Mercado hoje: IPCA e CPI dos EUA testam juros e B3

Inflação no Brasil e nos EUA, petróleo ainda acima de US$ 100 e nova pesquisa AtlasIntel dividem o radar. Veja os sinais para B3, dólar e juros.

Balança metálica equilibra uma cesta de alimentos e moedas entre paisagens do Brasil e dos Estados Unidos.
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

Atualização às 07h15 de Brasília: o mercado chega à sexta-feira com dois testes decisivos de inflação. O IPCA de agosto sai às 09h e o CPI dos Estados Unidos, às 09h30. As divulgações podem recalibrar juros, dólar e ações depois de o petróleo superar US$ 108 na véspera, o PPI americano acelerar e o Banco Central Europeu elevar suas taxas. O minério de ferro caiu mais de 1% em Dalian e Singapura, enquanto o pré-mercado dos ativos brasileiros em Nova York mostrava sinal misto.

Resumo do mercado

  • O consenso consultado espera deflação de 0,23% no IPCA de agosto, após alta de 0,07% em julho. Nos Estados Unidos, o CPI é esperado em 0,4% no mês e 3,4% em 12 meses.
  • O Treasury de dez anos rondava 4,94% e o DXY avançava 0,08%, a 99,13 pontos, após o PPI americano subir 5,4% em 12 meses.
  • O Brent recuava 3,4%, a US$ 103,97, e o WTI caía 3,0%, a US$ 99,36, mas o choque de energia continuava no centro da inflação global.
  • O minério fechou a 718 yuans por tonelada em Dalian, queda de 1,78%, e operava a US$ 96,50 em Singapura, baixa de 1,72%.
  • Na Ásia, os principais índices caíram; Europa e futuros dos Estados Unidos subiam na manhã, antes do CPI.
  • Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula em um cenário de segundo turno e acrescentou um vetor político ao prêmio dos ativos domésticos.

IPCA e CPI colocam juros no centro do pregão

O IBGE divulga às 09h o IPCA de agosto. A mediana mais recente consultada aponta queda de 0,23% no mês, depois da alta de 0,07% em julho, quando a inflação acumulada em 12 meses ficou em 4,44%. Uma leitura negativa é esperada em razão de efeitos temporários, entre eles a energia, mas a composição será tão importante quanto o número cheio: serviços, núcleos e difusão mostrarão se o processo de desinflação é suficientemente amplo para sustentar novos cortes da Selic.

Às 09h30, o Bureau of Labor Statistics publica o CPI americano de agosto. O calendário e as medianas exibidos pelo Financial Juice indicam expectativa de 0,4% no mês e 3,4% em 12 meses. Para o núcleo, que exclui alimentos e energia, as projeções são de 0,2% no mês e 2,4% em 12 meses.

O ponto de partida é mais duro depois do PPI divulgado na quinta-feira: os preços ao produtor subiram 0,4% no mês e 5,4% em 12 meses, com alta de 4,2% em energia. Uma surpresa para cima no CPI pode manter o rendimento dos Treasuries elevado e pressionar ações de crescimento, moedas emergentes e cripto. Um resultado abaixo das previsões tende a aliviar esse canal, embora o petróleo acima de US$ 100 limite a leitura mais benigna.

Treasuries, dólar e petróleo mantêm o cenário defensivo

O rendimento do Treasury de dez anos rondava 4,94% no início da manhã, depois de fechar a quinta-feira perto desse nível. O DXY, que mede o dólar contra uma cesta de moedas fortes, subia 0,08%, a 99,13 pontos, às 07h02. A combinação de inflação no atacado, petróleo caro e política monetária mais restritiva na Europa elevou o custo global do dinheiro.

