
O mercado hoje começa com aversão a risco concentrada em tecnologia. A queda das ações ligadas à inteligência artificial em Wall Street atravessou o Pacífico e provocou perdas fortes na Coreia do Sul e no Japão. Ao mesmo tempo, o petróleo Brent voltou à região de US$ 92 e reforçou a cautela com inflação e juros antes da ata do Federal Reserve, prevista para as 15h, no horário de Brasília.
Resumo da manhã
- Ações de inteligência artificial pressionam as bolsas: Kospi caiu 5,80% e Nikkei recuou 3,01%.
- Futuros dos Estados Unidos operam perto da estabilidade, com S&P 500 -0,05% e Nasdaq 100 -0,24%.
- Brent sobe 1,01%, a US$ 91,94, enquanto o WTI avança 0,98%, a US$ 84,88.
- DXY cai 0,26%, mas o dólar permanece ao redor de R$ 5,22.
- A ata do Fed, às 15h, pode redefinir as expectativas para juros americanos.
Ações de IA comandam a aversão a risco
O movimento começou em Nova York. Na terça-feira, o Nasdaq Composite caiu 1,3%, aos 26.289,71 pontos, enquanto o S&P 500 perdeu 0,7%, aos 7.691,76 pontos, e o Dow Jones recuou 0,2%, aos 53.343,40 pontos. Segundo a Associated Press, Micron caiu 7%, Nvidia perdeu 2,3% e Broadcom recuou 3,2%, em meio à reavaliação dos preços e da rentabilidade dos investimentos em inteligência artificial.
A pressão foi amplificada pelos juros elevados. O rendimento do Treasury de dez anos encerrou a sessão anterior em 4,70%, ainda muito acima dos 3,97% observados antes do início da guerra com o Irã. Taxas longas elevadas reduzem o valor presente dos lucros futuros e atingem principalmente empresas de crescimento, além de encarecerem o financiamento de data centers.
Na Ásia, o contágio foi intenso. Às 7h18 de Brasília, o Kospi fechava em queda de 5,80%, aos 6.471,17 pontos, e o Nikkei perdia 3,01%, aos 65.431,18 pontos. O índice de Xangai recuou 2,32%, enquanto o Hang Seng subiu 0,16%. A leitura mais recente aprofundou as perdas descritas na atualização da AP sobre as bolsas asiáticas.
Europa estabiliza após inflação em linha
Na Europa, os mercados mostravam maior estabilidade por volta das 7h03. O FTSE 100 caía 0,15%, o DAX recuava 0,06% e o CAC 40 subia 0,38%. O índice de preços ao consumidor da zona do euro foi confirmado em 2,9% em 12 meses, exatamente em linha com o consenso e com a leitura preliminar. O núcleo também foi confirmado em 2,5%, segundo o Financial Juice.
Apesar da inflação sem surpresa, os juros soberanos continuam pressionados: o rendimento do título alemão de dez anos alcançou 3,26% em leilão, ante 3,13% anteriormente. Isso limita o alívio para ações de crescimento e reforça a importância da comunicação do Fed.
Petróleo perto de US$ 92 mantém risco inflacionário
O petróleo subia novamente às 7h08: o Brent avançava 1,01%, para US$ 91,94 por barril, e o WTI ganhava 0,98%, a US$ 84,88. A incerteza sobre um acordo entre Estados Unidos e Irã e sobre a normalização do trânsito no Estreito de Ormuz continua incorporando prêmio geopolítico às cotações.
Para o Brasil, petróleo mais caro tende a apoiar Petrobras, mas o benefício para a bolsa é contrabalançado pelo efeito sobre combustíveis, fretes, expectativas de inflação e juros futuros. O tema de Ormuz e seus impactos sobre os ativos brasileiros foi detalhado no resumo de mercado de ontem.
Commodities e minério de ferro
| Ativo | Preço | Variação | Referência |
|---|---|---|---|
| Brent | US$ 91,94/barril | +1,01% | 7h08 |
| WTI | US$ 84,88/barril | +0,98% | 7h08 |
| Minério SGX set/26 | US$ 96,55/t | +0,31% | fechamento |
| Minério Dalian set/26 | 724,5 yuans/t | cerca de -0,55% | 4h04 |
| Ouro | US$ 4.416,80 | -0,09% | 7h08 |
| Cobre | US$ 6,42/libra | -1,08% | 7h08 |
O minério de ferro encerrou com sinais mistos nas duas praças. Em Dalian, o contrato de setembro fechou em 724,5 yuans por tonelada, cerca de 0,55% abaixo da referência anterior de 728,5 yuans. Em Singapura, o contrato do mesmo vencimento terminou a US$ 96,55 por tonelada, alta de 0,31%. A fraqueza em Dalian e a forte queda de Xangai mantêm cautela para Vale e siderúrgicas, apesar do avanço do minério na SGX.
