Selic cai a 14% e minério sobe

Corte de 0,25 ponto percentual na Selic, valorização do minério e avanço das bolsas europeias oferecem suporte ao mercado brasileiro, enquanto a forte queda das empresas de tecnologia na Ásia limita o apetite por risco.

Atualizado em 6 de agosto de 2026, às 07h31, pelo horário de Brasília.

O mercado hoje começa com sinais mistos no exterior e uma nova referência para os juros brasileiros. O Copom reduziu a Selic de 14,25% para 14% ao ano, enquanto o minério de ferro avançou em Cingapura e Dalian.

Na direção contrária, ações asiáticas ligadas à inteligência artificial e aos semicondutores sofreram forte correção. O Kospi despencou 4,6%, pressionado pelas quedas de SK Hynix e Samsung Electronics.

Os futuros de Wall Street não apresentavam direção única: Dow Jones e S&P 500 avançavam, mas o Nasdaq 100 recuava. Na Europa, os principais índices operavam no campo positivo.

Resumo executivo

  • O Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. A nova taxa entrou em vigor nesta quinta-feira.
  • O minério de ferro subiu 1,86% em Cingapura e 2,57% em Dalian, oferecendo suporte às ações da Vale e de siderúrgicas.
  • O Kospi caiu 4,6%, com SK Hynix recuando 10,4% e Samsung Electronics perdendo 6,3%.
  • Petróleo, ouro e cobre avançavam, enquanto o dólar permanecia próximo de R$ 5,12.
  • Os pedidos semanais de seguro-desemprego nos Estados Unidos serão divulgados às 09h30. Na sexta-feira, o payroll de julho será o principal evento internacional.

Copom reduz Selic para 14% ao ano

O Comitê de Política Monetária reduziu a Selic de 14,25% para 14% ao ano, corte de 0,25 ponto percentual.

A mudança está confirmada na série oficial da meta Selic do Banco Central, que registra 14,25% em 5 de agosto e 14% a partir desta quinta-feira.

A decisão veio em linha com a expectativa predominante antes da reunião. O mercado agora deve avaliar se o corte representa continuidade do ciclo de flexibilização ou uma aproximação do patamar terminal dos juros em 2026.

Para o pregão, os principais efeitos potenciais são:

  • alívio para setores mais sensíveis ao crédito e aos juros;
  • reprecificação da curva de DI;
  • possível redução marginal do diferencial de juros que favorece o real;
  • maior atenção às projeções de inflação e aos próximos passos do Banco Central.

Tecnologia derruba bolsas asiáticas

O mercado asiático apresentou forte divergência. Coreia do Sul, Japão e Hong Kong recuaram, enquanto China continental e Austrália avançaram.

MercadoFechamentoVariação
Kospi6.296,38-4,6%
Nikkei 22565.683,26-0,9%
Hang Seng25.470,93-1,7%
Xangai3.900,35+0,6%
ASX 2009.271,60+0,5%

A correção foi concentrada nas empresas ligadas à inteligência artificial. A SK Hynix caiu 10,4% e a Samsung Electronics perdeu 6,3%, em movimento de realização de lucros antes do relatório de emprego dos Estados Unidos.

A Associated Press atribuiu o movimento à redução de risco no setor de chips, após a queda de grandes empresas de tecnologia em Wall Street.

Bolsas europeias avançam

Na Europa, os principais índices operavam em alta às 07h14:

ÍndiceCotaçãoVariaçãoStatus
DAX26.205,70+0,30%Mercado aberto
CAC 408.724,56+0,64%Mercado aberto
FTSE 10010.921,99+0,31%Mercado aberto
Euro Stoxx 506.516,03+0,60%Mercado aberto

As cotações são parciais e podem apresentar atraso do provedor. A melhora europeia reduz parte do impacto negativo provocado pela queda das empresas asiáticas de tecnologia.

Futuros de Wall Street ficam mistos

ContratoCotaçãoVariaçãoHorário
E-mini S&P 500 — set/267.764,75+0,20%07h19
Nasdaq 100 — set/2629.511,25-0,35%07h19
Mini Dow — set/2654.660+0,30%07h19
Russell 2000 — set/263.032,50+0,23%07h19

A queda do Nasdaq futuro mostra que a realização em tecnologia ainda não terminou. Por outro lado, Dow Jones, S&P 500 e Russell 2000 positivos sugerem rotação para segmentos menos concentrados em inteligência artificial.

As referências eletrônicas foram consultadas no Yahoo Finance e cruzadas com a cobertura internacional da AP.

