
O mercado hoje começa com o petróleo novamente no centro das atenções. O Brent rondava US$ 91 por barril no início desta terça-feira (18), enquanto um novo incidente com uma embarcação na saída do Estreito de Ormuz elevava a percepção de risco sobre uma rota por onde circulava cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo antes da guerra. O choque combina energia cara, pressão inflacionária e cautela com ativos de risco.
Resumo da manhã
- Brent a US$ 91,00 (+0,14%) e WTI a US$ 84,23 (+0,59%), por volta das 7h13 (Brasília).
- Futuros de Nova York mistos: S&P 500 -0,50%, Nasdaq 100 -1,25% e Dow Jones estável.
- Bolsas asiáticas majoritariamente em queda; Nikkei recuou 2,5% e Kospi perdeu 1,6%.
- Dólar perto de R$ 5,20 e índice DXY praticamente estável.
- Minério de ferro avançava em Singapura e Dalian, um contraponto positivo para Vale e siderúrgicas.
- Nos Estados Unidos, a agenda traz construção de moradias, produção industrial e vendas pendentes de imóveis.
Petróleo a US$ 91 e novo incidente em Ormuz
Uma embarcação foi atingida por um projétil não identificado quando deixava o Estreito de Ormuz. Segundo informações divulgadas pela Associated Press, houve dano na casa de máquinas e uma vítima entre os tripulantes, enquanto a Guarda Costeira de Omã prestava assistência. Até o início da manhã, não havia reivindicação de responsabilidade.
O episódio reforça a incerteza sobre o fluxo de navios na região. As negociações conduzidas por Irã e Omã continuam, mas as conversas mais amplas entre Washington e Teerã permanecem travadas. Para o mercado, o ponto mais importante é simples: qualquer limitação prolongada em Ormuz reduz a previsibilidade da oferta e mantém um prêmio geopolítico nos preços do petróleo.
O efeito sobre os ativos brasileiros é dividido. Petrobras tende a receber suporte de uma commodity mais cara, principalmente se os preços permanecerem elevados. Em contrapartida, combustível e frete mais caros pioram a perspectiva de inflação, dificultam a queda dos juros e atingem empresas dependentes de consumo, transporte e crédito.
Bolsas globais operam com cautela
Na Ásia, o índice Nikkei caiu 2,5%, aos 67.460,73 pontos, e o sul-coreano Kospi perdeu 1,6%, aos 6.869,83 pontos. Em sentido contrário, Hang Seng e Xangai subiram cerca de 0,2%. A leitura regional mostra que o impacto do petróleo não é uniforme, mas prevalece a preocupação com inflação e crescimento.
Na Europa, por volta das 7h08, o FTSE 100 estava praticamente estável, enquanto DAX caía 0,26% e CAC 40 recuava 0,35%. O indicador ZEW de expectativas econômicas da Alemanha avançou para 34,2 pontos, acima da projeção de 30, mas o componente de condições atuais permaneceu negativo, em -61,1 pontos.
Nos Estados Unidos, os futuros apontavam pressão principalmente sobre tecnologia: Nasdaq 100 -1,25%, S&P 500 -0,50% e Dow Jones perto da estabilidade. Na sessão anterior, o S&P 500 fechou em queda de 0,5%, o Dow recuou 0,5% e o Nasdaq perdeu 0,3%. O rendimento do Treasury de dez anos encerrou segunda-feira em 4,724%, acima dos 4,696% anteriores, sinal de que o mercado ainda exige prêmio elevado diante do risco inflacionário.
Commodities: minério sobe e metais recuam
| Ativo | Preço | Variação |
|---|---|---|
| Petróleo Brent | US$ 91,00 | +0,14% |
| Petróleo WTI | US$ 84,23 | +0,59% |
| Minério SGX (set/26) | US$ 95,45/t | +0,16% |
| Minério Dalian (set/26) | 728,5 yuans/t | cerca de +0,55% |
| Ouro | US$ 4.449,40 | -0,54% |
| Cobre | US$ 6,54 | -1,15% |
O minério de ferro negociado em Singapura avançava para US$ 95,45 por tonelada, com volume de 41,39 mil contratos, enquanto o contrato de setembro em Dalian marcava 728,5 yuans por tonelada. Esse movimento oferece apoio moderado para Vale, CSN e Gerdau, embora o ambiente de aversão global limite a confiança em uma alta ampla do setor.