Na quinta-feira, o Banco Central Europeu aumentou suas três taxas em 0,25 ponto percentual. A taxa de depósito foi para 2,50%, a de refinanciamento para 2,65% e a de empréstimo marginal para 2,90%. Nesta manhã, dados britânicos melhores do que o esperado — incluindo crescimento de 0,4% do PIB no mês e 1,6% em 12 meses — ajudavam as bolsas europeias, mas também reforçavam a atenção sobre inflação e juros.

O Brent recuava 3,4%, a US$ 103,97 por barril, e o WTI caía 3,0%, a US$ 99,36, por volta das 07h02. O movimento devolvia parte do salto da véspera, quando o Brent chegou a superar US$ 108 e fechou a US$ 107,63. A queda desta manhã não elimina o choque: segundo a Associated Press, o fluxo pelo Estreito de Ormuz permanecia muito abaixo do período anterior à guerra, mantendo riscos para oferta, diesel, inflação e atividade.

AtivoPreçoVariaçãoReferência
BrentUS$ 103,97/barril-3,40%07h02
WTIUS$ 99,36/barril-3,04%07h02
Ouro futuroUS$ 4.389,90/onça-0,39%07h02
Cobre futuroUS$ 6,548/libraestável07h02

Para a B3, o petróleo ainda favorece a receita da Petrobras, mas sua queda no pré-mercado reduz parte do impulso observado na quinta-feira. Ouro em baixa e cobre praticamente estável mostram que a cautela não se transformou em uma corrida uniforme por proteção: o CPI tende a decidir o próximo movimento dos juros reais e do dólar.

Minério cai mais de 1% em Dalian e Singapura

O minério de ferro apresentou sinal negativo consistente nas duas principais referências internacionais. Em Dalian, o contrato janeiro de 2027 (I2701) fechou a 718 yuans por tonelada, queda de 1,78% contra o ajuste anterior de 731 yuans. O contrato abriu a 724,5, marcou máxima de 727,5 e mínima de 713,5 yuans, segundo o feed da Sina Futures, com fechamento às 04h05 de Brasília.

Em Singapura, o contrato outubro de 2026 (FEF2610) era negociado a US$ 96,50 por tonelada, baixa de 1,72%, às 06h51. A referência havia aberto a US$ 98,20, tocado mínima de US$ 96,35 e tinha ajuste anterior de US$ 98,19, com volume de 83,92 mil contratos, de acordo com a Tiger Brokers.

ContratoPreçoVariaçãoReferência de Brasília
Dalian I2701, janeiro de 2027718 yuans/t-1,78%04h05, fechamento
Singapura FEF2610, outubro de 2026US$ 96,50/t-1,72%06h51, intradiário

A baixa simultânea reduz o apoio externo para Vale e siderúrgicas. O impacto sobre a B3 deve ser lido em conjunto com o câmbio, o petróleo e a pesquisa eleitoral: minério mais fraco pesa sobre exportadoras, enquanto um real mais firme e menor prêmio político podem beneficiar empresas domésticas.

Ásia cai; Europa e futuros americanos avançam

As bolsas asiáticas fecharam em queda, acompanhando a pressão da véspera em Wall Street. O Nikkei 225 perdeu 1,9%, o Kospi caiu 1,8%, o Hang Seng recuou cerca de 0,6%, Xangai cedeu 1,2%, o ASX 200 baixou 0,9% e Taiwan caiu 1,6%. O petróleo, os juros longos e a cautela antes da inflação americana dominaram a sessão.

Na Europa, a direção era positiva: DAX subia 0,64%, FTSE 100 avançava 0,46% e CAC 40 ganhava 0,54% por volta das 06h57. Nos Estados Unidos, os futuros do S&P 500 avançavam 0,58%, os do Nasdaq 100 subiam 0,65% e os do Dow Jones ganhavam 0,57% às 07h02.

O sinal antecede um evento capaz de inverter o movimento. Na quinta-feira, o S&P 500 caiu 0,6%, o Dow recuou 0,6% e o Nasdaq perdeu 0,7%, sob o peso do petróleo e dos Treasuries. Portanto, a alta dos futuros é uma indicação de pré-mercado, não uma confirmação para o fechamento.

