Mercado hoje: Datafolha entra no radar; petróleo cai e minério sobe

Datafolha mantém Lula e Flávio Bolsonaro em empate técnico; petróleo recua, minério sobe e futuros de Nova York avançam nesta sexta-feira.

Atualizado às 07h27 (horário de Brasília). O mercado desta sexta-feira, 18 de setembro de 2026, começa com uma combinação favorável no exterior e mais sensível no Brasil. O petróleo recua pelo terceiro pregão seguido, os rendimentos dos Treasuries permanecem abaixo das máximas da semana e os futuros de Nova York avançam. Para a B3, porém, a alta do minério de ferro divide espaço com o risco fiscal e com o Datafolha divulgado depois do fechamento, que mostrou Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados nos cenários de primeiro e segundo turnos.

A leitura global é de alívio no prêmio de inflação, não de desaparecimento do risco. O Brent continua acima de US$ 100 por barril e o Federal Reserve sinalizou que pode voltar a elevar os juros. Na Ásia, o Banco do Japão subiu sua taxa de 1,00% para 1,25%, a maior em 31 anos. No Brasil, a pesquisa eleitoral e a repercussão do reajuste do Bolsa Família mantêm política fiscal, estatais, dólar e curva de juros no centro das atenções.

O que move o mercado hoje

  • Eleições: o Datafolha mostrou Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 36% no primeiro turno; no segundo, o placar foi de 46% a 44%. Os dois cenários configuram empate técnico pela margem de erro de 2 pontos percentuais.
  • Petróleo: o Brent novembro recuava para US$ 103,67 e o WTI outubro para US$ 101,04 na referência das 02h20, com o mercado reagindo à expectativa de retomada parcial do oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita e a rotas alternativas de exportação.
  • Minério: Dalian encerrou a sessão diurna em alta, e o contrato outubro em Singapura avançava 0,93%, reforçando o suporte para Vale.
  • Bolsas: Ásia fechou majoritariamente em alta e os futuros dos Estados Unidos operavam no positivo; a Europa recuava.
  • Juros: o Treasury de 2 anos estava abaixo de 4,69% e o de 10 anos perto de 4,94%, depois do alívio observado na quinta-feira.

Datafolha aperta a disputa presidencial

Divulgado às 19h05 de quinta-feira, depois do fechamento da B3, o novo Datafolha mostrou Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 36% no principal cenário de primeiro turno. A distância caiu de 4 para 3 pontos em uma semana e é a menor da disputa, segundo o instituto. Augusto Cury aparece com 6%, Ronaldo Caiado com 4%, Renan Santos com 3% e Romeu Zema com 2%.

No segundo turno, Lula tem 46% e Flávio, 44%, repetindo o empate técnico da rodada anterior. O Datafolha entrevistou 2.002 pessoas em 125 municípios entre os dias 15 e 17 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, o nível de confiança é de 95% e o levantamento, contratado por Folha de S.Paulo e TV Globo, está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04029/2026.

Para o mercado, o dado é relevante porque chegou após um pregão já marcado por forte oscilação fiscal. Na quinta-feira, o Ibovespa chegou a cair 1,2% depois do anúncio de reajuste de 15% no Bolsa Família, com custo estimado pelo governo em R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22 bilhões em 2027, mas recuperou-se com Vale e Wall Street e fechou em alta de 0,24%, aos 185.992,03 pontos. O Datafolha mantém a eleição competitiva e tende a preservar a volatilidade em estatais, bancos, dólar e juros longos, sem determinar sozinho a direção da sessão.

Wall Street avança e Treasuries mantêm o alívio

Os futuros americanos operavam em alta moderada às 07h14. O contrato do S&P 500 avançava 0,14%, o do Nasdaq 100 subia 0,37% e o do Dow Jones ganhava 0,04% em relação às referências anteriores do próprio vencimento. Na quinta-feira, o S&P 500 subiu 1,14%, o Nasdaq Composite avançou 1,69% e o Dow Jones ganhou 0,61%, em uma sessão favorecida pelo recuo do petróleo e dos rendimentos dos títulos públicos.

O Treasury de 10 anos rondava 4,94% na manhã desta sexta-feira, depois de fechar a quinta em 4,93%, ante 5,01% na quarta. O rendimento de 2 anos era negociado abaixo de 4,69%, após ter alcançado 4,74% na reação inicial ao Federal Reserve. A queda dos juros longos reduz a taxa de desconto usada na avaliação das ações, mas o mercado continua atento à possibilidade de novo aperto monetário nos Estados Unidos.

O DXY, que mede o dólar contra uma cesta de moedas, estava em 100,36 pontos, alta de 0,11%, às 07h14. O USD/BRL indicava R$ 5,1419, avanço de 0,34% sobre a referência anterior, às 06h58. Antes da abertura do mercado brasileiro, a cotação do real ainda tem liquidez menor e deve ser tratada como indicativa.

Bitcoin e Ethereum acompanham o apetite por risco

O Bitcoin era negociado a US$ 78.118,67, alta de 2,24%, e o Ethereum a US$ 2.509,92, avanço de 2,57%, às 07h24. A recuperação acompanha a melhora dos ativos de risco e o recuo dos rendimentos dos Treasuries, embora as criptomoedas permaneçam sensíveis à sinalização de juros do Fed.

Petróleo recua; minério sobe em Dalian e Singapura

O petróleo estendia as perdas pelo terceiro pregão consecutivo. Às 02h20, o contrato novembro do Brent era negociado a US$ 103,67 por barril, queda de US$ 1,15, enquanto o WTI outubro recuava US$ 0,87, a US$ 101,04. A expectativa de retomada parcial do oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita em poucos dias e o uso de rotas alternativas reduziram o temor imediato de falta de oferta. O risco geopolítico, porém, continua elevado e os dois contratos permanecem acima de US$ 100.

