Bolsas asiáticas acompanharam os recordes de Wall Street, enquanto petróleo e minério de ferro avançam. No Brasil, a decisão sobre a Selic deve comandar o comportamento do Ibovespa, do dólar e dos juros.
Atualizado em 5 de agosto de 2026, às 08h29, pelo horário de Brasília.
O mercado hoje começa com um ambiente externo favorável aos ativos de risco, após uma forte valorização das bolsas asiáticas e novos recordes nos Estados Unidos. No Brasil, entretanto, o otimismo internacional divide espaço com a cautela antes da decisão do Comitê de Política Monetária, o Copom.
Os futuros de Wall Street operavam em alta, enquanto petróleo, minério de ferro e ouro avançavam. O dólar permanecia praticamente estável diante do real, próximo de R$ 5,14.
A combinação sugere uma abertura construtiva para o Ibovespa, mas a falta de direção uniforme entre os ADRs brasileiros e a proximidade da decisão sobre a Selic recomendam uma leitura equilibrada.
Mercado internacional mantém apetite por risco
O principal impulso para os mercados globais veio do fechamento de terça-feira nos Estados Unidos. O S&P 500 avançou 1,8%, o Dow Jones subiu 1,7% e o Nasdaq Composite ganhou 2,6%.
Resultados corporativos positivos e a valorização das empresas ligadas à inteligência artificial e aos semicondutores sustentaram o movimento. A Palantir, por exemplo, saltou 29,5% depois de informar crescimento de 93% na receita.
A redução do preço do petróleo e o recuo dos juros dos títulos americanos também contribuíram para o desempenho das bolsas. O rendimento do Treasury de dez anos encerrou a sessão ao redor de 4,62%, abaixo dos 4,70% observados anteriormente.
A pesquisa Jolts mostrou aproximadamente 7,4 milhões de vagas abertas nos Estados Unidos, resultado próximo das expectativas. O panorama internacional foi detalhado pela Associated Press.
Futuros de Wall Street avançam
Os futuros americanos continuavam positivos durante a manhã desta quarta-feira:
| Contrato | Cotação | Variação | Horário |
|---|---|---|---|
| E-mini S&P 500 — set/26 | 7.797,75 | +0,42% | 08h18 |
| E-mini Nasdaq 100 — set/26 | 29.904,25 | +0,14% | 08h18 |
| Mini Dow — set/26 | 54.482 | +0,39% | 08h18 |
As cotações são parciais e foram compiladas a partir do mercado eletrônico pelo Yahoo Finance.
No último fechamento consolidado, os índices americanos registraram:
| Índice | Pontos | Variação |
|---|---|---|
| Dow Jones | 54.085,88 | +1,7% |
| S&P 500 | 7.736,52 | +1,8% |
| Nasdaq Composite | 26.584,99 | +2,6% |
| Russell 2000 | 3.036,98 | +1,8% |
Os números foram conferidos na cobertura de fechamento da Associated Press.
Ásia dispara com tecnologia e semicondutores
As bolsas asiáticas encerraram o pregão com forte valorização. Empresas de tecnologia acompanharam o movimento do Nasdaq e lideraram os ganhos na região.
| Mercado | Fechamento | Variação |
|---|---|---|
| Nikkei 225 | 66.300,44 | +3,7% |
| Kospi | 6.598,26 | +3,8% |
| Taiex | — | +2,9% |
| Xangai | 3.878,43 | +1,5% |
| Hang Seng | 25.915,82 | +0,4% |
| ASX 200 | 9.227,80 | +0,9% |
Na Índia, o Sensex recuava aproximadamente 0,2% depois que o banco central manteve a taxa de recompra em 5,25%.
Europa perde parte do impulso inicial
As bolsas europeias abriram em alta, mas perderam força durante as primeiras horas de negociação:
| Índice | Cotação | Variação |
|---|---|---|
| DAX | 26.212,81 | +0,04% |
| CAC 40 | 8.668,99 | +0,03% |
| Euro Stoxx 50 | 6.489,09 | +0,04% |
| FTSE 100 | 10.844,56 | -0,32% |
Os dados são parciais, com referência às 08h16, e podem apresentar atraso do provedor.
Petróleo reage, mas geopolítica mantém volatilidade
O petróleo recuperava parte das perdas registradas na sessão anterior. Na terça-feira, o Brent caiu mais de 5% diante da expectativa de negociações envolvendo Estados Unidos, Irã e a circulação de embarcações no Estreito de Ormuz.
Nesta manhã, o Brent avançava 1,34%, enquanto o WTI subia 0,50%.
| Commodity | Contrato ou mercado | Preço | Variação | Status |
|---|---|---|---|---|
| Brent | Referência contínua | US$ 80,42 por barril | +1,34% | Parcial |
| WTI | Set/26 | US$ 76,15 por barril | +0,50% | Parcial |
| Ouro | Dez/26 | US$ 4.231,40 por onça | +1,90% | Parcial |
| Cobre | Set/26 | US$ 6,647 por libra | +0,05% | Parcial |
A possibilidade de negociação reduz parte do prêmio de risco geopolítico, mas o mercado continua sujeito a oscilações bruscas. Qualquer interrupção nas tratativas envolvendo o Estreito de Ormuz pode recolocar pressão sobre o petróleo e sobre as expectativas de inflação.
Minério de ferro sobe em Cingapura e Dalian
O minério de ferro também apresentava valorização, oferecendo suporte moderado às ações de mineração e siderurgia.
