Payroll e Petrobras pautam a sexta-feira

Mercado hoje: payroll dos EUA e Petrobras comandam a abertura

Resultado robusto da Petrobras, minério dividido e bolsas globais mistas antecedem o relatório de emprego dos Estados Unidos, principal evento desta sexta-feira.

Referência editorial: 7 de agosto de 2026, às 07h20, horário de Brasília.
Status dos mercados: Ásia encerrada; Europa, futuros americanos, commodities, criptomoedas e pré-market nos EUA em negociação. B3 e mercado brasileiro de câmbio ainda fechados.

Resumo executivo

O mercado chega à última sessão da semana concentrado em cinco vetores:

  • O payroll de julho será divulgado às 09h30. O consenso consultado aponta criação de 85 mil vagas, ante 57 mil em junho, com desemprego estável em 4,2%.
  • A Petrobras apresentou lucro líquido atribuível aos acionistas de R$ 52,45 bilhões no segundo trimestre, avanço anual de 96,8%, além de R$ 17,4 bilhões em remuneração aos acionistas.
  • Os futuros de Wall Street operavam moderadamente positivos, após Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq recuarem na quinta-feira.
  • O minério de ferro mostrava sinais divergentes: alta em Dalian e queda no contrato de agosto em Cingapura.
  • Petróleo operava perto da estabilidade, após devolver a alta observada durante a madrugada, enquanto o ouro avançava cerca de 1,7%.

Mercados em geral

O payroll deve definir o comportamento dos juros americanos, do dólar e dos ativos de risco durante a manhã. A estimativa central consultada é de 85 mil novas vagas, mas outras pesquisas trabalham com números próximos de 100 mil. A taxa de desemprego é esperada em 4,2%, enquanto os salários devem subir 0,3% no mês e 3,5% em 12 meses.

O dado será publicado pelo Departamento do Trabalho às 08h30 em Nova York — 09h30 em Brasília. Em junho, os Estados Unidos criaram 57 mil vagas. O relatório oficial também mostrou desemprego de 4,2% e crescimento anual de 3,5% nos salários. Calendário oficial do BLS, prévia do relatório de julho e dados oficiais de junho.

Um número mais forte, especialmente acompanhado de aceleração salarial, pode elevar os rendimentos dos Treasuries e fortalecer o dólar. Uma leitura mais fraca tende a aliviar os juros, embora uma desaceleração intensa também possa alimentar preocupação com a atividade econômica.

Petrobras entrega lucro maior e anuncia R$ 17,4 bilhões

A Petrobras divulgou depois do fechamento de quinta-feira um lucro líquido atribuível aos seus acionistas de R$ 52,45 bilhões no segundo trimestre de 2026, crescimento de 60,6% sobre o trimestre anterior e de 96,8% na comparação anual.

A receita de vendas atingiu R$ 169,53 bilhões, alta anual de 42,3%. O EBITDA ajustado somou R$ 93,84 bilhões, avanço de 79,6%, enquanto o fluxo de caixa livre alcançou R$ 38,61 bilhões, crescimento de 100,6% sobre o segundo trimestre de 2025. Os números constam no relatório oficial do 2T26 da Petrobras.

O conselho também aprovou R$ 17,4 bilhões em remuneração aos acionistas, equivalentes a R$ 1,34814262 por ação ordinária ou preferencial em circulação. A informação foi apresentada pela companhia em documento enviado à SEC.

A teleconferência dos resultados está marcada para 11h45, em Brasília, conforme a página de Relações com Investidores da Petrobras.

Bolsas internacionais

Fechamento da Ásia

MercadoValorVariaçãoStatus
Nikkei 22565.606,71-0,12%Fechamento
Kospi6.258,77-0,60%Fechamento
Taiex44.225,91-0,38%Fechamento
Xangai Composto3.940,04+1,59%Fechamento
Hang Seng25.668,03+0,54%Fechamento
S&P/ASX 2009.263,60-0,09%Fechamento

A bolsa de Xangai destoou positivamente depois de a China informar crescimento de aproximadamente 24% das exportações em julho, sustentado pela demanda por eletrônicos e produtos de alta tecnologia. Importações mais fracas e redução do superávit comercial limitaram uma leitura totalmente favorável. Panorama internacional da AP.

