Atualizado às 07h10 (horário de Brasília). O mercado desta terça-feira, 22 de setembro de 2026, começa com bolsas internacionais em alta moderada, dólar global mais fraco e petróleo em queda. No Brasil, a ata do Copom e a nova pesquisa Quaest concentram a atenção, enquanto investidores também acompanham o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Assembleia Geral da ONU.
Para a B3, o quadro inicial combina algum suporte externo para ativos de risco com pressões setoriais: Vale encontra minério de ferro mais fraco em Singapura, Petrobras acompanha o recuo do Brent e do WTI, e bancos, estatais, dólar e juros longos podem reagir à leitura da ata e aos números eleitorais divulgados depois do fechamento de segunda-feira.
O que move o mercado hoje
- Copom: a ata da reunião que reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, será divulgada às 08h e pode calibrar a percepção sobre o ritmo dos próximos cortes.
- Quaest: Lula aparece com 37% e Flávio Bolsonaro com 33% no primeiro turno; em uma simulação de segundo turno, Flávio marca 42% e Lula, 41%, caracterizando empate técnico.
- Petróleo: Brent e WTI recuavam com novos sinais de possível negociação entre Estados Unidos e Irã e com a preparação da Arábia Saudita para retomar exportações pelo porto de Yanbu.
- Minério: o contrato mais negociado em Dalian estava estável a 714 yuans por tonelada; em Singapura, o outubro de 2026 caía 0,98%, a US$ 96,05.
- Exterior: Europa e futuros de Nova York operavam com ganhos modestos, enquanto o DXY recuava e os futuros de Treasuries avançavam.
Ata do Copom pode redefinir o ritmo dos cortes
O Banco Central publica às 08h a ata da reunião em que o Copom reduziu a Selic para 13,75% ao ano. O documento será lido em busca de indicações sobre a intensidade e a duração do ciclo de flexibilização monetária, especialmente diante das expectativas de inflação, da atividade econômica e dos riscos fiscais.
Uma comunicação mais cautelosa tende a sustentar os juros futuros de prazos intermediários e longos; uma avaliação mais confortável sobre a inflação pode reforçar apostas em novos cortes. O efeito sobre o Ibovespa não é uniforme: ações sensíveis ao custo de capital podem se beneficiar de uma curva mais baixa, enquanto a reação do câmbio e das expectativas fiscais continuará relevante para bancos e empresas domésticas.
Quaest mostra disputa apertada e entra na formação de preços
A pesquisa Quaest divulgada na noite de segunda-feira mostrou Lula com 37% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 33% no cenário de primeiro turno. Augusto Cury marcou 6%, Ronaldo Caiado 4%, Renan Santos 3%, Romeu Zema 1% e Samara Martins 1%. Brancos, nulos ou eleitores que não pretendem votar somaram 7%, e 8% estavam indecisos.
Na rodada anterior, de 14 de setembro, Lula tinha 36% e Flávio Bolsonaro, 31%. As oscilações de um e dois pontos percentuais ocorreram dentro da margem de erro de dois pontos. No segundo turno testado pela Quaest, Flávio aparece com 42% e Lula com 41%, também em empate técnico.
| Item da pesquisa Quaest | Resultado |
|---|---|
| Primeiro turno | Lula 37%; Flávio Bolsonaro 33% |
| Segundo turno | Flávio Bolsonaro 42%; Lula 41% |
| Rejeição | Lula 55%; Flávio Bolsonaro 56% |
| Amostra | 2.004 eleitores |
| Período de campo | 17 a 20 de setembro de 2026 |
| Margem de erro e confiança | 2 pontos percentuais; 95% |
| Contratante e registro | Grupo Globo/O Globo; TSE BR-06004/2026 |
Como os números foram publicados após o encerramento da B3, a reação doméstica ainda não foi observada. O canal de transmissão passa pela percepção sobre política fiscal, governança de estatais, bancos públicos e ambiente regulatório. O impacto pode aparecer em juros longos, dólar, Petrobras, Banco do Brasil e empresas mais dependentes do ciclo doméstico. Uma nova pesquisa nacional do AtlasIntel está prevista para quarta-feira, 23 de setembro.
Além da eleição, a política comercial permanece no radar. Lula afirmou que o Brasil seguirá negociando com os Estados Unidos antes de decidir sobre medidas de reciprocidade, mas não descartou o instrumento se as conversas fracassarem. O discurso do presidente na ONU pode trazer novas referências para relações comerciais e política externa.