Dólar e fechamento da B3

O Ibovespa encerrou a quinta-feira com alta de 1,42%, aos 188.268,59 pontos, enquanto o dólar comercial caiu 0,19%, a R$ 5,1027, segundo o fechamento de mercado. Bancos e Petrobras ajudaram o índice, em uma sessão que combinou preço elevado do petróleo, decisão do BCE e nova pesquisa eleitoral.

Às 06h58 desta sexta-feira, uma referência eletrônica do USD/BRL indicava R$ 5,0949, abaixo do fechamento comercial anterior. O DXY ligeiramente mais forte e os Treasuries perto de 4,94% restringiam o espaço para valorização do real, enquanto a pesquisa eleitoral e a expectativa de IPCA negativo atuavam no sentido oposto. A abertura dos juros futuros deve refletir essa disputa, com o CPI americano funcionando como principal gatilho externo.

Pesquisa AtlasIntel acrescenta vetor político aos preços

A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada na quinta-feira mostrou Flávio Bolsonaro com 46,4% e Luiz Inácio Lula da Silva com 46,2% em um eventual segundo turno. A diferença de 0,2 ponto percentual está dentro da margem de erro de um ponto, portanto o resultado representa empate técnico — e não liderança estatisticamente confirmada.

DivulgaçãoInstitutoCampoAmostraMétodoCenárioResultadoMargemConfiançaRegistro TSEContratante
10/09AtlasIntel/Bloomberg4 a 9/095.000Atlas RDR, recrutamento digital aleatório2º turno: Flávio Bolsonaro x Lula46,4% x 46,2%; 7,4% brancos, nulos ou indecisos±1 p.p.95%BR-01452/2026Recursos próprios do instituto

Na rodada anterior do mesmo instituto, Lula tinha 47,1% e Flávio, 42,6%. Agora, Flávio avançou 3,8 pontos e Lula oscilou 0,9 ponto para baixo. No primeiro turno, Lula marcou 43% e Flávio 37,4%, ante 34% na rodada anterior. O levantamento é um retrato do período de campo, não uma previsão da eleição; seus números também não permitem atribuir automaticamente a mudança a acontecimentos políticos específicos.

O canal para o mercado passa pelas expectativas sobre política fiscal, estatais, regulação e capacidade de aprovação no Congresso. Uma disputa percebida como mais competitiva pode reduzir ou elevar o prêmio de risco conforme os investidores reavaliem programas econômicos e governabilidade. A alta do Ibovespa e a queda do dólar na quinta-feira são compatíveis com menor prêmio doméstico, mas também ocorreram junto de petróleo alto, ganhos em bancos e outros fatores; por isso, não há base para atribuir todo o movimento à pesquisa.

Bitcoin e Ether sob pressão dos fluxos de ETFs

O Bitcoin era negociado perto de US$ 77.062 e o Ether a US$ 2.468 às 07h12. Ambos operavam no campo positivo na janela diária do provedor, mas os fluxos institucionais da quinta-feira foram negativos: os ETFs spot americanos de Bitcoin registraram saída líquida de US$ 282,7 milhões e os produtos de Ether tiveram resgate de US$ 29,9 milhões, segundo a Farside Investors.

O CPI americano é o evento dominante para cripto. Inflação acima do esperado pode elevar juros reais e pressionar ativos de maior volatilidade; abaixo das projeções, tende a favorecer alívio. Os fluxos negativos dos ETFs, contudo, mostram que a demanda institucional começou o dia com menos suporte.

EWZ e ativos brasileiros em Nova York

O pré-mercado era misto às 07h15. As variações abaixo foram calculadas contra o fechamento regular de quinta-feira, evitando comparar o negócio de hoje com o pregão de quarta-feira. O feed não informou volume útil e alguns preços resultam de poucos negócios; portanto, o sinal é preliminar e não confirma a abertura da B3.