Europa

MercadoValorVariaçãoHorário/status
DAX26.339,64+0,76%07h04 — parcial
CAC 408.731,14+0,36%07h04 — parcial
FTSE 10010.934,76+0,62%07h04 — parcial
Euro Stoxx 506.541,55+0,60%07h04 — parcial

As bolsas europeias avançavam, embora o ambiente continuasse condicionado pela guerra entre Estados Unidos e Irã, pelas incertezas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz e pelas dúvidas em torno das avaliações das empresas ligadas à inteligência artificial.

Estados Unidos

Na quinta-feira, o S&P 500 recuou 0,2%, para 7.709,96 pontos. O Dow Jones caiu 0,9%, para 53.885,10 pontos, e o Nasdaq perdeu 0,1%, encerrando aos 26.348,35 pontos. O petróleo e resultados corporativos mistos pressionaram a sessão. Fechamento de Wall Street pela AP.

Às 07h09, os futuros operavam assim:

FuturoValorVariaçãoStatus
S&P 5007.746,50+0,15%Parcial
Nasdaq 10029.617,75+0,44%Parcial
Dow Jones54.028+0,03%Parcial
Russell 20003.015,80+0,22%Parcial

Variações calculadas contra a referência anterior exibida pelo provedor. Cotações atrasadas e sujeitas a revisão. Fontes: S&P 500 futuro, Nasdaq futuro e Dow futuro.

Dólar e juros

O índice DXY operava próximo de 99,805 pontos, praticamente estável. O rendimento do Treasury de dez anos havia encerrado a quinta-feira em 4,67%, ante 4,63% no pregão anterior.

No Brasil, o mercado à vista ainda não estava aberto. A última referência do USD/BRL do provedor foi de R$ 5,1104 em 6 de agosto, queda diária de 0,20%. Antes da abertura desta sexta-feira, a indicação contínua estava próxima de R$ 5,1099, sem variação relevante. Esses números não representam uma nova taxa de fechamento do mercado doméstico. Histórico do USD/BRL.

O dólar deve reagir principalmente à combinação entre payroll, salários e Treasuries. No ambiente doméstico, o mercado continua assimilando a redução da Selic para 14% ao ano, confirmada na série oficial do Banco Central.

Criptomoedas

AtivoCotaçãoVariação em 24 horasHorário
BitcoinUS$ 64.804+0,32%07h19
EthereumUS$ 1.913,32+0,54%07h19

Bitcoin e Ethereum apresentavam ganhos moderados, sem um catalisador isolado confirmado no corte do relatório. Fontes: Bitcoin e Ethereum.

Commodities

AtivoContrato/mercadoPreçoVariaçãoHorário e status
BrentContrato contínuo, ICEUS$ 82,22/barril-0,33%Cerca de 07h20 — parcial
WTIContrato contínuo, NymexUS$ 77,20/barril-0,12%Cerca de 07h20 — parcial
Minério de ferroSGX FEF2608, ago/26US$ 94,65/t-1,04%06h15 — última referência
Minério de ferroDalian I2609, set/26716,50 yuans/t+0,35%04h04 — última referência do pregão diurno
OuroContrato contínuo, ComexUS$ 4.371,70/onça-troy+1,68%Cerca de 07h20 — parcial
CobreContrato contínuo, ComexUS$ 6,683/libra-0,38%07h09 — parcial

O petróleo chegou a avançar durante a madrugada, mas devolveu o movimento. A indefinição sobre um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz permanece como fonte de volatilidade. O ouro avançava como proteção, enquanto o minério mostrava divergência entre Dalian e Cingapura.