Bolsas globais sobem com diplomacia no radar
Os mercados mantinham tom moderadamente positivo após a alta das ações de tecnologia na véspera. A reunião entre Donald Trump e Xi Jinping prevista para esta semana mantém comércio, investimentos e inteligência artificial no centro da agenda. A expectativa é de continuidade do diálogo, sem indicação de um acordo amplo imediato.
O Financial Juice, cujo feed aparecia identificado como atrasado, registrou nesta manhã que o Irã apresentou uma proposta aos Estados Unidos por meio de mediadores e indicou que poderia reabrir o Estreito de Ormuz em até sete dias caso Washington alivie a pressão militar e o bloqueio. A Arábia Saudita também se preparava para retomar exportações de petróleo por Yanbu. As informações ajudavam a retirar prêmio de risco do petróleo, mas declarações mais duras de autoridades iranianas mantinham a volatilidade elevada.
Treasuries, dólar e criptoativos
Os futuros de Treasuries avançavam: o contrato de 10 anos subia 0,15% e o de 30 anos ganhava 0,35% por volta das 06h50, movimento compatível com pressão de baixa sobre os rendimentos. Na sessão anterior, o yield do Treasury de 10 anos encerrou em 4,963% e o de 30 anos, em 5,30%.
O DXY operava em 100,35 pontos, queda de 0,07%, às 06h55. O USD/BRL indicava R$ 5,1032, recuo de 0,18%, às 06h58. Antes da abertura do mercado brasileiro, a liquidez do real é reduzida e essa referência deve ser tratada como indicativa.
O Bitcoin era negociado perto de US$ 86.126, com alta de 2,03%, e o Ethereum avançava 1,18%, a US$ 2.747, às 07h06. Os criptoativos acompanhavam o melhor humor dos ativos de risco, ainda sensíveis aos juros globais e ao noticiário geopolítico.
Petróleo cai; minério recua em Singapura
Às 06h55, o WTI para novembro era negociado a US$ 90,73 por barril, queda de 1,78%, enquanto o Brent recuava 1,11%, a US$ 99,23. A leitura combina a perspectiva de retomada de fluxos sauditas com a possibilidade de negociações entre Washington e Teerã. O cenário permanece sujeito a mudanças rápidas, sobretudo por causa do Estreito de Ormuz.
Em Dalian, o contrato mais negociado do minério de ferro era cotado a 714 yuans por tonelada, estável, com máxima de 715 yuans. O contrato janeiro de 2027 havia fechado a sessão anterior a 715 yuans, alta de 0,14%. Em Singapura, o contrato outubro de 2026 recuava 0,98%, a US$ 96,05 por tonelada, com volume de 47,25 mil contratos, às 06h58.
O ouro futuro caía 0,47%, a US$ 4.363,40 por onça-troy, enquanto o cobre avançava 1,21%, a US$ 6,8440 por libra-peso, às 06h55. O cobre encontrava apoio no tom positivo dos ativos de risco; o ouro devolvia parte da procura defensiva.
Ásia fecha em leve alta; Japão permanece fechado
| Mercado | Nível | Variação |
|---|---|---|
| Kospi | 7.017,91 | +0,15% |
| Hang Seng | 25.087,75 | +0,18% |
| Xangai Composto | 3.952,13 | +0,06% |
| Nikkei 225 | 65.018,95 | sem pregão; último fechamento de 18/09 |
A maior parte da Ásia encerrou a sessão com ganhos discretos. A bolsa japonesa não abriu nesta terça-feira por causa do feriado do Dia do Cidadão, situado entre os feriados de 21 e 23 de setembro.
Europa e futuros dos Estados Unidos
| Mercado europeu | Nível | Variação | Horário de Brasília |
|---|---|---|---|
| Euro Stoxx 50 | 6.333,54 | +0,24% | 06h49 |
| DAX | 25.648,26 | +0,29% | 06h49 |
| FTSE 100 | 10.752,14 | +0,12% | 06h49 |
| CAC 40 | 8.165,13 | +0,32% | 06h49 |
| Futuro dos EUA | Nível | Variação | Horário de Brasília |
|---|---|---|---|
| S&P 500 | 7.835,00 | +0,02% | 06h55 |
| Nasdaq 100 | 30.804,50 | +0,06% | 06h55 |
| Dow Jones | 52.561 | +0,16% | 06h55 |
Os ganhos eram modestos, refletindo a combinação entre petróleo mais baixo, diplomacia e cautela antes de falas de dirigentes do Federal Reserve. A volatilidade implícita permanecia contida, com o VIX em 14,81 pontos, queda de 0,40%.
