Mercado hoje: petróleo supera US$ 100 e minério recua

Brent supera US$ 100, minério recua em Dalian e Singapura e ativos brasileiros indicam alta no pré-mercado. Veja os destaques e a agenda desta quarta-feira.

Onda escura de petróleo atravessa um arco metálico iluminado, simbolizando a alta do barril acima de US$ 100.
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

Atualização às 07h00 de Brasília: o petróleo superava a marca de US$ 100, as bolsas europeias operavam em queda e o minério de ferro recuava tanto em Dalian quanto em Singapura. No pré-mercado de Nova York, os principais ativos brasileiros ainda carregavam parte da alta observada na terça-feira.

Resumo do mercado

  • O Brent subia 2,4%, para cerca de US$ 100,30, e ultrapassava US$ 100 pela primeira vez desde 24 de julho; o WTI avançava 1,9%, para aproximadamente US$ 94,80.
  • O novo salto do petróleo recolocava no centro do pregão o risco de inflação mais persistente e juros altos por mais tempo.
  • O minério de ferro terminou a sessão chinesa em baixa de 0,27% em Dalian e recuava 1,70% em Singapura.
  • A inflação ao consumidor e ao produtor da China acelerou em agosto, mas o dado não impediu a correção dos contratos de minério.
  • Europa e futuros dos Estados Unidos adotavam cautela; o rendimento do Treasury de dez anos rondava 4,80%.
  • EWZ, Vale, Petrobras, bancos e CSN indicavam alta no pré-mercado, embora as cotações nesse horário tenham liquidez menor.
  • No Brasil, o mercado também acompanha a continuidade do movimento eleitoral que ajudou ações, dólar e juros na terça-feira. Não havia nova pesquisa registrada publicada desde o relatório anterior até o horário de corte.

Petróleo supera US$ 100 e volta a pressionar a inflação global

O petróleo é o principal vetor dos mercados nesta quarta-feira. O Brent rompeu US$ 100 por barril pela primeira vez desde 24 de julho, enquanto o WTI se aproximava de US$ 95. A escalada ocorre em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio, com riscos renovados para instalações de energia e rotas de transporte.

O impacto não se limita às empresas do setor. Energia mais cara pode chegar aos índices de inflação, elevar custos de transporte e reduzir a renda disponível das famílias. Por isso, os investidores voltaram a discutir se bancos centrais terão espaço para aliviar os juros no ritmo esperado. O movimento é especialmente sensível antes dos próximos indicadores de preços dos Estados Unidos e da reunião do Federal Reserve.

AtivoReferênciaVariação
BrentUS$ 100,30+2,4%
WTIUS$ 94,80+1,9%
OuroUS$ 4.443,24+0,10%
CobreUS$ 6,763-0,89%

As referências internacionais foram capturadas entre 05h35 e 06h40 de Brasília e podem variar ao longo da manhã. Para a B3, o petróleo acima de US$ 100 tende a favorecer a Petrobras na abertura, mas a leitura positiva para a ação não elimina o efeito macroeconômico adverso de uma energia mais cara.

China tem inflação mais forte, mas minério recua

O índice de preços ao consumidor da China avançou 0,8% em agosto ante o mesmo mês de 2025 e 0,4% na comparação mensal. O índice de preços ao produtor subiu 3,8% em 12 meses e 0,4% no mês, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas do país. Os números reforçam a percepção de retomada dos preços domésticos, mas não impediram uma sessão negativa para o minério de ferro.

ContratoPreçoVariaçãoHorário em Brasília
Dalian I2701, janeiro de 2027738 yuans/t-0,27%04h04, fechamento
Singapura FEF2610, outubro de 2026US$ 99,30/t-1,70%06h48, intradiário

Em Dalian, o contrato mais negociado fechou a 738 yuans por tonelada, ante o ajuste anterior de 740 yuans, com máxima de 742 e mínima de 733. Em Singapura, o contrato de outubro caía para US$ 99,30, ante US$ 101,02 na referência anterior. A direção é negativa nos dois mercados, apesar da diferença de intensidade.

Para a Vale e as siderúrgicas, a queda do minério reduz parte do impulso vindo do exterior. O quadro, porém, continua misto: o petróleo beneficia Petrobras, enquanto o minério mais fraco limita o bloco metálico.

Ásia avança de forma desigual; Europa sente o petróleo

Na Ásia, ações ligadas à tecnologia sustentaram ganhos em Seul e ajudaram a compensar a cautela em outros mercados. O Kospi subiu 1,4%, o Nikkei recuou 0,2%, o Hang Seng caiu 0,3% e o índice de Xangai avançou 0,4%.

Na Europa, a pressão inflacionária associada ao petróleo prevalecia. Por volta de 05h35 de Brasília, o Stoxx 600 caía 0,7%, o DAX recuava 0,7%, o CAC 40 perdia 0,9% e o FTSE 100 cedia 0,3%.

Os futuros de Nova York estavam mistos por volta de 06h39: Dow Jones em baixa de 0,16%, S&P 500 perto da estabilidade e Nasdaq 100 em leve alta de 0,04%. Na sessão anterior, o S&P 500 caiu 0,6%, o Dow perdeu 1,2% e o Nasdaq recuou 0,3%.