Em Cingapura, o contrato FEF2608 avançava 0,48%, para US$ 94,10 por tonelada. Na Bolsa de Dalian, o contrato I2609 encerrou a sessão a 706 yuans por tonelada, alta de 0,93% diante do ajuste anterior de 699,50 yuans.
| Mercado | Contrato | Preço | Variação |
|---|---|---|---|
| Cingapura | FEF2608 | US$ 94,10/t | +0,48% |
| Dalian | I2609 | 706 yuans/t | +0,93% |
O ajuste oficial do contrato de Dalian ficou em 701 yuans por tonelada. As referências foram verificadas no contrato FEF2608 negociado em Cingapura e nos dados da Dalian Commodity Exchange.
Dólar opera próximo da estabilidade
O dólar indicativo era negociado a R$ 5,1397, alta marginal de 0,02% sobre a referência anterior, às 08h25.
Essa é uma cotação eletrônica anterior à abertura regular da B3 e não deve ser confundida com o fechamento do dólar comercial.
No exterior, o índice DXY recuava 0,12%, para 99,74 pontos. O dólar mais fraco e a valorização das bolsas internacionais favorecem moedas emergentes, mas a decisão do Copom pode alterar o comportamento do real durante a sessão.
Não havia cotação consolidada e confiável para o dólar futuro da B3 no horário de referência.
Bitcoin e Ethereum operam perto da estabilidade
As principais criptomoedas apresentavam variações moderadas antes dos indicadores econômicos dos Estados Unidos.
| Criptoativo | Preço | Variação em 24 horas |
|---|---|---|
| Bitcoin | US$ 64.033 | +0,50% |
| Ethereum | US$ 1.867,57 | +0,04% |
Os dados foram consultados no CoinGecko e conferidos com uma segunda referência de mercado.
O desempenho praticamente lateral indica cautela antes dos números de emprego e atividade nos Estados Unidos. Surpresas nos indicadores podem afetar as expectativas para o Federal Reserve, os juros americanos e a liquidez disponível para ativos de maior risco.
Ibovespa aguarda decisão do Copom
O Ibovespa encerrou a sessão anterior aos 177.895 pontos, queda de 105 pontos, equivalente a 0,06%.
Durante o pregão, o principal índice da B3 alcançou máxima de 180.680 pontos e mínima de 177.581 pontos. O fechamento foi conferido no Yahoo Finance e confrontado com as informações institucionais da B3.
O volume apresentado pelo provedor não estava identificado como volume financeiro consolidado e, por isso, não foi utilizado.
Na pré-abertura, os sinais eram mistos:
- O EWZ, principal ETF brasileiro negociado nos Estados Unidos, subia 0,06%.
- A ADR da Vale recuava 0,27%, apesar da valorização do minério.
- A Petrobras avançava 0,64%, acompanhando a recuperação do petróleo.
- Itaú registrava queda de 0,17%.
- Nubank avançava 0,56%.
O provedor não disponibilizou volume consolidado para essas negociações. Os movimentos devem ser interpretados com cautela, especialmente nos ativos com preços antigos ou baixa liquidez no pré-market.
Copom decide novo patamar da Selic
A decisão do Copom é o principal evento doméstico do dia. A Selic encontra-se em 14,25% ao ano e a expectativa predominante aponta para um corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 14%.
A reunião ocorre nos dias 4 e 5 de agosto, conforme o calendário oficial do Banco Central.
O corte esperado, entretanto, representa apenas parte da decisão. O mercado também avaliará atentamente o comunicado em busca de indicações sobre:
- espaço para novas reduções da Selic;
- riscos relacionados à inflação;
- impacto da alta do petróleo;
- comportamento da atividade econômica;
- equilíbrio das contas públicas.
Uma comunicação mais cautelosa pode sustentar os juros futuros e o real. Uma sinalização mais flexível pode levar o mercado a ampliar as expectativas de cortes nas próximas reuniões.
Agenda econômica desta quarta-feira
| Horário de Brasília | Evento | Consenso | Anterior |
|---|---|---|---|
| 09h15 | EUA — ADP de emprego privado | +68 mil | +98 mil |
| 11h00 | EUA — ISM de serviços | 54,5 pontos | 54,0 pontos |
| Após o fechamento | Brasil — decisão do Copom | Selic em 14,00% | 14,25% |
Os horários americanos foram confirmados no calendário do Federal Reserve de Nova York. O cronograma do indicador de serviços está disponível no Institute for Supply Management.
O que esperar do mercado hoje
O cenário externo oferece uma base moderadamente positiva para o Ibovespa. Bolsas asiáticas em forte alta, futuros americanos positivos, minério valorizado e recuperação do petróleo podem favorecer ações ligadas a commodities.
Ainda assim, a falta de direção uniforme entre os ADRs e a decisão do Copom devem limitar movimentos mais consistentes antes do anúncio.
No câmbio, a queda do DXY e o maior apetite por risco ajudam o real. O comportamento do dólar ao longo da sessão, porém, dependerá da leitura do mercado sobre a decisão e o comunicado do Banco Central.
Na curva de juros, o texto do Copom pode ser mais relevante do que o corte esperado de 0,25 ponto. Investidores buscarão sinais sobre o ritmo das próximas decisões e sobre os riscos que podem limitar a continuidade da flexibilização monetária.
O principal risco permanece no cenário geopolítico. Uma interrupção das negociações envolvendo o Estreito de Ormuz pode provocar nova alta do petróleo, pressionar a inflação internacional e elevar os juros globais.
Do lado positivo, a continuidade da valorização das bolsas, acompanhada por dólar mais fraco e preços firmes das commodities, pode melhorar o desempenho dos ativos brasileiros.
Este conteúdo possui caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de compra ou venda de ativos.