EWZ e ativos brasileiros em Nova York
As referências abaixo combinam o fechamento regular de segunda-feira com as primeiras indicações do pré-mercado desta terça-feira. Como os negócios antecipados têm liquidez limitada e o Yahoo Finance não divulgava o volume de cada operação, os preços devem ser interpretados como sinais iniciais, não como projeção de abertura da B3.
| Ativo | Fechamento de segunda | Variação no dia | Pré-mercado |
|---|---|---|---|
| EWZ | US$ 38,07 | +1,47% | US$ 37,81 (-0,68%) |
| Vale (VALE) | US$ 14,15 | -0,42% | US$ 14,13 (-0,19%) |
| Petrobras ON (PBR) | US$ 20,63 | -0,82% | US$ 20,40 (-1,16%) |
| Petrobras PN (PBR.A) | US$ 18,74 | -0,43% | US$ 18,70 (-0,21%) |
| Itaú (ITUB) | US$ 8,45 | +3,05% | sem negociação válida |
| Bradesco (BBD) | US$ 3,52 | +2,63% | US$ 3,55 (+0,85%) |
| Ambev (ABEV) | US$ 2,98 | +1,36% | US$ 2,97 (-0,34%) |
| Gerdau (GGB) | US$ 5,00 | +1,21% | US$ 5,00 (0,00%) |
| CSN (SID) | US$ 1,17 | +6,36% | sem negociação válida |
| Nubank (NU) | US$ 14,06 | +3,00% | US$ 14,13 (+0,50%) |
O conjunto era misto: bancos mantinham parte do impulso da sessão anterior, enquanto EWZ, Vale e Petrobras apareciam mais fracos no pré-mercado. A queda do petróleo e a pesquisa eleitoral ajudam a explicar a cautela antes da abertura. Na edição de segunda-feira do Mercado Hoje, detalhamos o avanço global e as expectativas para a nova rodada da Quaest.
Agenda econômica desta terça-feira
| Horário de Brasília | Evento | Referência |
|---|---|---|
| 08h00 | Banco Central: ata do Copom | reunião que reduziu a Selic para 13,75% |
| 09h15 | Estados Unidos: variação semanal do emprego ADP | indicador de alta frequência |
| 09h55 | Estados Unidos: Redbook | vendas no varejo |
| 10h00 | Lula abre o debate geral da ONU | política externa e comércio no radar |
| 11h00 | Fed de Richmond | atividade industrial e regional |
| 11h05 | John Williams, do Federal Reserve | discurso |
| 11h20 | Philip Jefferson, do Federal Reserve | discurso |
| 14h00 | Tom Barkin e leilão de Treasuries de 2 anos | política monetária e demanda por títulos |
| 17h30 | API: estoques de petróleo | referência anterior de alta de 7,1 milhões de barris |
Para quarta-feira, o radar inclui os PMIs preliminares de setembro, os estoques oficiais de petróleo nos Estados Unidos e a pesquisa AtlasIntel prevista para o cenário presidencial brasileiro.
Leitura para Ibovespa, dólar e juros
Ibovespa: o exterior levemente positivo ajuda a abertura, mas petróleo e minério limitam a contribuição de Petrobras e Vale. A ata do Copom e a Quaest podem deslocar o foco para bancos, estatais e ações sensíveis à curva de juros. A pesquisa foi divulgada depois do fechamento e, portanto, ainda não teve reação observável na B3.
Dólar: DXY mais fraco e maior apetite global por risco favorecem o real, mas a leitura inicial de R$ 5,1032 foi formada antes da liquidez plena do mercado local. O tom da ata, a pesquisa e eventuais comentários de Lula sobre comércio com os Estados Unidos podem mudar o sinal.
Juros: Treasuries mais firmes e petróleo em queda oferecem alívio externo. No Brasil, a ata definirá se a curva valida ou corrige as apostas sobre o ritmo de cortes, enquanto o cenário eleitoral pode manter prêmio nos vencimentos longos.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento.
Fontes
- Financial Juice — notícias em tempo real e agenda
- Associated Press — encontro Trump–Xi e relações EUA–China
- Exame — ata do Copom e agenda de mercados
- CNN Brasil — Quaest no primeiro turno
- JC/UOL — Quaest no segundo turno
- UOL — rejeição e dados técnicos da Quaest
- InfoMoney — reciprocidade comercial Brasil–EUA
- Tiger Brokers — minério de ferro em Singapura
- Tindex — minério de ferro em Dalian
- Yahoo Finance — índices, moedas, futuros, criptoativos, EWZ e ADRs
- Federal Reserve — agenda de dirigentes
- Bureau of Labor Statistics — calendário econômico dos EUA