indicativas ante o fechamento regular anterior.

Agenda econômica e radar

A agenda de sexta-feira não traz divulgação de primeira linha no Brasil nem nos Estados Unidos. Na Europa, o PIB da zona do euro cresceu 0,4% no trimestre e 1,0% em 12 meses, em linha com as projeções. A balança comercial do bloco registrou superávit de 8,6 bilhões de euros, sem ajuste sazonal.

QuandoPaísIndicadorReferência
HojeBrasil/EUASem indicador de primeira linha—
Segunda, 17/ago, manhãBrasilBoletim FocusExpectativas de mercado
Segunda, 17/ago, 12hBrasilIBC-BrJunho
Terça, 18/ago, 9h30EUAPreços de importação e exportaçãoJulho

O que pode mexer com o Ibovespa

O Ibovespa fechou a quinta-feira aos 167.101 pontos, queda de 0,23%. Para esta manhã, o sinal combinado de Nubank, EWZ e Petrobras favorece uma abertura positiva. O dólar global mais fraco também ajuda ativos emergentes, enquanto o minério estável a levemente positivo reduz a pressão sobre Vale.

Os principais riscos são uma piora no Estreito de Ormuz e o avanço da disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos. Uma resposta brasileira concentrada em bens importados poderia elevar custos locais; medidas em serviços ou propriedade intelectual teriam efeitos mais setoriais. Como nenhuma contramedida foi definida, a reação inicial tende a ocorrer mais pelo prêmio de risco e pelo câmbio do que por revisão imediata de lucros.

O cenário-base é de abertura positiva, mas com volatilidade. Bancos digitais e Petrobras partem com vantagem; exportadoras industriais e companhias expostas ao comércio com os EUA exigem leitura mais seletiva.

Leia também: Petróleo recua e limita a B3 antes do PPI dos EUA.

Fontes

Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. Cotações de pré-mercado são indicativas e podem mudar rapidamente.