Mercado hoje: petróleo supera US$ 93 e impulsiona Petrobras no pré-mercado

Brent supera US$ 93, Petrobras avança no pré-mercado e bolsas ficam mistas antes de dados de emprego e indústria nos EUA.

Atualizado às 7h42 (horário de Brasília). O petróleo volta a comandar o mercado nesta quinta-feira (20). O Brent era negociado a US$ 93,86 por barril, alta de 2,44%, enquanto o WTI avançava 2,65%, a US$ 86,63. O movimento favorecia os papéis brasileiros ligados à commodity em Nova York, mas mantinha a cautela com inflação e juros globais.

O quadro externo era misto: a Europa recuava moderadamente, os futuros de Wall Street oscilavam perto da estabilidade e a Ásia fechou sem direção única. A ata do Federal Reserve divulgada ontem mostrou que muitos dirigentes admitem juros mais altos se a inflação não ceder, ao mesmo tempo em que o Tesouro dos EUA ampliou recompras de títulos longos e ajudou a aliviar os rendimentos.

Mercados globais nesta manhã

AtivoNívelVariaçãoReferência
Nikkei 22566.160,86+1,28%fechamento
Kospi6.852,58+5,89%fechamento
Xangai3.904,37-2,15%fechamento
Hang Seng25.698,49+0,89%fechamento
FTSE 10010.724,62-0,17%7h03
DAX25.984,02-0,41%7h03
CAC 408.482,90-0,22%7h03
S&P 500 futuro7.727,25-0,02%7h31
Nasdaq 100 futuro29.534,50+0,07%7h31
Dow futuro53.460-0,13%7h31

Na véspera, o S&P 500 subiu 0,2%, o Dow ganhou 0,2% e o Nasdaq avançou 0,2%. O alívio veio após o Tesouro americano anunciar que vai mais que dobrar recompras de títulos de prazos longos, reduzindo momentaneamente a pressão na curva.

Juros, dólar e criptoativos

  • Treasury de 10 anos: 4,65% no último fechamento disponível, cerca de 5 pontos-base abaixo da sessão anterior.
  • Treasury de 2 anos: perto de 4,18% na referência mais recente, mantendo a curva inclinada positivamente.
  • DXY: 98,58 pontos, queda de 0,26% às 7h30.
  • USD/BRL: R$ 5,168, praticamente estável na referência offshore das 6h58.
  • Bitcoin: US$ 71.795,86, alta de 3,62% em 24 horas.
  • Ethereum: US$ 2.281,21, avanço de 1,30%.

A ata do Fed indicou uma divisão relevante no comitê: muitos dirigentes entendem que nova alta de juros poderá ser necessária se a inflação permanecer elevada. Para o câmbio e os juros brasileiros, a combinação de petróleo forte com Treasuries ainda altos tende a aumentar a sensibilidade do pregão a qualquer surpresa na agenda americana.

Commodities: petróleo é o principal vetor

CommodityCotaçãoVariação
BrentUS$ 93,86/barril+2,44%
WTIUS$ 86,63/barril+2,65%
Minério de ferro SGX (ago/26)US$ 95,70/t+0,63%
Minério de ferro Dalian (set/26)721,50 yuans/t+0,21% ante a liquidação anterior
OuroUS$ 4.550,40/onça+0,11%
CobreUS$ 6,4545/libra-0,64%

O Brent acima de US$ 93 reforça o suporte às petroleiras, mas também reabre a preocupação com custos, inflação e política monetária. O relatório de agosto da Agência Internacional de Energia registra menor fluxo de derivados e forte aperto em margens de refino, em meio às restrições de oferta no Oriente Médio.

No minério, as duas referências foram conferidas separadamente: o contrato de agosto em Singapura estava a US$ 95,70 por tonelada; em Dalian, o contrato de setembro marcava 721,50 yuans por tonelada às 4h04 de Brasília. A leitura é positiva para Vale no pré-mercado, embora a queda de Xangai limite o entusiasmo.

Brasil em Nova York: EWZ e ADRs

AtivoPré-mercadoVariação ante o fechamentoHorário
EWZUS$ 34,40+2,08%7h06
ValeUS$ 13,90+1,61%7h29
PetrobrasUS$ 18,79+3,36%7h40
Itaú UnibancoUS$ 7,39+1,67%6h54
BradescoUS$ 3,07+0,99%6h41
AmbevUS$ 2,86+2,88%6h39

As cotações de pré-mercado têm liquidez menor e podem oscilar bastante antes da abertura oficial. O sinal mais consistente vinha de Petrobras, amparada pela alta simultânea de Brent e WTI. O EWZ também apontava abertura positiva para o Brasil em Nova York.

Agenda econômica de hoje

  • 9h30: pedidos semanais de seguro-desemprego nos EUA, com consenso próximo de 210 mil.
  • 9h30: índice industrial do Fed da Filadélfia de agosto; o mercado espera desaceleração frente aos 41,4 pontos anteriores.
  • 11h: relatório anual sobre força de trabalho jovem nos EUA.
  • 17h30: balanço semanal do Federal Reserve sobre reservas bancárias.

No Brasil, a agenda doméstica é mais leve e deixa os ativos locais dependentes do exterior, do petróleo e do comportamento dos juros americanos. O mercado também acompanha a repercussão da ata do Fed e os desdobramentos da política comercial entre Brasil e Estados Unidos.

O que isso significa para Ibovespa, dólar e juros

Ibovespa: o petróleo e o pré-mercado positivo de Petrobras e Vale oferecem suporte importante, capaz de compensar parcialmente a fraqueza da Europa e de Xangai. Bancos também indicavam viés favorável em Nova York.

Dólar: o DXY mais fraco e o EWZ em alta ajudam o real, mas a escalada do petróleo aumenta o risco inflacionário e pode limitar uma queda mais firme da moeda americana.

Juros: o recuo do Treasury de 10 anos é um alívio para a curva brasileira. Em contrapartida, a mensagem cautelosa da ata do Fed e o choque de energia mantêm pressão sobre os prêmios longos.

Na edição de ontem, o destaque foi a combinação entre tecnologia na Ásia e a expectativa pela ata do Fed. Veja o contexto em Mercado hoje: ações de IA derrubam Ásia antes da ata do Fed.

Fontes

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Cotações podem mudar rapidamente ao longo do pregão.