Dólar, juros e criptomoedas
O índice DXY caía 0,26%, aos 99,39 pontos, por volta das 7h08. O USD/BRL permanecia praticamente estável, perto de R$ 5,22, com referência das 6h58. A fraqueza do dólar global ajuda o real, mas o petróleo mais caro, a aversão a risco e a indefinição comercial entre Brasil e Estados Unidos podem limitar esse suporte.
No mercado de criptomoedas, às 7h18, o Bitcoin recuava 0,54%, a US$ 64.334,96, enquanto o Ethereum oscilava perto da estabilidade, com alta de 0,04%, a US$ 1.917,23. A queda das ações de tecnologia e os juros longos elevados reduzem o apetite por ativos de maior volatilidade antes da ata do Fed.
Pré-mercado brasileiro em Nova York
| Ativo | Código | Preço | Indicação | Volume | Leitura |
|---|---|---|---|---|---|
| ETF Brasil | EWZ | US$ 33,78 | -0,56% | 0 | Negativa, sem volume informado |
| Vale | VALE | US$ 13,65 | -0,73% | 0 | Negativa |
| Petrobras | PBR | US$ 18,33 | +0,46% | 0 | Positiva, baixa confiança |
| Petrobras | PBR.A | US$ 16,50 | +0,98% | 0 | Positiva, baixa confiança |
| Itaú | ITUB | US$ 7,26 | -1,36% | 0 | Negativa |
| Bradesco | BBD | US$ 3,05 | -1,29% | 0 | Negativa |
| Ambev | ABEV | US$ 2,77 | -0,36% | 0 | Negativa |
| Gerdau | GGB | US$ 4,75 | -1,04% | 0 | Negativa |
| CSN | SID | US$ 0,89 | -1,12% | 0 | Negativa |
| Nu Holdings | NU | US$ 14,44 | -2,04% | 0 | Negativa |
O sinal externo para a B3 é predominantemente negativo, embora de baixa confiabilidade por falta de volume. O EWZ, os bancos, Vale, siderúrgicas e Nubank apontavam perdas. Petrobras era a exceção, sustentada pela alta do petróleo. Os futuros americanos, próximos da estabilidade, evitam uma leitura ainda mais defensiva.
Agenda econômica de hoje
| Horário | País | Evento | Consenso | Anterior | Impacto |
|---|---|---|---|---|---|
| 11h00 | EUA | Outlook-at-Risk do Fed de Nova York | n/d | n/d | Médio |
| 15h00 | EUA | Ata do Fomc de 28 e 29 de julho | n/d | n/d | Muito alto |
Brasil: não há divulgação doméstica de primeira linha prevista para hoje. O IBGE divulga estatísticas trimestrais de produção animal, de baixo impacto para o mercado amplo. A discussão sobre a reciprocidade comercial diante das tarifas dos Estados Unidos permanece no radar, mas não havia nova medida anunciada no início da manhã.
Estados Unidos: o principal evento é a ata da reunião de julho do Fed, às 15h, conforme o calendário oficial do Federal Reserve. O mercado buscará sinais sobre a divisão interna do comitê, os riscos da energia para a inflação e o efeito dos juros altos sobre atividade e investimentos em inteligência artificial.
Leitura para Ibovespa, dólar e juros
Ibovespa: o cenário-base é de viés negativo ou misto. Petrobras pode amortecer parte da pressão, mas Vale, siderúrgicas, bancos e empresas de tecnologia chegam com sinais externos desfavoráveis. O Ibovespa encerrou a terça-feira aos 166.334,86 pontos, em queda de 0,27%.
Dólar: a queda do DXY favorece estabilidade do real, mas a aversão a risco e o petróleo limitam a possibilidade de valorização mais consistente da moeda brasileira. A ata do Fed pode mudar essa direção no meio da tarde.
Juros: petróleo perto de US$ 92 e Treasuries longos ao redor de 4,70% sustentam prêmio nas curvas. Uma ata mais preocupada com inflação tende a pressionar os juros; sinais de maior atenção à atividade podem oferecer alívio.
O principal risco do dia é uma combinação de nova queda das ações de inteligência artificial com alta adicional do petróleo. O principal fator positivo é a estabilidade dos futuros americanos e a fraqueza do dólar global. Até a ata do Fed, o mercado tende a operar com cautela e sensibilidade elevada às manchetes.
Fontes consultadas
- Associated Press, Federal Reserve, Financial Juice, IBGE, Yahoo Finance, SGX/Tiger e Sina Finance/Dalian.
- Preços consultados entre 4h04 e 7h18 de 19 de agosto de 2026, no horário de Brasília.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Cotações e cenários podem mudar ao longo do pregão.