Atualizado às 7h42 (horário de Brasília). O petróleo volta a comandar o mercado nesta quinta-feira (20). O Brent era negociado a US$ 93,86 por barril, alta de 2,44%, enquanto o WTI avançava 2,65%, a US$ 86,63. O movimento favorecia os papéis brasileiros ligados à commodity em Nova York, mas mantinha a cautela com inflação e juros globais.
O quadro externo era misto: a Europa recuava moderadamente, os futuros de Wall Street oscilavam perto da estabilidade e a Ásia fechou sem direção única. A ata do Federal Reserve divulgada ontem mostrou que muitos dirigentes admitem juros mais altos se a inflação não ceder, ao mesmo tempo em que o Tesouro dos EUA ampliou recompras de títulos longos e ajudou a aliviar os rendimentos.
Mercados globais nesta manhã
| Ativo | Nível | Variação | Referência |
|---|---|---|---|
| Nikkei 225 | 66.160,86 | +1,28% | fechamento |
| Kospi | 6.852,58 | +5,89% | fechamento |
| Xangai | 3.904,37 | -2,15% | fechamento |
| Hang Seng | 25.698,49 | +0,89% | fechamento |
| FTSE 100 | 10.724,62 | -0,17% | 7h03 |
| DAX | 25.984,02 | -0,41% | 7h03 |
| CAC 40 | 8.482,90 | -0,22% | 7h03 |
| S&P 500 futuro | 7.727,25 | -0,02% | 7h31 |
| Nasdaq 100 futuro | 29.534,50 | +0,07% | 7h31 |
| Dow futuro | 53.460 | -0,13% | 7h31 |
Na véspera, o S&P 500 subiu 0,2%, o Dow ganhou 0,2% e o Nasdaq avançou 0,2%. O alívio veio após o Tesouro americano anunciar que vai mais que dobrar recompras de títulos de prazos longos, reduzindo momentaneamente a pressão na curva.
Juros, dólar e criptoativos
- Treasury de 10 anos: 4,65% no último fechamento disponível, cerca de 5 pontos-base abaixo da sessão anterior.
- Treasury de 2 anos: perto de 4,18% na referência mais recente, mantendo a curva inclinada positivamente.
- DXY: 98,58 pontos, queda de 0,26% às 7h30.
- USD/BRL: R$ 5,168, praticamente estável na referência offshore das 6h58.
- Bitcoin: US$ 71.795,86, alta de 3,62% em 24 horas.
- Ethereum: US$ 2.281,21, avanço de 1,30%.
A ata do Fed indicou uma divisão relevante no comitê: muitos dirigentes entendem que nova alta de juros poderá ser necessária se a inflação permanecer elevada. Para o câmbio e os juros brasileiros, a combinação de petróleo forte com Treasuries ainda altos tende a aumentar a sensibilidade do pregão a qualquer surpresa na agenda americana.
Commodities: petróleo é o principal vetor
| Commodity | Cotação | Variação |
|---|---|---|
| Brent | US$ 93,86/barril | +2,44% |
| WTI | US$ 86,63/barril | +2,65% |
| Minério de ferro SGX (ago/26) | US$ 95,70/t | +0,63% |
| Minério de ferro Dalian (set/26) | 721,50 yuans/t | +0,21% ante a liquidação anterior |
| Ouro | US$ 4.550,40/onça | +0,11% |
| Cobre | US$ 6,4545/libra | -0,64% |
O Brent acima de US$ 93 reforça o suporte às petroleiras, mas também reabre a preocupação com custos, inflação e política monetária. O relatório de agosto da Agência Internacional de Energia registra menor fluxo de derivados e forte aperto em margens de refino, em meio às restrições de oferta no Oriente Médio.
No minério, as duas referências foram conferidas separadamente: o contrato de agosto em Singapura estava a US$ 95,70 por tonelada; em Dalian, o contrato de setembro marcava 721,50 yuans por tonelada às 4h04 de Brasília. A leitura é positiva para Vale no pré-mercado, embora a queda de Xangai limite o entusiasmo.
Brasil em Nova York: EWZ e ADRs
| Ativo | Pré-mercado | Variação ante o fechamento | Horário |
|---|---|---|---|
| EWZ | US$ 34,40 | +2,08% | 7h06 |
| Vale | US$ 13,90 | +1,61% | 7h29 |
| Petrobras | US$ 18,79 | +3,36% | 7h40 |
| Itaú Unibanco | US$ 7,39 | +1,67% | 6h54 |
| Bradesco | US$ 3,07 | +0,99% | 6h41 |
| Ambev | US$ 2,86 | +2,88% | 6h39 |
As cotações de pré-mercado têm liquidez menor e podem oscilar bastante antes da abertura oficial. O sinal mais consistente vinha de Petrobras, amparada pela alta simultânea de Brent e WTI. O EWZ também apontava abertura positiva para o Brasil em Nova York.
Agenda econômica de hoje
- 9h30: pedidos semanais de seguro-desemprego nos EUA, com consenso próximo de 210 mil.
- 9h30: índice industrial do Fed da Filadélfia de agosto; o mercado espera desaceleração frente aos 41,4 pontos anteriores.
- 11h: relatório anual sobre força de trabalho jovem nos EUA.
- 17h30: balanço semanal do Federal Reserve sobre reservas bancárias.
No Brasil, a agenda doméstica é mais leve e deixa os ativos locais dependentes do exterior, do petróleo e do comportamento dos juros americanos. O mercado também acompanha a repercussão da ata do Fed e os desdobramentos da política comercial entre Brasil e Estados Unidos.
O que isso significa para Ibovespa, dólar e juros
Ibovespa: o petróleo e o pré-mercado positivo de Petrobras e Vale oferecem suporte importante, capaz de compensar parcialmente a fraqueza da Europa e de Xangai. Bancos também indicavam viés favorável em Nova York.
Dólar: o DXY mais fraco e o EWZ em alta ajudam o real, mas a escalada do petróleo aumenta o risco inflacionário e pode limitar uma queda mais firme da moeda americana.
Juros: o recuo do Treasury de 10 anos é um alívio para a curva brasileira. Em contrapartida, a mensagem cautelosa da ata do Fed e o choque de energia mantêm pressão sobre os prêmios longos.
Na edição de ontem, o destaque foi a combinação entre tecnologia na Ásia e a expectativa pela ata do Fed. Veja o contexto em Mercado hoje: ações de IA derrubam Ásia antes da ata do Fed.
Fontes
- Financial Juice — Morning Juice, 20 de agosto
- Associated Press — ata do Federal Reserve
- Associated Press — recompras do Tesouro e juros longos
- Agência Internacional de Energia — Oil Market Report de agosto
- Tiger Brokers/SGX — minério de ferro 62% (ago/26)
- Federal Reserve de Nova York — calendário de indicadores
- BLS — calendário de divulgações de agosto
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Cotações podem mudar rapidamente ao longo do pregão.