AtivoCódigo em NYPreço pré-marketVariaçãoVolumeLeitura para a B3
ETF BrasilEWZUS$ 38,95+1,01%não informado; último negócio 05h01positivo, baixa liquidez
ValeVALEUS$ 15,25-0,20%não informado; 06h07negativo, em linha com minério
PetrobrasPBRUS$ 21,05-1,54%não informado; 07h06negativo, petróleo devolve alta
Petrobras APBR.AUS$ 19,10-0,62%não informado; 05h01negativo, baixa liquidez
ItaúITUBsem negociação——neutro
BradescoBBDsem negociação——neutro
AmbevABEVsem negociação——neutro
GerdauGGBsem negociação——neutro
CSNSIDsem negociação——neutro
NubankNUUS$ 15,11+0,60%não informado; 05h39positivo, baixa liquidez

O EWZ positivo contrasta com Vale e Petrobras no vermelho. Somado aos futuros americanos em alta, à pesquisa eleitoral e ao IPCA esperado em queda, o quadro sugere apetite seletivo por ativos domésticos; petróleo e minério reduzem o suporte das grandes exportadoras.

Agenda econômica desta sexta-feira

HorárioPaísEventoPeríodoConsensoAnteriorImpacto
09h00BrasilIPCA, INPC e SinapiagostoIPCA -0,23%+0,07%; 4,44% em 12 mesesmuito alto
09h30Estados UnidosCPIagosto+0,4% mês; +3,4% ano+0,1% mês; +3,4% anomuito alto
09h30Estados UnidosCPI núcleoagosto+0,2% mês; +2,4% ano+0,2% mês; +2,5% anomuito alto
11h00Estados UnidosSentimento do consumidor de Michiganpreliminar de setembro51,051,7alto
11h00Estados UnidosExpectativas de inflação de Michiganpreliminar de setembro1 ano: 4,2%; 5 anos: 3,3%4,0%; 3,3%alto
13h00Estados UnidosWASDEsetembro——alto para commodities agrícolas
15h00Estados UnidosSaldo orçamentário federalagostoUS$ -211,1 bilhõesUS$ -432 bilhõesmédio

O relatório mensal de petróleo da Agência Internacional de Energia, programado para 05h de Brasília, também está no radar, mas a edição pública ainda não estava disponível no corte desta matéria. Na segunda-feira, os dados de produção industrial e vendas no varejo da China serão a principal referência para minério, cobre e empresas expostas à atividade chinesa.

Leitura para Ibovespa, dólar e juros

Ibovespa: o cenário-base é de viés misto a positivo, apoiado por EWZ, futuros americanos e expectativa de IPCA negativo. Vale e Petrobras podem limitar o índice porque minério e petróleo recuam. Bancos e ações domésticas ficam especialmente sensíveis à composição do IPCA e ao prêmio eleitoral.

Dólar: a referência eletrônica abaixo de R$ 5,10 e o EWZ positivo favorecem o real, mas DXY em alta e Treasury de dez anos perto de 4,94% mantêm a moeda vulnerável. CPI acima do consenso tende a fortalecer o dólar; surpresa para baixo pode ampliar o alívio.

Juros: o IPCA negativo pode reduzir a parte curta e intermediária da curva se núcleos e serviços também desacelerarem. A parte longa continua exposta a petróleo, fiscal, pesquisa eleitoral e Treasuries. O principal risco é uma surpresa inflacionária nos Estados Unidos; o fator positivo seria uma combinação de IPCA doméstico benigno e CPI americano abaixo do esperado.

Para o contexto do choque de energia e das medidas brasileiras que antecedem os dados de inflação, veja também o resumo do mercado de 10 de setembro.

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Cotações podem mudar rapidamente e devem ser confirmadas antes de qualquer decisão financeira.

Fontes

Deixe um comentário