Em Dalian, o contrato janeiro de 2027 do minério de ferro encerrou a sessão diurna a 715,5 yuans por tonelada, alta de 0,70% sobre o ajuste anterior de 710,5 yuans. O ajuste do próprio dia ficou em 714,0 yuans, avanço de 0,49%. Em Singapura, o contrato outubro de 2026 do minério de 62% era negociado a US$ 97,25 por tonelada, alta de 0,93% sobre o fechamento anterior de US$ 96,35. A recomposição de estoques antes do feriado chinês de outubro continua oferecendo suporte, enquanto margens fracas das siderúrgicas limitam o otimismo.

O ouro futuro era cotado a US$ 4.419,20 por onça-troy, alta de 0,44%, às 07h14. O cobre futuro recuava 0,18%, a US$ 6,6495 por libra-peso, no mesmo horário. O ouro encontra suporte nos Treasuries mais baixos, enquanto o cobre alterna entre o melhor desempenho das bolsas asiáticas e dúvidas sobre a demanda industrial.

Ásia sobe após decisão do Banco do Japão

MercadoNívelVariação
Nikkei 22565.200,24+1,66%
Kospi6.894,23+2,62%
Hang Seng24.750,78+0,15%
Xangai Composto3.914,35+1,00%

O Banco do Japão elevou sua taxa básica de 1,00% para 1,25%, no maior nível em 31 anos, em decisão dividida por 7 votos a 2. A alta era amplamente esperada. O avanço das bolsas asiáticas também refletiu o fechamento forte de Wall Street e a redução do preço do petróleo, que alivia a pressão sobre países importadores de energia.

Europa recua; futuros dos EUA ficam no positivo

MercadoNívelVariaçãoHorário de Brasília
Euro Stoxx 506.273,30-0,78%07h10
DAX25.537,53-0,70%07h10
FTSE 10010.745,40-0,65%07h10
CAC 408.130,50-0,69%07h10

As bolsas europeias recuavam no início da sessão, apesar do petróleo mais baixo. Dados da manhã mostraram vendas no varejo do Reino Unido acima do esperado, enquanto o índice de preços ao produtor da Alemanha acelerou mais que o consenso.

Futuro dos EUANívelVariaçãoHorário de Brasília
S&P 5007.718,00+0,14%07h14
Nasdaq 10029.853,50+0,37%07h14
Dow Jones52.242+0,04%07h14

EWZ e ativos brasileiros em Nova York

O EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado em Nova York, indicava alta de 0,16%, a US$ 37,54, às 07h10. Vale aparecia com avanço de 2,05%, coerente com a alta do minério, enquanto Petrobras e Itaú estavam perto da estabilidade. As referências abaixo são indicativas de pré-mercado: o feed consultado ainda não informava volume válido, o que reduz a confiabilidade de oscilações isoladas antes da abertura.

AtivoPreçoVariação sobre o fechamentoHorário de Brasília
EWZUS$ 37,54+0,16%07h10
Vale (VALE)US$ 14,42+2,05%06h27
Petrobras ON (PBR)US$ 20,910,00%07h12
Itaú (ITUB)US$ 8,290,00%06h25
Nubank (NU)US$ 13,91+0,72%07h00

Agenda econômica desta sexta-feira

Horário de BrasíliaEventoReferência
10h15Produção industrial dos EUAconsenso de +0,3% em agosto; anterior de +0,2%
10h15Utilização da capacidade nos EUAconsenso de 76,4%; anterior de 76,3%
10h30Michelle Bowman, do Federal Reservediscurso após a alta de juros
11h00Índice de Indicadores Antecedentes dos EUAconsenso de +0,1%; anterior de +0,2%
12h45Jeff Schmid, do Federal Reservediscurso
14h00Contagem de plataformas da Baker Hughesatividade no setor de energia
17h00Vencimento mensal e quádruplo de derivativos nos EUApode ampliar o volume e a volatilidade

No Brasil, não há divulgação doméstica de primeira linha prevista para a manhã. O mercado acompanha a repercussão do Copom, o Datafolha e o debate fiscal. Nos Estados Unidos, a produção industrial é o principal dado do dia e pode alterar dólar, Treasuries e futuros pouco antes da abertura de Nova York.

Leitura para Ibovespa, dólar e juros

Ibovespa: o avanço do minério e a indicação positiva de Vale em Nova York oferecem suporte, enquanto a queda do petróleo tende a limitar Petrobras. O exterior melhor e o EWZ no positivo ajudam, mas o Datafolha e o risco fiscal mantêm a volatilidade doméstica elevada. Na edição anterior do Mercado Hoje, a B3 já abriu sob o efeito de Fed, Copom e Atlas; o novo Datafolha atualiza o componente político depois do fechamento.

Dólar: o petróleo mais baixo e as bolsas globais em alta favorecem moedas emergentes, mas o diferencial de juros menor entre Brasil e Estados Unidos e a incerteza fiscal trabalham na direção oposta. A produção industrial americana pode redefinir o sinal ainda pela manhã.

Juros: os vencimentos curtos continuam digerindo a Selic a 13,75%, enquanto a parte longa responde ao fiscal, à eleição, ao petróleo e ao Treasury de 10 anos perto de 4,94%. Qualquer surpresa na produção industrial dos EUA ou nas pesquisas pode ampliar a inclinação da curva.

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento.

Fontes

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