Wall Street encerrou perto das máximas

Na quarta-feira, o S&P 500 e o Nasdaq recuaram, enquanto o Dow Jones renovou sua máxima de fechamento.

ÍndiceFechamentoVariação em pontosVariação
S&P 5007.723,55-12,97-0,2%
Dow Jones54.349,12+263,24+0,5%
Nasdaq Composite26.363,44-221,55-0,8%

Alphabet caiu 4%, Microsoft perdeu 1,1% e AMD recuou 7%. A SpaceX caiu 13,6% após apresentar seu primeiro resultado trimestral como companhia aberta, enquanto a Nvidia avançou 3,4%.

O rendimento do Treasury de dez anos recuou de 4,63% para aproximadamente 4,61%. Os dados do fechamento foram confirmados pela Associated Press.

Dólar opera próximo de R$ 5,12

O USD/BRL indicativo era negociado a R$ 5,1234, praticamente estável, às 06h58. Trata-se de uma referência eletrônica anterior à abertura regular da B3, e não do fechamento do dólar comercial.

O índice DXY avançava 0,13%, para 99,802 pontos, às 07h19.

Do lado externo, a valorização do dólar e a cautela com tecnologia exercem pressão sobre moedas emergentes. Do lado doméstico, o corte da Selic reduz marginalmente o diferencial de juros, mas a alta do minério e a melhora das bolsas europeias ajudam a equilibrar o cenário.

Não havia cotação consolidada e confiável do dólar futuro da B3 no horário da consulta.

Bitcoin e Ethereum avançam

CriptoativoPreçoVariação em 24 horas
BitcoinUS$ 64.601+0,72%
EthereumUS$ 1.903,07+1,69%

As cotações foram verificadas às 07h31 no CoinGecko e cruzadas com outra referência eletrônica.

O Ethereum apresentava desempenho superior ao Bitcoin, mas o mercado de criptoativos ainda operava sem um catalisador claramente dominante. Não foi encontrado fluxo de ETF ou volume de liquidações suficientemente atual e confirmado para inclusão.

Petróleo sobe com negociações sobre Ormuz no radar

CommodityContratoPreçoVariaçãoHorárioStatus
BrentReferência contínuaUS$ 79,89/barril+0,55%07h19Parcial
WTISet/26US$ 75,58/barril+0,48%07h19Parcial
OuroDez/26US$ 4.328,70/onça+0,55%07h19Parcial
CobreSet/26US$ 6,8135/libra+1,28%07h19Parcial

O petróleo continua acompanhando as negociações envolvendo Estados Unidos, Irã e a possível reabertura do Estreito de Ormuz.

O Brent permanece próximo de US$ 80 por barril. As declarações sobre um possível acordo reduziram parte do prêmio de risco, mas as sucessivas interrupções das negociações mantêm o mercado volátil.

Para o Brasil, o petróleo mais alto oferece suporte operacional à Petrobras, mas também representa risco para as expectativas de inflação.

Minério sobe em Cingapura e Dalian

O minério de ferro apresentou uma das altas mais relevantes entre as commodities desta manhã.

MercadoContratoPreçoVariaçãoHorárioStatus
CingapuraFEF2608US$ 95,85/t+1,86%05h28Parcial
DalianI2609719 yuans/t+2,57%04h04Fechamento

O contrato de agosto em Cingapura avançou para US$ 95,85 por tonelada, diante do ajuste anterior de US$ 94,10. O volume informado era de aproximadamente nove mil contratos.

Em Dalian, o contrato I2609 fechou a 719 yuans por tonelada, alta de 2,57% sobre o ajuste anterior de 701 yuans. O ajuste da sessão ficou em 714 yuans por tonelada.

As referências foram verificadas no contrato FEF2608 em Cingapura e cruzadas com dados da Dalian Commodity Exchange.

A valorização oferece suporte para Vale, CSN e Gerdau, embora o comportamento das ações também dependa da leitura sobre a demanda chinesa, os estoques portuários e as margens das siderúrgicas.

Pré-abertura do Ibovespa

O Ibovespa encerrou quarta-feira aos 177.726 pontos, queda de aproximadamente 0,09%, equivalente a 169 pontos.

O índice atingiu máxima de 180.195 pontos e mínima de 177.691 pontos. O volume disponibilizado pelo provedor não estava identificado como volume financeiro consolidado e não foi utilizado.

O fechamento foi conferido na referência do Ibovespa e confrontado com as informações institucionais da B3.