Fontes: Brent e demais commodities, minério de ferro em Cingapura e Dalian Commodity Exchange.

Pré-abertura do Ibovespa

O Ibovespa encerrou a quinta-feira aos 175.546 pontos, queda de 1,23% e perda de 2.180 pontos. O índice oscilou entre 175.515 e 177.720 pontos. Os dados foram conferidos no histórico do Ibovespa.

Às 07h15, EWZ e os principais recibos brasileiros negociados nos Estados Unidos apresentavam o seguinte quadro:

AtivoCotaçãoVariação no pré-marketHorárioVolume
EWZUS$ 35,94+0,36%06h46n/d
ValeUS$ 14,88+1,07%07h15n/d
Petrobras ON — PBRUS$ 18,67+0,81%07h12n/d
Petrobras PN — PBR.AUS$ 16,73+1,52%06h42n/d
Itaú — ITUBUS$ 8,20+0,26%06h44n/d
Bradesco — BBDUS$ 3,42+0,29%06h57n/d
Ambev — ABEVUS$ 3,010,00%06h34n/d
Gerdau — GGBUS$ 5,040,00%06h44n/d
CSN — SIDUS$ 0,94-0,40%06h54n/d
Nubank — NUUS$ 14,19+0,49%07h10n/d

As variações comparam o pré-market com o fechamento regular anterior nos Estados Unidos. O provedor não apresentou volume acumulado consolidado na captura. Por isso, os sinais devem ser tratados como indicativos e sujeitos a baixa liquidez.

A Petrobras aparece como principal vetor positivo doméstico, apoiada pelo resultado trimestral e pela remuneração anunciada. Vale também indicava alta em Nova York, apesar do comportamento dividido do minério de ferro.

Calendário econômico

Horário de BrasíliaEventoConsensoAnteriorImpacto
09h30Payroll dos EUA — julho+85 mil+57 milMuito alto
09h30Taxa de desemprego dos EUA4,2%4,2%Muito alto
09h30Salário médio por hora — mensal+0,3%+0,3%Alto
09h30Salário médio por hora — anual+3,5%+3,5%Alto
11h45Webcast da Petrobras sobre o 2T26——Corporativo

Não há divulgação macroeconômica brasileira de primeira linha prevista para esta sexta-feira no calendário do IBGE. A próxima publicação relevante do instituto será o IPCA de julho, em 11 de agosto. Calendário oficial do IBGE.

Leitura para Ibovespa, dólar e juros

Ibovespa: a abertura reúne vetores opostos. Petrobras, ADRs positivos e futuros americanos no campo positivo oferecem suporte, mas o payroll pode mudar rapidamente o comportamento dos juros internacionais. Vale dependerá da interpretação do mercado sobre os dados chineses e do sinal divergente do minério.

Dólar: o USD/BRL inicia o dia com referência próxima de R$ 5,11 e DXY estável. Um payroll ou uma leitura salarial acima das estimativas tende a favorecer o dólar; números mais fracos podem aliviar a moeda americana, desde que não provoquem receio excessivo com a economia dos Estados Unidos.

Juros: depois do corte da Selic para 14%, a curva de DI deverá acompanhar o Treasury de dez anos e a composição do relatório de emprego. Emprego e salários fortes, além de nova alta do petróleo, representam risco de pressão sobre os vencimentos mais longos.

O principal risco do dia é uma combinação de payroll forte, juros americanos elevados e nova escalada do petróleo. O contraponto positivo vem da geração de caixa da Petrobras, do anúncio de remuneração aos acionistas e do avanço moderado dos futuros de Nova York.

Radar do próximo pregão

Na segunda-feira, o mercado deverá reagir integralmente ao payroll, às declarações posteriores de autoridades monetárias e à análise da teleconferência da Petrobras. No Brasil, o Relatório Focus volta ao radar pela manhã. Na terça-feira, o IPCA de julho será a principal referência doméstica para a curva de juros.