Dólar, Bitcoin e ADRs brasileiros
O índice DXY oscilava perto de 99,63 pontos, praticamente estável, e o dólar futuro de referência indicava uma taxa ao redor de R$ 5,20. O Bitcoin recuava 0,62%, para US$ 64.090,67, e o Ether caía 0,92%, para US$ 1.894,31. A combinação entre petróleo caro e juros longos elevados favorece cautela com moedas emergentes e criptoativos.
| Ativo | Indicação | Volume no pré-mercado |
|---|---|---|
| EWZ | -0,24% | Sem negociação |
| Petrobras (PBR) | +2,80% | Sem negociação |
| Vale (VALE) | +0,48% | Sem negociação |
| Itaú (ITUB) | -0,54% | Sem negociação |
| Nu Holdings (NU) | -3,29% | Sem negociação |
A indicação positiva para Petrobras é coerente com a alta do petróleo, mas o volume zerado impede tratar o movimento como confirmação. O mesmo vale para EWZ e os demais recibos brasileiros: o primeiro sinal realmente relevante virá quando a liquidez aumentar perto da abertura em Nova York.
Brasil: IBC-Br, reciprocidade e riscos para a B3
O Ibovespa encerrou a segunda-feira aos 166.783,56 pontos, em queda de 0,09%. Nesta terça, não há divulgação doméstica de primeira linha prevista para dominar a manhã. O mercado ainda assimila a contração de 0,64% do IBC-Br em junho na comparação mensal com ajuste sazonal, calculada a partir da série oficial do Banco Central. O dado reforça a percepção de desaceleração da atividade, mas a energia cara reduz o espaço para uma leitura imediata de juros menores.
Também permanece no radar o processo de reciprocidade comercial que o governo brasileiro avalia aplicar contra medidas tarifárias dos Estados Unidos. O procedimento formal não equivale a uma retaliação imediata, mas mantém um risco adicional para câmbio, exportadoras e setores expostos ao comércio bilateral. Enquanto não houver definição de produtos e alíquotas, o efeito tende a aparecer mais no prêmio de risco do que nos resultados das empresas. O tema foi detalhado no resumo de mercado de ontem.
Agenda econômica desta terça-feira
- 9h30: início de construção de moradias, licenças de construção e preços de importação dos Estados Unidos.
- 10h15: produção industrial e utilização da capacidade instalada dos Estados Unidos.
- 11h00: vendas pendentes de imóveis nos Estados Unidos.
- Amanhã, 15h00: ata da última reunião do Fomc, evento de alto impacto para juros, dólar e bolsas.
Os dados americanos podem mudar o rumo da sessão. Números fortes de atividade, combinados ao petróleo elevado, tendem a pressionar os juros dos Treasuries. Dados fracos podem aliviar as taxas, mas também aumentariam a preocupação com crescimento. A ata do Fomc, na quarta-feira, será importante para entender o grau de desconforto do banco central com a inflação de energia.
O que esperar de Ibovespa, dólar e juros
Ibovespa: o cenário sugere abertura cautelosa, com Petrobras e mineradoras oferecendo sustentação parcial. Tecnologia, varejo, companhias aéreas e empresas mais sensíveis aos juros podem sentir o ambiente externo negativo.
Dólar: a estabilidade do DXY evita uma pressão externa mais intensa, mas o risco geopolítico e a discussão comercial entre Brasil e Estados Unidos recomendam atenção. Uma piora em Ormuz pode fortalecer a busca por proteção ao longo do dia.
Juros: este é o ponto mais sensível. Petróleo perto de US$ 91 aumenta o risco de combustível e frete contaminarem expectativas de inflação. Mesmo com sinais de atividade brasileira mais fraca, a curva pode continuar exigindo prêmio se a commodity permanecer elevada.
Em síntese, o pregão começa com uma disputa entre o suporte das commodities para empresas de grande peso e o impacto negativo da energia cara sobre inflação e juros. A evolução de Ormuz e os indicadores americanos definirão qual força prevalecerá.
Fontes consultadas
- Associated Press, Banco Central do Brasil, cotações da Yahoo Finance, SGX/Tiger e Dalian.
- Dados consultados na manhã de 18 de agosto de 2026, no horário de Brasília.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Preços e projeções podem mudar ao longo do pregão.