EWZ e ativos brasileiros em Nova York

AtivoCódigoPreço pré-marketVariaçãoHorárioVolumeSinal
ETF BrasilEWZUS$ 36,33+0,61%07h16Não informadoPositivo
ValeVALEUS$ 14,95+0,07%07h14Não informadoNeutro
PetrobrasPBRUS$ 18,39+0,16%07h18Não informadoLevemente positivo
Petrobras PNPBR.AUS$ 16,40+0,74%06h48Não informadoPositivo
ItaúITUBUS$ 8,2259+0,19%06h49Não informadoNeutro a positivo
BradescoBBDUS$ 3,47-0,29%06h35Não informadoLevemente negativo
AmbevABEVUS$ 3,0079-0,73%05h28Não informadoNegativo, baixa confiança
GerdauGGBUS$ 5,10-0,78%06h17Não informadoNegativo
CSNSIDUS$ 0,98170,00%06h52Não informadoInconclusivo
NubankNUUS$ 14,4787-0,01%07h24Não informadoNeutro

O provedor não apresentou volume consolidado para essas negociações. Alguns preços foram formados com pouca liquidez e devem ser interpretados com cautela.

O EWZ positivo, o minério em alta e a redução da Selic formam um cenário moderadamente favorável para a B3. A queda de tecnologia na Ásia, o Nasdaq futuro negativo e a valorização do DXY, entretanto, limitam uma leitura mais otimista.

Petrobras divulga balanço do segundo trimestre

A Petrobras divulgará nesta quinta-feira suas informações financeiras referentes ao segundo trimestre de 2026. A apresentação pública dos resultados ocorrerá na sexta-feira, às 11h45, conforme o calendário da Petrobras para investidores.

O balanço será acompanhado principalmente por seus efeitos sobre:

  • geração de caixa;
  • investimentos;
  • produção;
  • política de dividendos;
  • endividamento;
  • desempenho das áreas de exploração, produção e refino.

Calendário econômico

Brasil

Não há divulgação doméstica de primeira linha prevista para hoje.

O principal evento corporativo será o resultado da Petrobras, após o encerramento do pregão.

Estados Unidos

HorárioEventoPeríodoConsensoAnteriorImpacto
09h30Pedidos iniciais de seguro-desempregoSemana até 1º/8202 mil197 milAlto
09h30Produtividade não agrícola — preliminar2º trimestre+0,6%+0,3%Alto
09h30Custo unitário do trabalho — preliminar2º trimestre+2,1%+1,8%Alto
11h00Índice de pressão sobre cadeias globaisJulho——Médio
11h00Estoques no atacadoJunho+0,3%+0,3%Médio

Os horários foram confirmados no calendário do Federal Reserve de Nova York. Os consensos foram consultados no calendário da Trading Economics.

Radar do próximo pregão

Na sexta-feira, às 09h30, será divulgado o relatório oficial de emprego dos Estados Unidos.

O consenso indica criação de aproximadamente 80 mil vagas em julho, depois das 57 mil registradas em junho. A taxa de desemprego deve permanecer em 4,2%, enquanto os salários médios devem avançar 0,3% no mês.

Um resultado forte pode elevar os juros dos Treasuries e o dólar. Um número fraco pode aumentar a preocupação com a atividade econômica, ainda que reduza a pressão sobre a política monetária.

Leitura final para Ibovespa, dólar e juros

Ibovespa: o cenário-base apresenta viés misto a levemente positivo. O corte da Selic, a valorização do minério, o avanço das bolsas europeias e o EWZ positivo oferecem suporte. Vale e Petrobras podem funcionar como contrapeso ao ambiente mais fraco para tecnologia.

Dólar: a moeda americana tende a começar o dia próxima da estabilidade. A alta do DXY e a redução do diferencial de juros após o Copom podem pressionar o real, enquanto minério, petróleo e EWZ positivos atuam na direção contrária.

Juros futuros: a curva de DI deve reagir à interpretação do mercado sobre a extensão do ciclo de cortes. Os dados americanos de produtividade, custo do trabalho e seguro-desemprego também podem provocar ajustes, especialmente nos vencimentos mais longos.

Principal risco: ampliação da venda de ações de tecnologia para outros setores, combinada com nova deterioração das negociações envolvendo o Estreito de Ormuz.

Principal fator positivo: valorização simultânea do minério de ferro, do petróleo e do EWZ, acompanhada pela redução da Selic para 14%.

Este conteúdo possui caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de compra ou venda de ativos.