Treasuries, dólar e juros

O rendimento do Treasury de dez anos rondava 4,80%, enquanto o índice DXY operava praticamente estável, perto de 98,78 pontos. A combinação de petróleo mais caro e juros longos elevados mantém o ambiente menos favorável para ativos de risco, mesmo com alguma resistência das empresas de tecnologia.

No Brasil, o dólar à vista encerrou a terça-feira a R$ 5,0892, queda de 0,79%, e os contratos de DI fecharam em baixa. Uma indicação inicial ao redor de R$ 5,09 nesta manhã sugeria estabilidade, mas a abertura local deve reagir simultaneamente ao petróleo, ao exterior e ao fluxo estrangeiro. O leilão de Treasury de dez anos, às 14h, pode mexer com a curva americana e, por consequência, com dólar e juros brasileiros.

Bitcoin, Ethereum e os ETFs

O Bitcoin era negociado perto de US$ 78.954, alta de aproximadamente 0,30% em 24 horas, enquanto o Ether estava em US$ 2.490,34, praticamente estável, com ganho de 0,03%. Apesar da resistência das cotações, os ETFs spot americanos tiveram resgates líquidos na terça-feira: US$ 46,6 milhões em produtos de Bitcoin e US$ 24,3 milhões nos fundos de Ether, segundo a Farside Investors.

Eleição sustentou ativos na terça; mercado testa continuidade

O Ibovespa fechou a terça-feira em alta de 1,20%, aos 187.366,84 pontos, enquanto o dólar caiu 0,79%. Segundo relatos de mercado reunidos por Reuters e B3, a redução da distância nas pesquisas presidenciais, combinada com fluxo estrangeiro e commodities, ajudou ações e derrubou os prêmios da curva de juros.

Até o corte desta edição, não havia nova pesquisa eleitoral registrada publicada desde o relatório do mercado de 8 de setembro. Por isso, o ponto de hoje é a reação dos preços, e não a repetição dos levantamentos. A abertura mostrará se o efeito eleitoral continua ou se o choque do petróleo passa a dominar a sessão.

EWZ e ativos brasileiros em Nova York

O pré-mercado mostrava sinal predominantemente positivo para os papéis brasileiros. As variações abaixo são contra o fechamento anterior; os horários estão em Brasília. Como a fonte não informou volumes e a liquidez antes da abertura é menor, os preços devem ser tratados como indicação, não como confirmação da abertura da B3.

AtivoPreçoVariaçãoHorário
EWZUS$ 38,61+2,01%06h24
ValeUS$ 15,56+1,83%06h37
PetrobrasUS$ 20,83+3,58%06h41
Petrobras AUS$ 18,86+3,40%06h42
ItaúUS$ 8,31+1,72%06h12
BradescoUS$ 3,55+2,02%05h47
AmbevUS$ 3,04+1,16%06h01
CSNUS$ 1,24+2,46%05h00
NubankUS$ 15,33-0,29%06h31
GerdauSem negócio no pré-mercado—até 07h00

A alta de Petrobras é coerente com o avanço do petróleo. Vale ainda indicava ganho no exterior, apesar da queda do minério, enquanto Nubank destoava do restante da cesta. A confirmação dependerá da liquidez depois da abertura de Nova York.

Agenda econômica de hoje

Horário de BrasíliaEventoRegião
08h00Pedidos e taxa de hipotecas MBAEstados Unidos
09h15Variação semanal do emprego ADPEstados Unidos
09h55Vendas RedbookEstados Unidos
10h00Produção e vendas de veículos, AnfaveaBrasil
12h00Confiança do consumidor Reuters/IpsosBrasil
13h00Relatório mensal de curto prazo da EIA, sujeito a confirmaçãoEstados Unidos
14h00Leilão do Treasury de dez anosEstados Unidos
14h30Fluxo cambial semanal do Banco CentralBrasil
17h30Estoques de petróleo do APIEstados Unidos

Na quinta-feira, o radar reúne dados regionais de indústria e serviços no Brasil, decisão de juros do Banco Central Europeu, inflação ao produtor e pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos. Na sexta-feira, o CPI americano será o principal indicador da semana.

Leitura para Ibovespa, dólar e juros

Ibovespa: Petrobras oferece suporte com o Brent acima de US$ 100, mas minério mais fraco, bolsas europeias em queda e Treasury de dez anos perto de 4,80% limitam o apetite por risco. O EWZ e as ADRs apontam abertura positiva, ainda sem volume suficiente para serem tomados como direção definitiva.

Dólar: a moeda brasileira vem de forte valorização na terça-feira. DXY estável e indicação inicial perto de R$ 5,09 favorecem acomodação, mas petróleo alto e juros americanos elevados podem aumentar a volatilidade.

Juros: a curva local fechou em queda com a melhora dos ativos brasileiros, mas hoje enfrenta uma força oposta: energia mais cara pode elevar expectativas de inflação. O leilão do Treasury de dez anos será uma referência importante para os vencimentos longos.

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Cotações podem mudar rapidamente e devem ser confirmadas antes de qualquer decisão financeira.

Fontes

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