Mercado hoje: Fed e Copom decidem juros; petróleo recua

Fed e Copom decidem juros nesta quarta-feira; petróleo recua, minério sobe e a pesquisa CNT/MDA mantém o risco político no radar da B3.

Atualizado às 07h15 (horário de Brasília). O mercado desta quarta-feira, 16 de setembro de 2026, entra na “Superquarta” com sinais mistos: bolsas sobem no exterior, o petróleo recua mas permanece acima de US$ 107, o minério de ferro avança em Dalian e Singapura e o Treasury de 10 anos continua muito próximo de 5%. Federal Reserve e Copom anunciam hoje decisões que apontam em direções opostas: o mercado espera alta de 0,25 ponto percentual nos Estados Unidos e corte de mesma magnitude no Brasil.

Para a B3, a combinação deixa o pregão dependente da comunicação dos bancos centrais. Minério mais firme ajuda Vale e siderúrgicas, enquanto o recuo do petróleo retira parte do impulso que Petrobras deu ao Ibovespa na terça-feira. A pesquisa CNT/MDA divulgada depois da abertura de ontem também entra no radar, mas suas oscilações permanecem dentro da margem de erro e não justificam, isoladamente, uma leitura direcional para os ativos.

O que move o mercado hoje

  • Fed: a decisão sai às 15h, com projeções econômicas e coletiva às 15h30; os contratos indicavam probabilidade superior a 90% de alta de 0,25 ponto.
  • Copom: a expectativa majoritária é de corte de 0,25 ponto, para 13,75% ao ano; o comunicado será publicado a partir de 18h30.
  • Treasuries: o rendimento de 10 anos operava a 4,9875%, depois de superar 5% na terça-feira pela primeira vez em três anos.
  • Commodities: Brent a US$ 107,87 e WTI a US$ 104,10; minério de ferro em alta nos dois mercados de referência.
  • Política: a CNT/MDA mostrou Lula com 47,3% e Flávio Bolsonaro com 40,0% em uma simulação de segundo turno.

Fed deve subir juros; Copom pode cortar a Selic

A reunião do Federal Reserve termina com o mercado precificando uma alta de 0,25 ponto percentual — a primeira elevação em três anos. Na sessão asiática, a probabilidade implícita desse movimento estava em 92,4%, segundo dados do FedWatch citados pela Reuters. A inflação americana resistente e o petróleo ainda acima de US$ 100 estreitaram o espaço para o banco central manter os juros, embora parte dos economistas ainda veja risco de surpresa.

O Treasury de 10 anos recuava 0,85 ponto-base, para 4,9875%, depois de alcançar 5,041% na véspera. Na referência oficial H.15 publicada pelo Federal Reserve na terça-feira, o título de dois anos estava em 4,65% e o de 10 anos, em 4,97%. A inclinação positiva entre dois e dez anos reforça a mensagem de que a discussão não termina na decisão de hoje: projeções, votos e a avaliação do presidente Kevin Warsh sobre inflação e dezembro podem produzir a maior reação do mercado.

No Brasil, contratos de opções de Copom acompanhados pela B3 indicavam 95% de probabilidade de corte de 0,25 ponto, o que levaria a Selic a 13,75% ao ano. O diferencial em relação aos Estados Unidos continua elevado, mas um Fed mais duro limita o espaço para queda dos juros longos brasileiros. O comunicado do Banco Central será decisivo para saber se o ciclo doméstico pode continuar ou se petróleo, câmbio e risco fiscal recomendam passos menores.

Dólar, real e criptomoedas antes das decisões

O DXY operava a 99,66 pontos, alta de 0,05%, às 07h02. O dólar internacional contra o real rondava R$ 5,1486 às 06h58, abaixo do fechamento doméstico de terça-feira, quando a moeda americana avançou 0,10%, para R$ 5,1543. A comparação é apenas indicativa porque o mercado brasileiro ainda estava fechado.

O Bitcoin era negociado a US$ 75.900,32, alta de 0,42%, e o Ethereum a US$ 2.401,11, avanço de 0,14%, às 07h12. O Senado dos Estados Unidos rejeitou na véspera o avanço de uma proposta sobre criptoativos, mas o fator dominante nesta manhã continua sendo a perspectiva para os juros e a liquidez global.

Petróleo recua; minério sobe em Dalian e Singapura

O Brent para novembro caía 0,81%, a US$ 107,87 por barril, e o WTI recuava 1,63%, a US$ 104,10, às 07h02. O movimento devolve uma parte da alta recente, sem eliminar o prêmio de risco associado ao conflito no Oriente Médio e ao estreito de Ormuz. O Financial Juice registrou às 05h21 e 05h22 declarações da China pedindo racionalidade a Estados Unidos e Irã e a reabertura do estreito.

O contrato janeiro de 2027 do minério de ferro encerrou a sessão diurna em Dalian a 709,0 yuans por tonelada, alta de 0,14% sobre o ajuste anterior de 708,0 yuans, com 225.002 contratos negociados. Em Singapura, o contrato de outubro subia 0,71%, a US$ 96,12 por tonelada, às 07h16. A direção foi conferida separadamente nos dois mercados.

O ouro avançava 1,09%, a US$ 4.379,90 por onça-troy, enquanto o cobre subia 0,78%, a US$ 6,49 por libra-peso. A alta do ouro combina procura por proteção e expectativa pela sinalização do Fed; no cobre, a recuperação acompanha o tom positivo das bolsas asiáticas.

Bolsas sobem na Ásia e na Europa

MercadoNívelVariação
Nikkei 22563.923,00+0,7%
Kospi6.717,97+1,4%
Hang Seng24.713,78+0,2%
Xangai Composto3.891,60+0,7%
ASX 2008.696,50-0,6%
Euro Stoxx 506.259,22+0,36%
DAX25.455,55+0,21%
CAC 408.115,27+0,31%
FTSE 10010.699,14+0,38%

O Japão avançou apesar do quarto déficit comercial mensal consecutivo, enquanto Coreia do Sul, Hong Kong e China continental também fecharam no azul. Na Europa, a produção industrial da zona do euro caiu 0,1% no mês, resultado melhor que a projeção de -0,2% registrada no calendário do Financial Juice.

Futuros de Nova York avançam após queda de Wall Street

Futuro dos EUANívelVariação
Dow Jones52.598+0,14%
S&P 5007.673,00+0,22%
Nasdaq 10029.376,50+0,44%

Os futuros recuperavam parte das perdas de terça-feira, quando o S&P 500 caiu 0,5%, o Dow Jones recuou 0,6% e o Nasdaq perdeu 0,8%. O alívio ainda é modesto diante da decisão do Fed e do rendimento elevado dos Treasuries.

EWZ e ativos brasileiros no pré-mercado

O EWZ indicava alta de 0,50%, a US$ 37,97, às 05h57 de Nova York, depois de fechar a terça-feira a US$ 37,78. O volume era de apenas 1.258 cotas, muito abaixo da média diária; por isso, o preço deve ser tratado como uma indicação de baixa liquidez, não como previsão para a abertura da B3. A mesma cautela vale para várias ADRs, algumas com poucos negócios.

AtivoPreçoVariaçãoHorário ET / status
EWZUS$ 37,97+0,50%05h57; volume 1.258
Vale (VALE)US$ 14,50+0,21%05h02; volume 1.113
Petrobras ON (PBR)US$ 21,63-0,64%06h03; volume 31.872
Petrobras PN (PBR.A)US$ 19,49-0,41%05h39; baixa liquidez
Itaú (ITUB)US$ 8,2841+0,29%05h30; volume muito baixo
Bradesco (BBD)US$ 3,50estável06h05; volume 3.338
Ambev (ABEV)US$ 3,02estável04h00; sem liquidez relevante
Gerdau (GGB)US$ 5,06—sem negócio válido no pré-mercado
CSN (SID)US$ 1,20estável05h07; volume 88
Nubank (NU)US$ 14,21+0,14%06h06; volume 7.341

Petrobras devolvia parte da alta de terça-feira, coerente com a queda do petróleo. Vale acompanhava o avanço do minério, mas a amplitude era pequena. Como o pré-mercado ainda tinha pouca profundidade, Fed, Copom e a abertura efetiva das commodities podem alterar rapidamente esse quadro.

Pesquisa CNT/MDA mantém eleições no radar da B3

A pesquisa CNT/MDA divulgada na terça-feira mostrou Lula com 47,3% e Flávio Bolsonaro com 40,0% em uma simulação de segundo turno. No primeiro turno, Lula aparece com 40,5% — 40,6% em algumas tabelas por arredondamento — e Flávio Bolsonaro, com 30,4%. Na rodada anterior do instituto, o segundo turno mostrava 48,0% a 39,1%; as oscilações estão dentro da margem de erro e, portanto, não representam mudança estatisticamente comprovada.

Instituto / contratanteCampoAmostra e métodoMargemRegistro TSE
MDA / CNT9 a 13/09/20262.002 entrevistas presenciais em domicílios e pontos de fluxo±2,2 p.p.; confiança de 95%BR-06902/2026

O registro foi confirmado no sistema PesqEle do Tribunal Superior Eleitoral. Para o mercado, pesquisas afetam preços principalmente quando mudam a percepção sobre política fiscal, composição de governo e trajetória da dívida. Nesta manhã, porém, não há base para atribuir uma eventual oscilação do Ibovespa exclusivamente ao levantamento: ontem, o índice subiu 0,54%, aos 186.502,64 pontos, apoiado sobretudo por Petrobras e pelo petróleo.

Na edição de ontem do Mercado Hoje, o foco estava nos Treasuries acima de 5%, no petróleo e nas pesquisas BTG/Nexus e Quaest. A CNT/MDA foi divulgada depois e passa a compor o conjunto de informações políticas observado nesta quarta-feira.

Agenda econômica desta quarta-feira

Horário de BrasíliaEventoReferência
08h00IGP-10 de setembroFGV IBRE
09h30Vendas no varejo dos EUAconsenso +0,8%; núcleo +0,6%
09h30Preços de importação e exportação dos EUAconsensos +0,5% e +0,6%
11h00Índice NAHB e estoques empresariaisconsenso NAHB 34
11h30Estoques de petróleo da EIAconsenso -1,5 milhão de barris
15h00Decisão do Fed e projeções econômicasexpectativa de alta de 0,25 p.p.
15h30Coletiva do presidente do FedKevin Warsh
a partir de 18h30Decisão do Copomexpectativa de corte para 13,75%

Leitura para Ibovespa, dólar e juros

Ibovespa: a abertura tende a encontrar apoio nas bolsas globais e no minério, mas Petrobras perde parte do impulso com a queda do petróleo. A direção do dia pode mudar depois das 15h, quando o Fed divulgar decisão, projeções e votos.

Dólar: o real tem o diferencial de juros a seu favor, mas um Fed mais duro pode sustentar o DXY e limitar a apreciação das moedas emergentes. Pesquisa eleitoral e comunicação do Copom acrescentam risco local no fim do pregão.

Juros: os vencimentos curtos devem responder ao tamanho do corte e ao texto do Copom; os longos continuam expostos aos Treasuries próximos de 5%, ao petróleo acima de US$ 100, ao quadro fiscal e à volatilidade eleitoral.

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento.

Fontes

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